{"id":2804,"date":"2020-09-17T21:05:55","date_gmt":"2020-09-18T00:05:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2804"},"modified":"2020-09-17T21:26:44","modified_gmt":"2020-09-18T00:26:44","slug":"a-estetica-vanguardista-do-expressionismo-na-obra-o-grito-de-edvard-munch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2804","title":{"rendered":"A EST\u00c9TICA VANGUARDISTA DO EXPRESSIONISMO  NA OBRA O GRITO DE  EDVARD MUNCH"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Jos\u00e9 Victor Ferreira Santo<\/em>s<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Mateus Lopes de Carvalho<\/em><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>No decorrer da hist\u00f3ria, a quebra de paradigmas, desconstru\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de conceitos, mudan\u00e7as de metodologia, sempre fizeram parte da constitui\u00e7\u00e3o da sociedade em todos os seus \u00e2mbitos. Com o findar do s\u00e9culo XIX e a chegada do s\u00e9culo XX n\u00e3o poderia ser diferente: d\u00edspares transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e t\u00e9cno-cient\u00edficas atingiram a Europa e demais pa\u00edses do mundo, colocando \u201cem cheque\u201d o modo de se pensar, organizar e relacionar vigentes at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, no \u00e2mbito art\u00edstico, uma nova perspectiva est\u00e9tica surgiu perante as diversas releituras desse s\u00e9culo, com os denominados movimentos de vanguarda. A ruptura com a constru\u00e7\u00e3o estil\u00edstica denominada org\u00e2nica, predominante at\u00e9 o momento, e a constru\u00e7\u00e3o de um novo vi\u00e9s est\u00e9tico, marcado pela emancipa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, pelas alegorias e a subjetividade das obras, s\u00e3o marcas que caracterizam a metodologia inovadora trazida pelo movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto isso, entre as principais vanguardas, pode-se citar o expressionismo, movimento que ganhou propor\u00e7\u00e3o na Alemanha em meados do s\u00e9culo XX. Por meio de seus tra\u00e7os e cores fortes, distor\u00e7\u00f5es das formas, iconografias impactantes, ao mesmo tempo em que expressa a subjetividade dos artistas, essa vanguarda busca causar uma experi\u00eancia subjetiva, certo estranhamento, choque, um turbilh\u00e3o de sentimentos, em seu receptor.<\/p>\n\n\n\n<p>As inova\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas trazidas pelo expressionismo, enquanto movimento de vanguarda, podem ser observadas na obra <em>O Grito <\/em>(1893), de Edvard Munch. Suas variadas formas e cores tendem a chamar fortemente a aten\u00e7\u00e3o do receptor, impactando-o. Al\u00e9m disso, possui uma curiosidade m\u00e1xima, um ser que n\u00e3o se sabe ao certo se \u00e9 homem ou se \u00e9 uma mulher, mas que com os olhos e boca bem arregalados demonstra seu sentimento de ang\u00fastia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, inicialmente, buscar-se-\u00e1 demonstrar como as rupturas trazidas pelas vanguardas se manifestam na arte produzida no per\u00edodo. Para isso, tomar-se-\u00e1 as caracter\u00edsticas est\u00e9ticas do expressionismo, enquanto movimento de vanguarda, presentes na obra <em>O Grito<\/em> de Edvard Munch. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>AS VANGUARDAS EUROPEIAS: UMA NOVA ABORDAGEM EST\u00c9TICA<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer que com a chegada do s\u00e9culo XX, tornou-se ainda mais claro \u00e0 Europa e, posteriormente, ao mundo, que uma gama de transforma\u00e7\u00f5es e, principalmente, fragmenta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas e metodol\u00f3gicas tomava o mundo e trazia consequ\u00eancias em todas as esferas de sua organiza\u00e7\u00e3o. &nbsp;A economia, geopol\u00edtica, a gnosiologia, as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, o contato intrapessoal, entre outros aspectos passaram por dr\u00e1sticas revis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o que era principalmente rural, come\u00e7a a se deslocar para os centros