{"id":2807,"date":"2020-09-17T21:11:06","date_gmt":"2020-09-18T00:11:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2807"},"modified":"2020-09-17T21:25:38","modified_gmt":"2020-09-18T00:25:38","slug":"a-interpretacao-aristotelica-sobre-a-ideia-do-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2807","title":{"rendered":"A INTERPRETA\u00c7\u00c3O ARISTOT\u00c9LICA SOBRE A IDEIA DO BEM"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Lucas Vilela Gon\u00e7alves <a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A ideia do Bem em Arist\u00f3teles<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre a Ideia do Bem \u00e9 bastante recorrente na filosofia grega e encontra grande import\u00e2ncia em dois dos maiores fil\u00f3sofos do per\u00edodo, Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, sendo que esses dois expoentes apresentam essa tem\u00e1tica de modos diferentes. Nesse primeiro momento, o foco estar\u00e1 apenas na descri\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica dessa teoria, diferentemente de seu mestre, que apresentava a ideia do bem como \u201ca mais elevada das ci\u00eancias\u201d (PLAT\u00c3O, <em>A rep\u00fablica<\/em>, VI, 505a), a partir do mundo intelig\u00edvel. Arist\u00f3teles ao escrever sobre \u00e0 ideia do Bem ir\u00e1, sob alguns aspectos, descrev\u00ea-la em conson\u00e2ncia com Plat\u00e3o, mas em outros pontos os mesmos ir\u00e3o divergir sobre essa teoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por existir tais diferen\u00e7as somos inicialmente levados a crer que os pensadores divergem totalmente sobre essa teoria, entretanto existem pontos em que Arist\u00f3teles concorda com seu mestre, os quais se d\u00e1 pela compreens\u00e3o do Bem como sendo o primeiro princ\u00edpio, ou em outras palavras, como o ser mais elevado ou ent\u00e3o o bem absoluto. A partir dessa defini\u00e7\u00e3o o Estagirita apresenta o Bem como um predicado da subst\u00e2ncia, como encontramos na seguinte cita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Mas o<em> bem<\/em> \u00e9 predicado igualmente nas categorias de <em>subst\u00e2ncia<\/em>, de <em>qualidade<\/em> e de <em>rela\u00e7\u00e3o<\/em>. O absoluto, ou subst\u00e2ncia, \u00e9 anterior naturalmente \u00e0 <em>rela\u00e7\u00e3o<\/em> [&#8230;] de maneira que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel haver uma Ideia comum correspondente aos bens. Ademais, observa-se o uso da palavra <em>bom<\/em> em tantos sentidos quanto a palavra \u00e9 [&#8230;]. Est\u00e1 claro que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o <em>bem<\/em> seja algo comum, uno e sua predica\u00e7\u00e3o universal, pois nesse caso n\u00e3o seria predic\u00e1vel em todas as categorias, restringindo-se a uma apenas (ARIST\u00d3TELES, EN<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>, I, 1, 1096a, 18-29). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com tais palavras \u00e9 poss\u00edvel compreendermos um pouco da analogia que o Estagirita faz da ideia do Bem com as categorias descritas por ele na <em>Metaf\u00edsica<\/em>, na qual o nosso fil\u00f3sofo demonstra que o Bem est\u00e1 presente em todas as categorias e n\u00e3o apenas em uma, se assim fosse, ter\u00edamos que afirmar o Bem como sendo \u00fanico, fator que n\u00e3o \u00e9 encontrado na filosofia do Estagirita. Arist\u00f3teles para fortalecer seu argumento equipara os termos Bem e Ser e afirma que este \u00faltimo est\u00e1 presente de forma igualit\u00e1ria em todas as categorias, para assim fortalecer a ideia de que o Bem se encontra em ambas categorias. A partir disso, o Estagirita chega a duas constata\u00e7\u00f5es a respeito dessa ideia: na primeira delas ele afirma que se o Bem pode ser considerado como uma categoria da subst\u00e2ncia, ele est\u00e1 ent\u00e3o presente no modo de agir do homem de modo insepar\u00e1vel, sendo assim o homem tem por meta de toda sua a\u00e7\u00e3o o Bem.