{"id":2892,"date":"2024-02-26T17:41:22","date_gmt":"2024-02-26T20:41:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2892"},"modified":"2024-02-26T17:42:11","modified_gmt":"2024-02-26T20:42:11","slug":"o-horizonte-filosofico-de-tomas-de-aquino-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2892","title":{"rendered":"O HORIZONTE FILOS\u00d3FICO DE TOM\u00c1S DE AQUINO NO S\u00c9CULO XXI"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><strong>Marlon Ramos Rocha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo<\/strong>: Henrique Claudio de Lima Vaz, pensador brasileiro e contempor\u00e2neo, destaca a import\u00e2ncia de buscar compreender a presen\u00e7a de Santo Tom\u00e1s de Aquino no s\u00e9culo XXI. Sendo assim, neste <em>paper<\/em>, buscaremos compreender a import\u00e2ncia do Doutor Medieval que n\u00e3o foi s\u00f3 importante em sua \u00e9poca, mas que ainda traz pensamentos cruciais para a contemporaneidade. Destacaremos uma tentativa de esbo\u00e7o do pr\u00f3prio Lima Vaz na aurora do s\u00e9culo XXI, buscando um poss\u00edvel lugar de Doutor Ang\u00e9lico neste horizonte que desponta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Lima Vaz. Tom\u00e1s de Aquino. Horizonte. Cultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O horizonte da filosofia no s\u00e9culo XXI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No presente <em>paper<\/em> desenvolveremos as ideias de Tom\u00e1s de Aquino, atualizando-as para o presente em que vivemos. Para isso, fundamentaremos nosso texto com o aux\u00edlio e contribui\u00e7\u00e3o do pensamento de Padre Henrique Claudio de Lima Vaz. Assim, nossa reflex\u00e3o divide-se em tr\u00eas momentos, a saber: 1- Caminhos da filosofia de Tom\u00e1s de Aquino no mundo da cultura crist\u00e3 do s\u00e9culo XX; 2- Tentativa de esbo\u00e7o de horizonte filos\u00f3fico na aurora do s\u00e9culo XXI; 3- Um lugar poss\u00edvel para Tom\u00e1s de Aquino no horizonte filos\u00f3fico que se anuncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 preciso afirmar que S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, que \u00e9 muito importante para o mundo crist\u00e3o, marca toda uma \u00e9poca moderna crist\u00e3 que foi real\u00e7ada sobretudo no Concilio de Trento; sua proclama\u00e7\u00e3o como Doutor da Igreja por S\u00e3o Pio V em 1567 confirma tal fato. Atrav\u00e9s do novo ciclo da presen\u00e7a de Tom\u00e1s, assinalada no plano intelectual pela enc\u00edclica <em>Aeterni Patris (<\/em>1879), formou-se e fortaleceu-se na Igreja o movimento de ideias conhecido como <em>neo-escol\u00e1stica <\/em>(VAZ, 2002, p. 246).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Com efeito, a consigna de Le\u00e3o XIII havia sido <em>vetera novis augere et<\/em> <em>perficere<\/em> (aumentar e enriquecer o que \u00e9 antigo com o que \u00e9 novo), e ao novo tomismo cumpria em primeiro lugar, em for\u00e7a da sua pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser, apresentar-se como uma filosofia viva e com todos os t\u00edtulos de legitimidade exigidos pela cultura moderna. (VAZ, 2002, p. 246)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O <em>Tomismo <\/em>no s\u00e9culo XX v\u00ea-se diante de uma realidade avan\u00e7ada e \u00e9 confrontado com um pensamento filos\u00f3fico j\u00e1 constru\u00eddo no per\u00edodo da modernidade, rico de v\u00e1rias correntes filos\u00f3ficas e fundado sobre \u201cquest\u00f5es metodol\u00f3gicas, gnosiol\u00f3gicos, cr\u00edticos e metaf\u00edsicos&#8230;\u201d (VAZ, 2002, p. 247). Diante disso, surge uma quest\u00e3o para Vaz: Como o tomismo ir\u00e1 lidar com esses v\u00e1rios pensamentos e correntes presentes no s\u00e9culo XX? Perante o exposto, Lima Vaz exp\u00f5e tr\u00eas tend\u00eancias\/modelos propondo definir um lugar para a filosofia de Tom\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A primeira tend\u00eancia parte da convic\u00e7\u00e3o de que o predicado da verdade inerente ao pensamento tom\u00e1sico, restitu\u00eddo ao seu teor original e organizado segundo a ordem sistem\u00e1tica postulada pela raz\u00e3o moderna, assegura-lhe a \u00fanica forma de presen\u00e7a compat\u00edvel com a sua dignidade filos\u00f3fica: a presen\u00e7a trans-hist\u00f3rica de uma verdade elevada acima das vicissitudes dos tempos (VAZ, 2002, p. 247).