urbanos, a fim de trabalhar nas ind\u00fastrias surgidas na revolu\u00e7\u00e3o industrial. A produ\u00e7\u00e3o e o consumo em longa escala, a ascens\u00e3o da burguesia na economia, entre outros fatores, causaram in\u00fameras transforma\u00e7\u00f5es nos modelos econ\u00f4micos. A reorganiza\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, o fortalecimento de diversas na\u00e7\u00f5es, os conflitos entre pa\u00edses, levaram a uma tens\u00e3o mundial que culminou na Grande Guerra e abriu as portas a uma crise que permaneceu por todo o s\u00e9culo. O conhecimento adquirido at\u00e9 o momento passa a ser abordado sob um novo olhar cr\u00edtico e metodol\u00f3gico. Al\u00e9m disso, as in\u00fameras inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cno-cient\u00edficas, como o surgimento da luz el\u00e9trica e os avan\u00e7os da medicina, fizeram desse per\u00edodo um \u201cborbulhar\u201d de pensamentos, vis\u00f5es cr\u00edticas e movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas rupturas, releituras, transforma\u00e7\u00f5es, que se davam em todos os setores da sociedade, n\u00e3o distantemente adentraram na constru\u00e7\u00e3o est\u00e9tica vigente at\u00e9 o momento, trazendo novos olhares e metodologias, atrav\u00e9s dos chamados movimentos de Vanguarda. Segundo Fernando Sepe, dentro da an\u00e1lise do pensador est\u00e9tico Peter B\u00fcrger, importante nome na an\u00e1lise das Vanguardas, o surgimento do movimento \u00e9 tido como uma ruptura no \u00e2mbito art\u00edstico presente at\u00e9 ent\u00e3o, uma vez que&nbsp; at\u00e9 o surgimento dessa a arte era produzida em vista de um sentido pleno extr\u00ednseco a si, o qual era expresso pelo autor de forma totalizante nas obras, e passa agora a se afastar ou, at\u00e9 mesmo, excluir das obras um sentido transcendente, um horizonte de significa\u00e7\u00e3o (SEPE, 2013, p.47).<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender como se dava a abordagem est\u00e9tica at\u00e9 o surgimento dos movimentos de vanguarda, um conceito muito caro \u00e0 an\u00e1lise \u00e9 o de \u201carte org\u00e2nica\u201d, que s\u00e3o as \u201cobras marcadas pela rela\u00e7\u00e3o e unidade entre a totalidade e as partes constituintes\u201d (SEPE, 2013, p.47). As produ\u00e7\u00f5es do per\u00edodo se comportavam como um organismo harmonioso, no qual h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de cumplicidade e correla\u00e7\u00e3o entre as partes constituintes, atrav\u00e9s de um horizonte de significa\u00e7\u00e3o. A conson\u00e2ncia, o significado, a rela\u00e7\u00e3o entre os componentes da produ\u00e7\u00e3o eram conferidos por meio de valores c\u00edvico, religioso, hist\u00f3rico, pol\u00edtico, entre outros horizontes extr\u00ednsecos \u00e0s produ\u00e7\u00f5es. A obra n\u00e3o tinha em si sua significa\u00e7\u00e3o. O autor n\u00e3o apresentava de si, de seus sentimentos na obra. A obra era uma reprodu\u00e7\u00e3o de algo externo, sem abertura para livre interpreta\u00e7\u00e3o e express\u00e3o. A quebra desse paradigma, uma diferente abordagem est\u00e9tica teve inicio com os movimentos de vanguarda.<\/p>\n\n\n\n<p>Principalmente ap\u00f3s advento da modernidade, h\u00e1 uma grande fragmenta\u00e7\u00e3o da realidade, a aparente unidade, a ideia de universais, \u00e9 questionada e abre espa\u00e7o para novas an\u00e1lises. Diante disso, no \u00e2mbito art\u00edstico, a unidade e totalidade trazidas pelo horizonte transcendente de significado \u00e0s obras d\u00e1 lugar a uma experi\u00eancia imanente, subjetiva, intr\u00ednseca \u00e0 obra, ao pintor e ao receptor (SEPE, 2013, p.47).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Lennor Noleto, retomando o pensamento de Adorno, caracter\u00edsticas fragment\u00e1rias marcantes na literatura, cultura e na pol\u00edtica, presentes naquele per\u00edodo hist\u00f3rico no qual as vanguardas est\u00e3o inseridas, v\u00e3o trazendo \u00e0 arte um novo sentido, uma nova forma de abordagem. A arte que at\u00e9 ent\u00e3o apresentava um objetivo meramente representativo de algo que lhe \u00e9 transcendente passa por uma clivagem perdendo seu car\u00e1ter extr\u00ednseco passando a ter refer\u00eancia em si mesma, um valor intr\u00ednseco, um valor em-si (NOLETO, 2013, p. 143). V\u00ea-se, a partir da an\u00e1lise de Noleto, que a arte passa por um processo emancipat\u00f3rio, pelo qual deixa de ser uma materializa\u00e7\u00e3o de algo transcendente a si e passa a uma identidade est\u00e9tica pr\u00f3pria.