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda constata\u00e7\u00e3o parte da observa\u00e7\u00e3o de que se pode encontrar o Bem de um modo singular em cada pessoa e de igual modo na cidade. Vale ressaltar que em ambos os casos se trata do mesmo Bem, entretanto o Bem praticado na cidade \u00e9 considerado mais nobre pelo Estagirita, sendo assim, dentro da teoria aristot\u00e9lica sobre o bem, podemos afirmar que o Bem praticado na cidade \u00e9 mais virtuoso do que no indiv\u00edduo, tal constata\u00e7\u00e3o \u00e9 assim afirmada pelo nosso filosofo em sua obra:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Sua finalidade ter\u00e1 que incluir as finalidades de todas as demais. Determina-se, com isso, ser o <em>bem humano<\/em> a sua finalidade, pois a despeito de o bem ser id\u00eantico para o indiv\u00edduo e para o Estado, o do Estado \u00e9 visivelmente maior e mais perfeito, seja a t\u00edtulo de meta, seja como objeto de preserva\u00e7\u00e3o. Assegurar o bem de um indiv\u00edduo apenas \u00e9 algo desej\u00e1vel; por\u00e9m, assegura-lo para uma na\u00e7\u00e3o ou um Estado \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o mais nobre e mais divina (ARIST\u00d3TELES, <em>EN<\/em>, I, 2, 1094b, 6-12).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas por que Arist\u00f3teles afirma que o bem praticado na cidade \u00e9 superior ao bem no indiv\u00edduo? Uma poss\u00edvel resposta est\u00e1 na compreens\u00e3o aristot\u00e9lica do ser humano como <em>zoon politicon<\/em>, ou seja, um animal pol\u00edtico. Com esse termo Arist\u00f3teles afirma que o homem \u00e9 um ser aberto para rela\u00e7\u00f5es pessoais e n\u00e3o individualista, sendo assim o bem praticado na cidade se torna mais nobre porque atinge toda a sociedade com a qual o homem se relaciona e desenvolve toda sua potencialidade, seja ela racional, pr\u00e1tica, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua obra <em>\u00c9tica a Nic\u00f4maco<\/em>, Arist\u00f3teles traz ainda a constata\u00e7\u00e3o de que o Bem pode tamb\u00e9m ser considerado como sendo o fim \u00faltimo para o qual o homem dirige suas a\u00e7\u00f5es. Logo nas primeiras linhas da obra ele afirma: \u201cToda arte, toda investiga\u00e7\u00e3o e igualmente toda a\u00e7\u00e3o e projeto previamente deliberado parecem objetivar algum bem. Por isso se tem dito, com raz\u00e3o, ser o bem a finalidade de todas as coisas\u201d (ARIST\u00d3TELES, <em>EN<\/em>, I, 1, 1094a, 1-3). Sendo assim pode-se dizer que em todas as suas a\u00e7\u00f5es o homem busca atingir a sua meta: o bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, percebe-se certa rela\u00e7\u00e3o que o Estagirita faz da ideia do Bem com a tem\u00e1tica da <em>eudaimonia<\/em>, que para o nosso fil\u00f3sofo \u00e9 o fim \u00faltimo do homem, o qual pode ser compreendido como felicidade. Sob esse ponto de vista ent\u00e3o, pode-se fazer uma rela\u00e7\u00e3o entre a ideia do Bem e a felicidade, que na nossa interpreta\u00e7\u00e3o podem ser consideradas pelo menos semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda discorrendo sobre a cita\u00e7\u00e3o trazida acima, a partir da afirma\u00e7\u00e3o de Arist\u00f3teles de que o Bem \u00e9 o fim para o qual todas as coisas se dirigem, pode-se compreender esse Bem de duas maneiras:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Arist\u00f3teles indica que h\u00e1 dois tipos de fim para a a\u00e7\u00e3o: o <em>telos<\/em> (fim) por ser, ele pr\u00f3prio, uma <em>energeia<\/em> (atividades, <em>activitas<\/em>, como no agir \u00e9tico, mas tamb\u00e9m em atividades como tocar flauta) ou pode ser o <em>ergon<\/em> (obra, resultado, produto) de uma a\u00e7\u00e3o [&#8230;] O fato de, em 1094a3-6, Arist\u00f3teles colocar em jogo a express\u00e3o \u201cfim\u201d, tamb\u00e9m poderia nos servir de indica\u00e7\u00e3o para o significado que se est\u00e1 buscando para a palavra \u201cbem\u201d (bom) na passagem inicial (WOLF, 2010, p.23).