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A segunda tend\u00eancia caracteriza-se por um senso mais agudo da hist\u00f3ria e pela consci\u00eancia de que a verdade do ensinamento tom\u00e1sico, que n\u00e3o \u00e9 posta em discuss\u00e3o, deve, no entanto, comprovar os seus t\u00edtulos de validez no confronto vivo com as ideias filos\u00f3ficas modernas (VAZ, 2002, p. 248).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesta segunda tend\u00eancia, Lima Vaz destaca 2 linhas que s\u00e3o muito importantes para que o pensamento de Tom\u00e1s se firme no horizonte do S\u00e9culo XX. A primeira linha \u00e9 o te\u00f3rico do pensamento de Tom\u00e1s, que \u00e9 transmitido pelas suas obras e pela tradi\u00e7\u00e3o dos grandes comentadores. A segunda linha \u00e9 a hist\u00f3rica que ir\u00e1 retomar o grande Doutor Medieval, trazendo temas dele para a realidade, mostrando a perfeita atualidade de suas obras.&nbsp; As duas linhas citadas acima s\u00e3o reafirmadas por dois nomes respeit\u00e1veis: Jacques Maritain (Linha te\u00f3rica) e Etienne Gilson (linha hist\u00f3rica) (VAZ, 2002, p. 248).<\/p>\n\n\n\n<p>Adentramos, por sim, na terceira tend\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A terceira tend\u00eancia \u00e9 a mais audaz e tamb\u00e9m a mais cheia de riscos, devendo fazer face ao enorme desafio te\u00f3rico de repensar doutrinas e conceitos pensados e formulados num mundo cultural j\u00e1 pertencente ao passado, cujos pressupostos e cuja evolu\u00e7\u00e3o intelectual se encontram frequentemente em franca oposi\u00e7\u00e3o ao primeiro (VAZ, 2002, p. 249).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com efeito, os tomistas tiveram que repensar um meio de inserir o pensamento Tom\u00e1sico no universo filos\u00f3fico da modernidade. Tal foi o sentido da releitura das teses de Tom\u00e1s, que era preciso de certa forma, estar em conson\u00e2ncia com tr\u00eas grandes fil\u00f3sofos do pensamento moderno, sendo eles:&nbsp; Descartes, Kant e Hegel. (VAZ, 2002, p. 249).<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, Vaz tentar\u00e1 expor a import\u00e2ncia do pensamento Tom\u00e1sico no s\u00e9culo XXI. Assim sendo, o autor diz que neste novo s\u00e9culo n\u00e3o haver\u00e1 grandes revolu\u00e7\u00f5es e rupturas profundas, como o plano cartesiano de Descartes, o pensamento Kantiano ou at\u00e9 mesmo a fenomenologia e da linguagem do s\u00e9culo XX. Dessa forma, ser\u00e3o temas mais significativos do pensamento filos\u00f3fico que permitir\u00e1 tra\u00e7ar linhas prov\u00e1veis do horizonte filos\u00f3fico do s\u00e9culo XXI. Trataremos de dois temas muito importantes para o horizonte do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro tema que acompanhar\u00e1 o relevo do s\u00e9culo XXI ser\u00e1 a \u201c<em>Rememora\u00e7\u00e3o <\/em>(traduzindo o termo hegeliano <em>Erinnerung) hist\u00f3rica, <\/em>tendo por objeto a pr\u00f3pria possibilidade e legitimidade do exerc\u00edcio do pensamento filos\u00f3fico ao longo do tempo.\u201d (VAZ, 2002, p. 251). Esse processo de <em>rememora\u00e7\u00e3o<\/em> faz parte da pr\u00e1tica do filosofar, tendo em vista a import\u00e2ncia da hist\u00f3ria da filosofia como um conhecimento genuinamente filos\u00f3fico.