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para melhor apresentar a abordagem vanguardista, segundo Sepe, Peter B\u00fcrger apresenta como central, o conceito \u201calegoria\u201d. Enquanto na obra de arte org\u00e2nica, h\u00e1 uma unidade entre todos os aspectos que a comp\u00f5em, unidade essa de origem transcendental, o que lhe garante o sentido totalizante, nas alegorias, h\u00e1 uma fragmenta\u00e7\u00e3o desse significado e, atrav\u00e9s desses fragmentos, se d\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de uma nova realidade: trata-se de criar uma nova gram\u00e1tica, uma nova linguagem, a partir da reorganiza\u00e7\u00e3o de fragmentos. Os arabescos, as ru\u00ednas dos horizontes de significa\u00e7\u00e3o das artes org\u00e2nicas s\u00e3o associados e d\u00e3o origem a uma arte nova, com novos significados (SEPE, 2013, p.48).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto a se destacar \u00e9 o fato de que a arte, com o surgimento das vanguardas, deixa de ter sua t\u00e9cnica ensebada na forma, na metodologia utilizada, nos pressupostos hist\u00f3ricos e sociais, e passa a apresentar novas linguagens, novas manifesta\u00e7\u00f5es. A inser\u00e7\u00e3o do receptor na interpreta\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 um exemplo dessa manifesta\u00e7\u00e3o de novas linguagens. A obra que at\u00e9 ent\u00e3o, como j\u00e1 foi dito, apresentava um valor intr\u00ednseco, seja religioso, civil ou hist\u00f3rico, passa a ter valor em si, e atrav\u00e9s de sua express\u00e3o causa um valor no receptor, um estranhamento, denominado choque:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A obra vanguardista n\u00e3o cria uma impress\u00e3o total, condi\u00e7\u00e3o para uma interpreta\u00e7\u00e3o de seu sentido, nem confere clareza \u00e0 impress\u00e3o que, porventura, venha se produzir o retorno \u00e0s partes individuais, uma vez que estas n\u00e3o se encontram mais subordinadas a uma inten\u00e7\u00e3o de obra (B\u00dcRGER, 2008, p. 131).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Peter B\u00fcrger, a unidade entre as partes, o car\u00e1ter totalizante, marcado anteriormente pelo horizonte transcendente de significa\u00e7\u00e3o, passa a ser produzido na subjetividade do receptor (B\u00dcRGER, 2008, p.118). O indiv\u00edduo se apresenta diante da obra, observa os fragmentos nela presentes, vivencia o choque, o que gera nele uma experi\u00eancia subjetiva, repleta de sentimentos e impress\u00f5es, e a partir da\u00ed forma o seu retorno interpretativo. Al\u00e9m disso, segundo B\u00fcrger, tem-se que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O receptor experimenta essa recusa de sentido como choque. Este choque \u00e9 intencionado pelo artista de vanguarda, que mant\u00e9m a esperan\u00e7a de, gra\u00e7as a essa priva\u00e7\u00e3o de sentido, alertar o receptor para o fato de sua pr\u00f3pria pr\u00e1xis vital ser question\u00e1vel e para a necessidade de transform\u00e1-la. O choque \u00e9 ambicionado como estimulante, no sentido de uma mudan\u00e7a de atitude; e com o meio com o qual se pode romper a iman\u00eancia est\u00e9tica e introduzir uma mudan\u00e7a na pr\u00e1xis vital do receptor (B\u00dcRGER, 2008, p. 131).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesse trecho, um fato importante a se observar \u00e9 como, diante da fala de B\u00fcrger, o choque proveniente das obras vanguardistas causa no receptor um \u201cturbilh\u00e3o\u201d de sentimentos, uma experi\u00eancia subjetiva, que o impulsiona a uma autocr\u00edtica. A produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, at\u00e9 ent\u00e3o relacionada apenas a uma iman\u00eancia est\u00e9tica causada por uma transcend\u00eancia de significa\u00e7\u00e3o, relaciona-se com a tomada de consci\u00eancia, de conhecimento, do pr\u00f3prio sujeito que se depara com a obra.