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;Dando sequ\u00eancia a essa reflex\u00e3o, Wolf aponta dois modos que Arist\u00f3teles traz o termo \u201cBem\u201d, o qual surge em um primeiro momento como sendo apenas um bem, e em um segundo momento o nosso fil\u00f3sofo associa a esse bem a ideia de fim, e assim sendo \u201ca express\u00e3o \u2018um bem\u2019 deveria indicar o fim de cada a\u00e7\u00e3o ou o objeto de uma aspira\u00e7\u00e3o\u201d (WOLF, 2010, p.23).<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o existente entre o Bem e a <em>eudaimonia<\/em> tamb\u00e9m \u00e9 abordada pelo nosso fil\u00f3sofo em sua obra <em>\u00c9tica a Nic\u00f4maco<\/em>, conforme vemos na seguinte cita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No tocante \u00e0 palavra, \u00e9 de se afirmar que a maioria esmagadora est\u00e1 de acordo no que tange a isso, pois tanto a multid\u00e3o quanto as pessoas refinadas a ela se referem como a felicidade, identificando <em>o viver bem<\/em> [&#8230;]com o<em> ser feliz<\/em>. Mas quanto ao que \u00e9 a felicidade a mat\u00e9ria \u00e9 pol\u00eamica, e o que entende por ela a multid\u00e3o n\u00e3o corresponde ao entendimento do s\u00e1bio e sua avalia\u00e7\u00e3o (ARIST\u00d3TELES, I, 4, 1095a, 18-21).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sendo assim, ao se relacionar o bem com a felicidade temos por consequ\u00eancia a uma afirma\u00e7\u00e3o de que para que se possa ser feliz deve-se buscar viver bem e basear nossas a\u00e7\u00f5es nas coisas que de fato s\u00e3o boas. Nesse sentido podemos afirmar que o Bem \u00e9 um fator necess\u00e1rio para que o homem alcance a felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o ao que apresentamos entre a ideia do bem e a <em>eudaimonia<\/em>, comumente entendida como felicidade, fica mais clara ao analisarmos este termo pelo seu significado real a partir do momento que notamos a tradu\u00e7\u00e3o dos radicais que a comp\u00f5e. Conforme apresenta Wolf: \u201cA explica\u00e7\u00e3o que Arist\u00f3teles apresenta logo a seguir esclarece o significado de <em>eudaimonia<\/em>. Trata-se, segundo ele, do eu zen kai prattein [&#8230;], o \u2018viver bem e agir bem\u2019\u201d (2010, p.28).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa exposi\u00e7\u00e3o, podemos perceber que o \u201cser\u201d, e por analogia \u201ca ideia do Bem\u201d, pode ser dito e entendido de diferentes maneiras na filosofia aristot\u00e9lica, por\u00e9m isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se houver um par\u00e2metro de unidade e uma realidade determinada. Para que tais pr\u00e9-requisitos possam existir, o nosso fil\u00f3sofo afirma que deve tamb\u00e9m haver uma ci\u00eancia que garanta tal unidade, a qual se deu o nome de \u00e9tica, conforme podemos notar na cita\u00e7\u00e3o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>[&#8230;] pode-se afirmar que o Bem se diz de v\u00e1rios modos, assim como o ser tamb\u00e9m se diz de v\u00e1rios modos. No entanto, \u00e9 preciso estar atento, pois, a modo aristot\u00e9lico, o ser se diz de v\u00e1rios modos, \u201cmas sempre em refer\u00eancia a uma unidade e a uma realidade determinada\u201d. Neste sentido, em rela\u00e7\u00e3o ao Bem, qual seria o ponto de unidade? Ora, para afirmar tal unidade n\u00e3o seria necess\u00e1rio recorrer tamb\u00e9m a uma ci\u00eancia \u201carquitet\u00f4nica\u201d que comanda todas as outras ci\u00eancias? Esta \u201carquitet\u00f4nica\u201d sugere o entendimento da \u00e9tica como filosofia primeira\u201d (MELO, 2018, p.106).