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O atual crescimento quantitativo e qualitativo da pesquisa hist\u00f3rica na atividade filos\u00f3fica e os m\u00faltiplos paradigmas que s\u00e3o propostos para uma renovada hermen\u00eautica dos grandes pensadores e das grandes \u00e9pocas da hist\u00f3ria da filosofia atestam a import\u00e2ncia e a eminente significa\u00e7\u00e3o da rememora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica na pr\u00e1tica da reflex\u00e3o filos\u00f3fica e s\u00e3o uma prova incontest\u00e1vel da necessidade da filosofia numa cultura como a nossa, que avan\u00e7ou t\u00e3o longe na rota da raz\u00e3o. (VAZ, 2002, p. 252)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Portanto, para Vaz, o primeiro tema important\u00edssimo \u00e9 o da <em>rememora\u00e7\u00e3o<\/em>, cuja inten\u00e7\u00e3o \u00e9 pensar a hist\u00f3ria da filosofia como elemento intr\u00ednseco da estrutura te\u00f3rica do filosofar. Depois de Hegel, essa dimens\u00e3o hist\u00f3rica cresce, descobrindo uma esp\u00e9cie de retorno reflexivo da filosofia sobre si mesma na sua realiza\u00e7\u00e3o do tempo. (VAZ, 2002, p. 252)<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo tema \u00e9 um extraordin\u00e1rio fen\u00f4meno de cultura, e mesmo de civiliza\u00e7\u00e3o. Sua origem remonta a mudan\u00e7a profunda nas estruturas de rela\u00e7\u00f5es humanas, ou nas chamadas <em>categoria de objetividade<\/em>, que teve lugar no s\u00e9culo XVII com o advento da nova ci\u00eancia galileiana da <em>natureza.<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Sabemos, no entanto, que \u00e9 na objetividade mundana que se d\u00e1 nosso primeiro encontro com o <em>ser<\/em> e tem lugar a experi\u00eancia decisiva da nossa <em>finitude<\/em> [&#8230;]. \u00c9 a nossa <em>finitude<\/em> que nos impele necessariamente na dire\u00e7\u00e3o do outro, e primeiramente do mundo, em cuja objetividade lan\u00e7amos a \u00e2ncora da nossa fr\u00e1gil subjetividade para nos constituirmos ontologicamente <em>seres-no-mundo<\/em>. (VAZ, 2002, p. 253-254).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro de uma transforma\u00e7\u00e3o profunda da objetividade mundana, que \u00e9 o pr\u00f3prio ser humano sujeito dessa \u201cMuta\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 refeito dentro do homem e ao redor dele o que chamamos de natureza, dando-lhe forma de <em>cultura. <\/em>A cultura ao longo da hist\u00f3ria mostrou que foi capaz de ir mudando e evoluindo. Com o advento e o predom\u00ednio da tecnoci\u00eancia, a transforma\u00e7\u00e3o cultural do ser humano passa por uma ruptura desses dois termos que at\u00e9 o presente momento eram mantidos pela sociedade, <em>natureza e a cultura. <\/em>Surge nesse processo de ruptura o termo <em>homem moderno<\/em> (VAZ, 2002, p. 254).<\/p>\n\n\n\n<p>Qual o perfil antropol\u00f3gico com que se apresentar\u00e1, no pr\u00f3ximo s\u00e9culo, esse <em>homem moderno<\/em>? Quer queiramos ou n\u00e3o, essa <em>forma <\/em>(a tecnoci\u00eancia) j\u00e1 opera e j\u00e1 remodela nosso mundo e nosso ser. A forma de existir sob essa forma, rege todos os campos da nossa atividade: o conhecimento, o agir \u00e9tico, o agir pol\u00edtico, a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, o trabalho (VAZ, 2002, p. 255).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A interroga\u00e7\u00e3o que aqui levantamos diz respeito \u00e0 aptid\u00e3o dessa forma de existir segundo a <em>norma rectris<\/em> da tecnoci\u00eancia para unificar e dar satisfa\u00e7\u00e3o a todas aquelas exig\u00eancias e tend\u00eancias que se manifestaram historicamente e se justificaram reflexivamente como constitutivas de uma aut\u00eantica exist\u00eancia humana. Poder\u00e1, por exemplo, a tecnoci\u00eancia acolher e explicar a intencionalidade profunda da experi\u00eancia religiosa e dar-lhe satisfa\u00e7\u00e3o? Poder\u00e1 transpor inteiramente para a sua esfera conceptual a vertente \u00e9tica da vida humana e dar raz\u00e3o plena do imenso fen\u00f4meno da experi\u00eancia moral da humanidade? (VAZ, 2002, p. 255)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sendo assim, surgem as problem\u00e1ticas acerca de um poss\u00edvel fim da metafisica, pois diante de uma realidade interna do ser, na qual a tecnoci\u00eancia n\u00e3o alcan\u00e7a, somente a metafisica pode explicar. Com efeito, a tecnoci\u00eancia \u00e9 quem rebate a ideia de uma natureza metafisica. Em uma vers\u00e3o Heideggeriana, ela \u00e9 a suced\u00e2nea legitima de uma metafisica que esgotou seu ciclo hist\u00f3rico, ou porque, em uma vers\u00e3o neopositivista, ela proporciona a prova do sem sentido (VAZ, 2002, p. 256).