&nbsp; O indiv\u00edduo tomado pelo choque se volta para sua subjetividade, sendo fomentado at\u00e9 mesmo a modificar sua pr\u00e1xis vital. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Perante as diversas caracter\u00edsticas dos movimentos de vanguarda, cabe apresentar como se d\u00e1 a manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica atrav\u00e9s de um movimento caracter\u00edstico da \u00e9poca, o expressionismo. Com seu grande apelo \u00e0s experi\u00eancias subjetivas causadas pelo choque, o movimento se apresenta como uma das principais correntes vanguardistas, prezando expor a autonomia art\u00edstica, atrav\u00e9s da express\u00e3o de seus sentimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O EXPRESSIONISMO COMO UM MOVIMENTO DE VANGUARDA<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Dentre os in\u00fameros movimentos retratados ao longo das vanguardas europeias, destaca-se o movimento expressionista, cujo auge se deu no s\u00e9culo XX, trazendo novas concep\u00e7\u00f5es de artes visuais, cinematogr\u00e1ficas, liter\u00e1rias, musicais, arquitet\u00f4nicas e fotogr\u00e1ficas. Analisando as manifesta\u00e7\u00f5es expressionistas na arte, buscar-se-\u00e1 apresentar as caracter\u00edsticas subjetivas presentes nas obras que as classificam como um movimento de vanguarda.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando inicialmente a cr\u00edtica produzida por Herbert K\u00fchn em 1919, no jornal <em>Neue Bl\u00e4tter f\u00fcr Kunst und Dichtung <\/em>(Novos Jornais de Arte e Poesia), sobre o advento do expressionismo, fica claro como a experi\u00eancia subjetiva \u00e9 uma das principais marcas do movimento. Segundo o cr\u00edtico alem\u00e3o: \u201cO expressionismo \u00e9 um s\u00f3 grito contra o materialismo, contra o n\u00e3o-espiritual, contra as m\u00e1quinas, contra a centraliza\u00e7\u00e3o, e a favor do esp\u00edrito, a favor de Deus, a favor da humanidade no homem\u201d (K\u00dcHN apud BEHR, 2000, p.7).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se caracterizar o movimento expressionista como um grito em favor de uma abertura ao subjetivo, o autor alem\u00e3o evidencia a abertura ao imanente na produ\u00e7\u00e3o da arte. Por meio de uma catarse, termo grego corriqueiramente utilizado nas artes como uma descarga de sentimentos, o artista expressa o eu interior, ao mesmo tempo em que, na maioria das vezes, provoca um \u201cchoque\u201d uma experi\u00eancia subjetiva no receptor. Ao entrar-se em contato com a obra, o apreciador, normalmente, capta as experi\u00eancias emotivas presentes nas obras e as traduzem em uma experi\u00eancia pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da nova abordagem trazida pela vanguarda, segundo Bezerra, podemos definir como fundamento para a est\u00e9tica do movimento a arte pensada como comunica\u00e7\u00f5es. Por meio dos quadros, pinturas, se expressa, se comunica, com clareza e nitidez, os sentimentos e as sensa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o presentes no artista, havendo a comunica\u00e7\u00e3o entre aquilo que lhe \u00e9 subjetivo e a express\u00e3o causada pela sua obra. Com isso, o pensador apresenta que com esse movimento:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Os autores poderiam expressar em sua arte toda a grandiosidade dos sentimentos humanos sem se preocupar com o perfeccionismo e o realismo das formas retratadas, uma vez que o material serviria apenas como pano de fundo para o transcendental (BEZERRA, &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2009, p. 3).