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o entre a ideia do Bem com a \u00e9tica, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m entender uma liga\u00e7\u00e3o entre \u00e9tica e metafisica. Ambas as ci\u00eancias podem ser consideradas como respons\u00e1veis por garantir essa \u201carquitetura\u201d de unidade a partir da ideia do Bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, podemos afirmar que em Arist\u00f3teles todas as a\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o determinadas por uma reta raz\u00e3o e de igual modo por virtudes metaf\u00edsicas e pr\u00e1ticas, visto que a ideia do Bem se relaciona com a \u00e9tica \u2013 modo de agir do homem \u2013 e tamb\u00e9m com a metaf\u00edsica. Essa liga\u00e7\u00e3o pode ser notada em resumo quando entendemos a ideia do Bem como sendo predicada do ser, assim se ligando com a metafisica, e enquanto entendemos o Bem como o \u201cfim \u00faltimo\u201d de todas as coisas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Diferen\u00e7as entre a tese plat\u00f4nica e a aristot\u00e9lica<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s ter-se destacado o modo como Arist\u00f3teles afirmou a ideia do Bem, partir-se-\u00e1 nesse momento a destacar as diferen\u00e7as existentes entre a teoria do Estagirita e a de seu mestre sobre o Bem. Conforme dito no in\u00edcio deste artigo, \u00e9 poss\u00edvel encontrar pontos em que eles aparentam concordar e em outros nos quais mestre e disc\u00edpulo est\u00e3o indo por caminhos diferentes e \u00e9 sobre estes que buscaremos abordar nesse t\u00f3pico.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo fato de existir pontos em comum e outros divergentes entre as teorias supracitadas, nota-se uma maior complexidade na tem\u00e1tica em quest\u00e3o. Primeiro abordaremos de forma breve os dois pontos encontrados nesta pesquisa em que se pode afirmar certa proximidade entre as teorias aristot\u00e9lica e plat\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira delas, j\u00e1 abordada no in\u00edcio do primeiro t\u00f3pico, diz que \u201co Bem parece n\u00e3o ser diferente do pr\u00f3prio \u2018ser\u2019, a ponto de se poder afirmar que o primeiro princ\u00edpio \u00e9 tanto o ser mais elevado quanto o bem absoluto\u201d (MELO, 2018, p.105), e a segunda afirma\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica a qual diz que o Bem \u00e9 um princ\u00edpio absoluto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 poss\u00edvel encontrar outros pontos, nos quais eles divergem sobre a ideia do Bem. Para compreend\u00ea-los faz-se necess\u00e1rio recordar que o foco de Plat\u00e3o em sua filosofia est\u00e1 no que ele chamou de \u201cmundo intelig\u00edvel\u201d ou \u201cmundo das ideias\u201d e j\u00e1 o foco aristot\u00e9lico se encontra no \u201cmundo sens\u00edvel\u201d \u2013 em sua filosofia pr\u00e1tica, fator que certamente influenciou nas diferen\u00e7as que abordaremos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Plat\u00e3o o Bem est\u00e1 \u201cal\u00e9m\u201d ou separado da ess\u00eancia, enquanto em Arist\u00f3teles o Bem \u00e9 uma categoria da subst\u00e2ncia, ao menos no que diz respeito \u00e0 filosofia teor\u00e9tica, visto que em sua filosofia pr\u00e1tica h\u00e1 uma outra interpreta\u00e7\u00e3o. Um outro fator de diverg\u00eancia encontrado \u00e9 assim descrito por D. S. Hutchinson (2015, p. 262-263):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Arist\u00f3teles concentra-se naquilo que os homens s\u00e3o capazes de alcan\u00e7ar, e uma coisa abstrata como a Ideia do Bem n\u00e3o \u00e9 algo que podemos alcan\u00e7ar. Mas um conhecimento da Ideia do Bem n\u00e3o nos ajudaria a compreender que bens s\u00e3o dignos de ser alcan\u00e7ados? [&#8230;] Os bens que s\u00e3o relevantes para a investiga\u00e7\u00e3o de Arist\u00f3teles s\u00e3o os objetivos perseguidos pela \u2018pol\u00edtica\u2019, \u2018economia\u2019 e \u2018sabedoria\u2019, as habilidades deliberativas exigidas de um homem que deve ser respons\u00e1vel por uma comunidade pol\u00edtica, uma casa, ou si mesmo.