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, em terceiro lugar, Lima Vaz apresenta a seguinte problem\u00e1tica: Filosofia como hist\u00f3ria da filosofia e metaf\u00edsica: ser\u00e1 permitido prever, de alguma maneira, um lugar para Tom\u00e1s de Aquino fil\u00f3sofo num horizonte de ideias onde dominem os temas e problemas daquelas duas disciplinas filos\u00f3ficas (rememora\u00e7\u00e3o e cultura)? (VAZ, 2002, p. 258)<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura que cresce nesse per\u00edodo contempor\u00e2neo \u00e9 um dos desafios de arranjar uma cadeira filos\u00f3fica para Tom\u00e1s. Numa civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-religiosa come\u00e7a a crise da teologia. Nisso, Lima Vaz descreve a import\u00e2ncia fundamental da presen\u00e7a de Tom\u00e1s de Aquino nesse campo da teologia, na qual cada vez mais entra em crise e est\u00e1 a desagregar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>As ci\u00eancias humanas ou sociais n\u00e3o conseguiram, por raz\u00f5es inerentes a sua pr\u00f3pria natureza epistemol\u00f3gica, restituir \u00e0 teologia nem a sua dignidade de ci\u00eancia e sabedoria, nem alcan\u00e7ar-lhe a legitimidade pretendida no campo do saber moderno. (VAZ, 2002, p. 259)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como ent\u00e3o pensar uma atualidade do pensamento de Tom\u00e1s em vista de um futuro incerto da teologia? Isso se tornaria uma problem\u00e1tica?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, como j\u00e1 foi dito da import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o de Tom\u00e1s de Aquino com a hist\u00f3ria da filosofia, n\u00e3o se trata apenas de dados hist\u00f3ricos, mas propriamente filos\u00f3ficos. Ademais, surge a import\u00e2ncia tamb\u00e9m do processo de rememora\u00e7\u00e3o, como constitutiva do ato de pensar filos\u00f3fico. Estes dois pontos s\u00e3o linhas fundamentais a compor o horizonte filos\u00f3fico do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p>Vaz levanta algumas posi\u00e7\u00f5es importantes de Tom\u00e1s de Aquino escrita em seus livros e que marcaram a hist\u00f3ria da filosofia, e de certa forma, da teologia.<\/p>\n\n\n\n<p>a. Em primeiro lugar, a compreens\u00e3o entre o religioso e o racional ou, em categorias crist\u00e3s, entre a f\u00e9 e a raz\u00e3o, problema que remonta \u00e0s origens gregas da filosofia e o an\u00fancio crist\u00e3o (VAZ, 2002, p. 261).<\/p>\n\n\n\n<p>b. Em segundo lugar, a s\u00edntese, de decisiva significa\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria posterior das ideias, entre a gnosiologia plat\u00f4nica, herdada e repensada por Santo Agostinho, e a gnosiologia aristot\u00e9lica, estabelecendo a teoria do conhecimento sobre um fundamento metaf\u00edsico [&#8230;] (VAZ, 2002, p. 261).<\/p>\n\n\n\n<p>c. Em terceiro lugar, a concep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria a partir dos fundamentos metaf\u00edsicos da exist\u00eancia humana, numa vis\u00e3o poderosa e original que s\u00f3 encontra paralelo na articula\u00e7\u00e3o entre hist\u00f3ria e Sistema em Hegel (VAZ, 2002, p. 261).<\/p>\n\n\n\n<p>d. Finalmente, a obra mais famosa de Tom\u00e1s de Aquino, conhecida como <em>Suma teol\u00f3gica, <\/em>possui uma significa\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria espiritual do ocidente e universalmente reconhecida, na qual o Doutor Ang\u00e9lico empreende a integra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da \u00e9tica cl\u00e1ssica, herdada sobretudo de Arist\u00f3teles. (VAZ, 2002, p. 262)<\/p>\n\n\n\n<p>Num segundo momento, o autor vai defender a exist\u00eancia da metafisica a partir de teses escritas pelo Doutor Medieval. A primeira dessas teses est\u00e1 relacionada a <em>inteligibilidade<\/em> intr\u00ednseca do <em>existir (esse) <\/em>na sua natureza de <em>ato <\/em>primeiro e constitutivo da realidade <em>em-si <\/em>do <em>ser <\/em>e objeto pr\u00f3prio da metafisica enquanto ci\u00eancia. A afirma\u00e7\u00e3o da primazia do <em>existir <\/em>na ordem da <em>inteligibilidade<\/em> do ser, permite a Tom\u00e1s encontrar fundamento na obra dele intitulada <em>de ente et essentia. <\/em>Esta pequena obra, mas de um vasto saber, possui temas important\u00edssimos como, a transcend\u00eancia absoluta de Deus como Existir subsistente (Ipsum Esse subsistens) na perfeita identidade de ess\u00eancia e exist\u00eancia; a rela\u00e7\u00e3o de criaturalidade como rela\u00e7\u00e3o real de depend\u00eancia na ordem da <em>exist\u00eancia<\/em> e da <em>ess\u00eancia<\/em>; princ\u00edpios realmente distintos na constitui\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica do ser finito e, em consequ\u00eancia, a unidade de ordem no universo. (VAZ, 2002, p. 262-263)<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda tese estabelece-se no campo hoje conhecido como <em>metafisica do conhecimento. <\/em>\u201cTrata-se, em suma, de determinar, no curso da atividade intelectual, o ato espec\u00edfico pelo qual a nossa intelig\u00eancia afirma a inteligibilidade intr\u00ednseca do existir.\u201d (VAZ, 2002, p. 263). Santo Tom\u00e1s, relendo Bo\u00e9cio na obra <em>De Trinitate, <\/em>aponta que o lugar intelig\u00edvel do encontro entre a <em>intelig\u00eancia<\/em> e o <em>ser<\/em> na sua plenitude existencial, opera a <em>identidade, <\/em>na ordem <em>intencional, <\/em>entre o <em>sujeito<\/em> cognoscente e o <em>objeto <\/em>real conhecido.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Com efeito, a afirma\u00e7\u00e3o do <em>esse<\/em> (existir) no ju\u00edzo vai al\u00e9m necessariamente, no seu dinamismo intencional, da limita\u00e7\u00e3o <em>eid\u00e9tica<\/em> dos objetos finitos a que se aplica e, em virtude da limita\u00e7\u00e3o <em>t\u00e9tica<\/em> do pr\u00f3prio <em>ato<\/em> de afirma\u00e7\u00e3o, p\u00f5e inelutavelmente, como horizonte \u00faltimo n\u00e3o contemplado mas dialeticamente implicado, o <em>Existir<\/em> subsistente infinito na sua absoluta transcend\u00eancia, cuja exist\u00eancia, no \u00e2mbito da inteligibilidade anal\u00f3gica, ser\u00e1 formalmente demonstrada nas provas cl\u00e1ssicas da exist\u00eancia de Deus. (VAZ, 2002, p. 264)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim sendo, \u00e9 not\u00f3rio que o pensamento de Tom\u00e1s de Aquino n\u00e3o deixou de ser atual. As exposi\u00e7\u00f5es de Lima Vaz, enaltecem e reafirmam a sua import\u00e2ncia para o s\u00e9culo XXI, tanto no campo da filosofia como na teologia. O pr\u00f3prio termo rememora\u00e7\u00e3o, apresentado por Lima Vaz, ilumina a reflex\u00e3o acerca do pensamento tom\u00e1sico, ou seja, traz para a atualidade o que, num passado distante, surtira efeitos significativos na hist\u00f3ria da filosofia, neste caso, a filosofia medieval.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>VAZ, Henrique Cl\u00e1udio de Lima. <em>Escritos de Filosofia VII<\/em>: Ra\u00edzes da Modernidade. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marlon Ramos Rocha Resumo: Henrique Claudio de Lima Vaz, pensador brasileiro e contempor\u00e2neo, destaca a import\u00e2ncia de buscar compreender a presen\u00e7a de Santo Tom\u00e1s de Aquino no s\u00e9culo XXI. Sendo assim, neste paper, buscaremos compreender a import\u00e2ncia do Doutor Medieval que n\u00e3o foi s\u00f3 importante em sua \u00e9poca, mas que ainda traz pensamentos cruciais para &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[90,567,141],"tags":[],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2892","6":"format-standard","7":"category-lima-vaz","8":"category-marlon-ramos-da-rocha","9":"category-sao-tomas-de-aquino"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2892"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2892\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2899,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2892\/revisions\/2899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}