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa valoriza\u00e7\u00e3o da subjetividade ao inv\u00e9s da objetividade, a retrata\u00e7\u00e3o dos sentimentos e emo\u00e7\u00f5es em detrimento da realidade \u201cnua e crua\u201d, se faz presente nas manifesta\u00e7\u00f5es expressionistas. O contexto do per\u00edodo, marcado pela guerra, se traduziu por meio de temas sombrios, tr\u00e1gicos e m\u00f3rbidos, concomitantemente relacionados com a realidade vivida e sofrida pelo artista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, ao apresentarmos a express\u00e3o subjetiva proposta por essa vanguarda, vemos que entre as caracter\u00edsticas marcantes de sua pintura est\u00e3o as vibrantes cores e formas. As cores e formas tidas, muitas vezes, como irreais, davam \u201cforma pl\u00e1stica ao amor, ao ci\u00fame, ao medo, \u00e0 solid\u00e3o, \u00e0 mis\u00e9ria humana, \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o\u201d (MARTINS; IMBROISI<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>). Por meio de sua sensibilidade art\u00edstica os expressionistas de sentimentos<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> escolhiam cores e formas eloquentes e resplandecentes, o que possibilitava um melhor resultado final, uma melhor demonstra\u00e7\u00e3o do drama e da subjetividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto com as cores, s\u00e3o percept\u00edveis tamb\u00e9m as deforma\u00e7\u00f5es presentes nas formas, figuras e gestos. Al\u00e9m disso, a brutalidade com que o artista pintava seus quadros, utilizando-se de pinceis e esp\u00e1tulas, atrav\u00e9s de um inesperado dinamismo de fazer e refazer, de passar e repassar os instrumentos, a pintura ganhava um relevo mais evidente, gerando assim certa dificuldade de compreens\u00e3o do que se encontra exposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se tamb\u00e9m que o expressionismo veio como uma forma de liberta\u00e7\u00e3o, um libertar-se do artista, visto que ele se expressava em sua arte. Mesmo possuindo temas t\u00e3o pol\u00eamicos, os artistas n\u00e3o temiam e seguiam avante, desejosos de se exporem por meio do que melhor faziam. O expressar liberta e liberdade garante um al\u00edvio interior.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado o exposto, devido \u00e0 express\u00e3o subjetiva, atrav\u00e9s da materializa\u00e7\u00e3o dos sentimentos, seja por meio das cores, das formas e gravuras e a liberdade art\u00edstica, expressando sentimentos oriundos das viv\u00eancias pessoais dos artistas, o expressionismo torna-se um marco entre as vanguardas europeias. Muitos artistas se destacaram no movimento, entre eles o noruegu\u00eas Edvard Munch com sua grande obra, <em>O grito, <\/em>tratada a seguir. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A OBRA <em>O GRITO<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Para abordar e compreender melhor sua obra, \u00e9 preciso antes rever a vida de Edvard Munch, pois elas sofrem grandes influ\u00eancias do contexto vivido por ele. Munch que nasceu em Loten, na Noruega, aos doze de dezembro de mil oitocentos e sessenta e tr\u00eas. Teve tr\u00eas irm\u00e3s, sendo elas: Sophie, Laura e Inger, e um irm\u00e3o, Andreas. Quando completou seu primeiro ano, a fam\u00edlia mudou-se para Christiania, atualmente Oslo. Desde cedo, aos seus sete anos, j\u00e1 manifesta talento e interesse pela arte. Em seu pr\u00f3prio di\u00e1rio, ele manifesta essa paix\u00e3o pelos desenhos que costumava fazer nas receitas m\u00e9dicas de seu pai, utilizando o carv\u00e3o como instrumento.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Eu ainda me lembro de estar deitado no ch\u00e3o, quando tinha sete anos de idade, e desenhar com um peda\u00e7o de carv\u00e3o pessoas cegas [&#8230;] desenhos de grande formato. Lembro o prazer que tinha no trabalho e como sentia de longe mais energia na minha m\u00e3o do que quando desenhava no verso das receitas de meu pai. (MUNCH apud BISCHOFF, 2006, p. 8)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante \u00e0s adversidades que a vida oferece a todas as fam\u00edlias, a de Munch sofreu a perda de sua m\u00e3e e sua irm\u00e3 Sophie de tuberculose quando ele ainda era jovem. Al\u00e9m disso, problemas de sa\u00fade, como a depress\u00e3o, se fizeram presentes durante toda a vida do pintor. Esses sentimentos n\u00e3o o impediram de seguir o caminho das artes, pelo contr\u00e1rio, serviram de \u201cpontap\u00e9\u201d, de impulso, uma vez que esses sentimentos s\u00e3o expressos em sua arte (BEZERRA, 2009, p. 3).