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A partir dessa cita\u00e7\u00e3o acima \u00e9 poss\u00edvel notar que, enquanto em Plat\u00e3o a Ideia do Bem est\u00e1 no mundo intelig\u00edvel (ou mundo das ideias), mas com implica\u00e7\u00f5es do mesmo na vida pr\u00e1tica da polis, em Arist\u00f3teles o Bem encontra-se no mundo sens\u00edvel, \u201cimanente\u201d no agir humano. Sendo assim, em s\u00edntese, podemos afirmar a diferen\u00e7a entre as teorias plat\u00f4nica e aristot\u00e9lica sobre a Ideia do Bem, a partir da afirma\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica de que o bem n\u00e3o possui um lugar privilegiado e pela teoria do nosso fil\u00f3sofo de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar a exist\u00eancia de uma forma \u00fanica do bem para todas as coisas existentes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A partir dos argumentos supracitados, nota-se que a ideia do Bem em Arist\u00f3teles e em Plat\u00e3o tem pontos concordante e divergentes. Como vimos, para o Estagirita o Bem pode ser considerado de duas maneiras principais, a primeira, que se relaciona com a metaf\u00edsica, sendo considerado como um predicado do ser, motivo pelo qual ele n\u00e3o \u00e9 apontado como \u00fanico fim para todas as coisas. Uma segunda maneira, permite associar a ideia aristot\u00e9lica do Bem com a \u00e9tica, na qual o Bem \u00e9 interpretado como finalidade, ou seja, com o fim para o qual todas as coisas tendem. Neste sentido, \u00e9 tamb\u00e9m poss\u00edvel destacar pontos em que Arist\u00f3teles tende a concordar com seu mestre e outros nos quais eles se divergem. Dentre os pontos em comum, pode-se destacar, a afirma\u00e7\u00e3o de que o Bem pode ser compreendido como o Bem absoluto ou como o \u201cprimeiro princ\u00edpio\u201d. E entre os aspectos em que eles se divergem nessa teoria, pode-se destacar o fato de que Arist\u00f3teles n\u00e3o afirma a exist\u00eancia de um local privilegiado para o Bem e tamb\u00e9m que o Bem n\u00e3o est\u00e1 no mundo transcendental, ou das Ideias, ou ainda no mundo meramente intelig\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>ARIST\u00d3TELES. <em>\u00c9tica a Nic\u00f4maco<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Edson Bini. 4\u00aa Edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Edipro, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>HUTCHINSON, D. S. \u00c9tica. In: BAARNES, Jonathan (org.) <em>Arist\u00f3teles. <\/em>S\u00e3o Paulo: Ideias e Letras, 2015, p. 255-298.<\/p>\n\n\n\n<p>MELO, Edvaldo Ant\u00f4nio de. <em>Por uma sensibilidade al\u00e9m da ess\u00eancia: <\/em>L\u00e9vinas interpela Plat\u00e3o<em>.<\/em> Roma: Pontif\u00edcia Universidade Gregoriana, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>PAVIANI, Jaime. A ideia do bem em Plat\u00e3o. <em>Conjectura<\/em>, Caxias do Sul, v. 17, n.1 p. 75-77, jan.\/abr. 2002. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.ucs.br\/etc\/revistas\/index.php\/conjectura\/article\/viewFile\/1527\/989&gt;. Acesso em: 20 ago. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>PLAT\u00c3O. <em>A rep\u00fablica<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o Enrico Corvisieri. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1999;<\/p>\n\n\n\n<p>WOLF, Ursula. <em>A \u00c9tica a Nic\u00f4maco de Arist\u00f3teles.<\/em> Tradu\u00e7\u00e3o Enio Paulo Giachini. S\u00e3o Paulo Loyola, 2010.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> EN = <em>\u00c9tica a Nic\u00f4maco<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Graduando em Filosofia pela Faculdade Dom Luciano Mendes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Vilela Gon\u00e7alves [1] A ideia do Bem em Arist\u00f3teles A discuss\u00e3o sobre a Ideia do Bem \u00e9 bastante recorrente na filosofia grega e encontra grande import\u00e2ncia em dois dos maiores fil\u00f3sofos do per\u00edodo, Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, sendo que esses dois expoentes apresentam essa tem\u00e1tica de modos diferentes. 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