<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua obra mais conhecida, <em>O grito<\/em>, cujo primeiro exemplar data do ano de 1893, a express\u00e3o dos sentimentos do artista pode ser facilmente evidenciada. Possuindo em torno de 91 x 74 cm, o primeiro exemplar \u00e9 feito em \u00f3leo. Percebe-se na gravura a exist\u00eancia de um ser em primeiro plano e outros dois seres, os quais n\u00e3o podem ser definidos sendo homens ou mulheres, em uma ponte, e ao fundo um p\u00f4r do sol em que as cores muito chamam a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra \u00e9 retratada sobre uma ponte que se \u201cmant\u00e9m reta, numa linha diagonal que come\u00e7a no canto inferior direito e segue at\u00e9 a parte superior esquerda do quadro\u201d (BEZERRA, 2009, p. 3). Nesse local se encontram tr\u00eas seres, sendo um em uma maior dimens\u00e3o, dando a ideia de proximidade, e dois de tamanho menor, aparentando certo distanciamento. O posicionamento dos seres d\u00e1 \u00e0 obra, de certo modo, a impress\u00e3o de profundidade criada com a perspectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ser encontra-se em destaque na obra. Com o olhar fixo no expectador, com os olhos e boca bem arregalados, com as m\u00e3os em seu rosto, portando vestes largas e de cor bem escura, sendo tamb\u00e9m calvo e magro, esse ser causa grande estranhamento \u00e0queles que se defrontam com a obra. Ademais, de forma at\u00edpica, \u00e9 percept\u00edvel na pintura deforma\u00e7\u00f5es no corpo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Vemos no primeiro plano um corpo sinuosamente deformado. Seu rosto em forma de uma p\u00eara invertida e sem cabelos, as duas m\u00e3os apertando as faces e tapando as orelhas, apresenta um aspecto cadav\u00e9rico. Uma elipse mais escura ocupa violentamente o lugar da boca, o nariz s\u00e3o dois pontos escuros enquanto que os olhos s\u00e3o apenas sugeridos em cor um pouco mais clara que o ocre esverdeado que domina o rosto (MENEZES, 1993, p. 81).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os dois seres presentes sobre a ponte, vis\u00edveis pelas costas, portam roupas escuras e encontram-se de forma indiferente em rela\u00e7\u00e3o ao ser calvo que se encontra \u00e0 frente. \u201cNos v\u00e1rios textos e vers\u00f5es de <em>O Grito<\/em>, Munch expressou sua sensa\u00e7\u00e3o de isolamento ao enfatizar a dist\u00e2ncia que o separava de seus dois amigos, que continuavam a andar, n\u00e3o afetados pelo seu dist\u00farbio interno\u201d (TORJUSEN, 1989, p. 39).<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao panorama de fundo, o c\u00e9u \u00e9 retratado com cores avermelhadas, lembrando a cor de sangue e este espa\u00e7o ganha a vez devido a essa presen\u00e7a forte das cores.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Este c\u00e9u \u00e9 vermelho cor de sangue, entremeado por alguns amarelos e verdes, onde a vibra\u00e7\u00e3o das cores quase puras que se contrastam refor\u00e7a, ainda mais, a vibra\u00e7\u00e3o das ondas desenhadas que dominam este espa\u00e7o. O fiorde, a terra e a vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e3o pintadas em azuis, verdes e marrons, mais fortes e claros nas t\u00eamperas, mais esmaecidos no \u00f3leo e no cart\u00e3o (l\u00e1pis). (MENEZES, 1993, p. 81)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Diante das descri\u00e7\u00f5es da obra, pode-se perceber claramente como o autor expressa seus sentimentos atrav\u00e9s dos seus tra\u00e7os art\u00edsticos. H\u00e1 claramente uma comunica\u00e7\u00e3o entre aquilo que \u00e9 subjetivo ao autor e a sua produ\u00e7\u00e3o. Suas obras possuem caracter\u00edsticas singulares, que falam e expressam v\u00e1rios sentimentos e temas existenciais como vida, morte, desespero. Sabe-se que para ele \u201c[&#8230;] uma obra de arte s\u00f3 pode provir do interior do homem\u201d (MUNCH, 1988 apud MENEZES, 1993, p.73)<\/p>\n\n\n\n<p>As cores fortes, os tra\u00e7os robustos e as distor\u00e7\u00f5es nas formas, al\u00e9m do como s\u00e3o apresentadas as figura\u00e7\u00f5es, causam no receptor uma experi\u00eancia subjetiva, atrav\u00e9s de um turbilh\u00e3o de sentimentos. Em um primeiro momento, o receptor choca-se com a express\u00e3o do ser que toma destaque na ilustra\u00e7\u00e3o. A constante vibra\u00e7\u00e3o e tens\u00e3o produzida, diz muito sobre o que tamb\u00e9m pode estar presente no interior desse ser identific\u00e1vel: \u201cTudo vibra como em conson\u00e2ncia com um grito abissal que pareceria provir das profundezas do homem\u201d (MENEZES, 1993, p. 81).<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu di\u00e1rio, Edvard Munch, apresenta aquilo que poderia ter, segundo Bischoff (2006), impulsionado a produ\u00e7\u00e3o dessa obra:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Estava a passear c\u00e1 fora com dois amigos, e o sol come\u00e7ava a p\u00f4r-se \u2013 de repente o c\u00e9u ficou vermelho, cor de sangue \u2013 parei, sentia-me exausto e apoiei-me em uma cerca \u2013 havia um sangue e l\u00ednguas de fogo por cima do fiorde azul-escuro e da cidade \u2013 os meus amigos continuaram a andar e ali fiquei, de p\u00e9, a tremer de medo \u2013 e senti um grito infind\u00e1vel a atravessar a Natureza (MUNCH, apud &nbsp;BISCHOFF, 2006, p. 53).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Deste modo, com a obra <em>O Grito,<\/em> percebe-se fortemente como a influ\u00eancia do movimento expressionista se encontra presente na elabora\u00e7\u00e3o da obra, uma vez que h\u00e1 certa materializa\u00e7\u00e3o dos sentimentos do autor e fomenta uma vis\u00e3o subjetiva a partir do choque causado ao receptor. Ao deixar vir \u00e0 tona seus sentimentos e expressar sua liberdade art\u00edstica, o artista, de forma clara, evidencia sua autonomia est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Por meio da abordagem do presente trabalho, percebe-se que as rupturas, as diversas transforma\u00e7\u00f5es e fragmenta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas e metodol\u00f3gicas que tomaram o mundo e principalmente a Europa no findar do s\u00e9c. XIX e inicio do s\u00e9c. XX tiveram grande influ\u00eancia no surgimento e na caracteriza\u00e7\u00e3o dos movimentos de vanguarda. Al\u00e9m disso, percebe-se essas modifica\u00e7\u00f5es expressas nas produ\u00e7\u00f5es expressionistas, incluindo a obra \u201c<em>O Grito\u201d<\/em> de Edvard Munch.<\/p>\n\n\n\n<p>O estranhamento e choque produzidos pela obra, principal impulso para a elabora\u00e7\u00e3o da pesquisa, podem ser diretamente relacionados ao movimento art\u00edstico no qual o criador e sua obra se inserem. Ver o modo com que as problem\u00e1ticas hist\u00f3ricas, principalmente a fragmenta\u00e7\u00e3o, influenciam em todos os \u00e2mbitos de produ\u00e7\u00e3o, inclusive art\u00edstico, foi de grande relev\u00e2ncia. Ademais, perceber certa valoriza\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias presentes em cada sujeito, seja o artista e ou receptor, na significa\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 um importante passo na cria\u00e7\u00e3o de uma autonomia est\u00e9tica e emancipa\u00e7\u00e3o art\u00edstica desvinculada de valores e signos transcendentes a obra e seu idealizador.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFER\u00caNCIA BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias prim\u00e1rias:<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>BEZERRA, Alessandro Paciello de Castro. <em>O grito e o mundo contempor\u00e2neo: <\/em>de Munch aos Emos. 2009. 15 f. Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; X Congresso de Ci\u00eancias das Comunica\u00e7\u00e3o na Regi\u00e3o Sul &nbsp; Blumenau. 28 a 30 de maio de 2009.&nbsp; Disponivel em: &lt;http:\/\/www.intercom.org.br\/papers\/regionais\/sul2009\/resumos\/R16-0649-1.pdf&gt; Acesso em 06 de jun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>B\u00dcRGER, Peter. <em>Teoria da Vanguarda<\/em>. Trad. Jos\u00e9 Pedro Antunes. S\u00e3o Paulo: Cosac Naify, 2008;<\/p>\n\n\n\n<p>MENEZES, Paulo Roberto Arruda de. <em>A pintura tr\u00e1gica de Edvard Munc<\/em>h: <em>um ensaio sobre a pintura e as marteladas de Nietzsche<\/em>. <em>Tempo Social, <\/em>v.5, n 1 e 2<em>, <\/em>p. 67-111, S\u00e3o Paulo. Nov 1993. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/ts\/v5n1-2\/0103-2070-ts-05-02-0067.pdf&gt; Acesso em 04 de jun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>NOLETO, L. <em>Di\u00e1logos com o Expressionismo a partir de Adorno e Benjamin<\/em>. P\u00f3lemos,&nbsp; Bras\u00edlia, v. 1, n. 2, p. 142-158, dez. 2012.&nbsp; Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/polemos\/article\/view\/11534\/10150&gt; Acesso em 14 de abr. 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias Secund\u00e1rias:<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>BEHR, Shulamith. <em>Expressionismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cosac e Naify. 2000<\/p>\n\n\n\n<p>BISCHOFF. Ulrich.<em> Edvard Munch: Imagens de vida e de morte<\/em>. S\u00e3o Paulo:&nbsp; Paisagem, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>MARTINS, Simone R.; IMBROISI, Margaret H. <em>Impressionismo<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.historiadasartes.com\/nomundo\/arte-seculo-19\/impressionismo\/&gt;. Acesso em 02 de jun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>O GRITO- Edvard Munch. In: Arte e Artistas. Jan. 2019. Dispon\u00edvel em:&lt;https:\/\/arteeartistas.com.br\/o-grito-edvard-munch\/&gt;&nbsp; Acesso em 04 de jun. 2020<\/p>\n\n\n\n<p>SEPE, Fernando. <em>A teoria da vanguarda de Peter B\u00fcrger<\/em>. Exagium,Ouro Preto, 11 ed., p. 45-55, Jun. 2013. Disponivel em &lt;www.revistaexagium.ufop.br&gt;&nbsp; Acesso em 14 de abr. 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>TORJUSEN, Bente. (1989) <em>Words and images of Edvard Munch<\/em>. London, Thames and Hudson, Ltda. (BEHR, 2000:7).<\/p>\n\n\n\n<p>VANGUARDAS EUROP\u00c9IAS. In: Mundo da Educa\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/literatura\/vanguardas-europeias.htm&gt;. Acesso em 02 de jun. 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> MARTINS, Simone R.; IMBROISI, Margaret H. <em>Impressionismo<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.historiadasartes.com\/nomundo\/arte-seculo-19\/impressionismo\/&gt;. Acesso em 02 de jun. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Refere-se propriamente aos artistas desse per\u00edodo da vanguarda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"520\" height=\"673\" src=\"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2805\" srcset=\"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image.png 520w, https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/image-232x300.png 232w\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><em>O Grito<\/em>, Edvard Munch (1893).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Victor Ferreira Santos Mateus Lopes de Carvalho INTRODU\u00c7\u00c3O No decorrer da hist\u00f3ria, a quebra de paradigmas, desconstru\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de conceitos, mudan\u00e7as de metodologia, sempre fizeram parte da constitui\u00e7\u00e3o da sociedade em todos os seus \u00e2mbitos. Com o findar do s\u00e9culo XIX e a chegada do s\u00e9culo XX n\u00e3o poderia ser diferente: d\u00edspares transforma\u00e7\u00f5es &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[555,556,1],"tags":[],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2804","6":"format-standard","7":"category-jose-victor-ferreira-snatos","8":"category-mateus-lopes-de-carvalho","9":"category-uncategorized"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2804"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2804\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2812,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2804\/revisions\/2812"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}