{"id":2900,"date":"2024-02-26T17:59:01","date_gmt":"2024-02-26T20:59:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2900"},"modified":"2024-02-26T17:59:01","modified_gmt":"2024-02-26T20:59:01","slug":"a-relacao-de-corpo-e-alma-como-dualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2900","title":{"rendered":"A RELA\u00c7\u00c3O DE CORPO E ALMA COMO DUALIDADE"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><strong>Robson Oliveira Teixeira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo: <\/strong>O presente artigo visa apresentar uma reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma, colocando em evid\u00eancia, a partir de um longo percurso reflexivo, que esta rela\u00e7\u00e3o deve ser vista n\u00e3o como dualismo, e sim uma rela\u00e7\u00e3o de dualidade. Al\u00e9m disso, visamos apresentar que o corpo, embora visto como um mal por muitos fil\u00f3sofos possui grande import\u00e2ncia, e deve ser assumido como parte constitutiva do homem, e que o corpo pode oferecer benef\u00edcios que sejam positivos para a pessoa humana. Assim, ao apresentar a diferen\u00e7a entre dualismo e dualidade, discorremos sobre a vis\u00e3o de corpo e alma em Plat\u00e3o e Santo Agostinho, dando uma \u00eanfase maior em Arist\u00f3teles e Tom\u00e1s de Aquino, concluindo com a categoria de Corpo Pr\u00f3prio de Padre Lima Vaz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras chave: <\/strong>Corpo, Alma, Dualismo, Dualidade, Totalidade Intencional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma sempre obteve lugar significativo nas discuss\u00f5es filos\u00f3ficas, desde o per\u00edodo cl\u00e1ssico at\u00e9 a contemporaneidade. Cada per\u00edodo da hist\u00f3ria da filosofia, assim como os respectivos pensadores e fil\u00f3sofos destes per\u00edodos apresentaram diversas compreens\u00f5es acerca desta rela\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica destas subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>O intuito deste artigo, no entanto, n\u00e3o \u00e9 dar uma solu\u00e7\u00e3o objetiva para tal problem\u00e1tica, uma vez que muitos pensadores j\u00e1 dedicaram-se a tal servi\u00e7o, mas sim orientar a reflex\u00e3o acerca da import\u00e2ncia do corpo, como parte constituinte da pessoa humana, al\u00e9m de fomentar a necessidade de ampliar a vis\u00e3o de corpo para uma vis\u00e3o mais integral. Este desejo parte justamente pelo fato do corpo ser visto como um mal, ou fonte dos males, para muitas compreens\u00f5es acerca da rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, ao apresentar a diferen\u00e7a entre dualismo e dualidade, pretendemos expor algumas ideias e seus respectivos fil\u00f3sofos, acerca da rela\u00e7\u00e3o corpo e alma, com o intuito de ampliar a discuss\u00e3o at\u00e9 de culminar no ponto chave desta pesquisa, que \u00e9 reconhecer a rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma n\u00e3o como dualismo, mas sim dualidade, e que o corpo deve ser compreendido de forma integral, sendo parte constitutiva de toda pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Dualismo ou dualidade?<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 \u00e9 do nosso conhecimento, a problem\u00e1tica em torno do corpo e da alma \u00e9 um tema que perpassa toda a hist\u00f3ria da filosofia. No desenvolvimento da discurs\u00e3o sobre corpo e alma, analisar a distin\u00e7\u00e3o etimol\u00f3gica dos termos corpo e alma \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para esclarecer se h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de dualismo ou dualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo dualismo expressa dois princ\u00edpios, um que se refere ao bem e outro ao mal; h\u00e1 um embate entre os dois lados. No entanto, o significado que tornou-se comum na hist\u00f3ria da filosofia, acerca do dualismo, diz respeito ao fato de admitir a exist\u00eancia de subst\u00e2ncias que sejam materiais e tamb\u00e9m subst\u00e2ncias espirituais. O dualismo, ent\u00e3o, expressa a exist\u00eancia de duas subst\u00e2ncias, ou duas realidades, cuja rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de oposi\u00e7\u00e3o; sendo que uma delas se sobressai \u00e0 outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Na continuidade desta considera\u00e7\u00e3o, o voc\u00e1bulo dualidade tamb\u00e9m se refere a dois elementos e aspectos, os quais, diferentemente do dualismo, s\u00e3o distintos. . No entanto, estes elementos podem assumir um papel fundamental de complementa\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 admitido pelo dualismo. Apresentar um significado preciso sobre dualidade \u00e9 uma dificuldade, no entanto a dualidade, em sua ess\u00eancia, refere-se comumente a um conjunto de termos que mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o fundamental, sendo interdependentes ou opostos entre si. O embate que se faz presente na dualidade, uma vez que h\u00e1 presen\u00e7a de elementos opostos, aponta para um suplemento, ou seja, algo que \u00e9 acrescentado a um todo para aperfei\u00e7oar e at\u00e9 mesmo ampliar.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante destas considera\u00e7\u00f5es, a dualidade parece assumir uma vis\u00e3o integral das subst\u00e2ncias opostas, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 diminui\u00e7\u00e3o ou restri\u00e7\u00e3o de ambas, mas uma esp\u00e9cie de remate. O Dualismo, ao contr\u00e1rio, assume uma posi\u00e7\u00e3o diferencial, evidenciando de forma parcial a diferen\u00e7a das subst\u00e2ncias sem a concilia\u00e7\u00e3o das mesmas. Assim, seguimos para algumas considera\u00e7\u00f5es acerca da rela\u00e7\u00e3o de corpo e alma, colocando em evid\u00eancia o pensamento de alguns autores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Corpo e alma na perspectiva de Plat\u00e3o e Agostinho<\/p>\n\n\n\n<p>No di\u00e1logo de Plat\u00e3o, F\u00e9don, S\u00f3crates, ao discursar sobre aqueles que se dedicam \u00e0 filosofia, exp\u00f5e alguns apontamentos acerca do corpo e da alma. Isto se deve ao fato de intu\u00edrem que tal Vulgo conceberia que \u201cos que se dedicam \u00e0 filosofia s\u00e3o homens que se est\u00e3o preparando para morrer\u201d. Assim, segue-se que a morte seria ent\u00e3o o ato de apartar e afastar o corpo da alma, como tamb\u00e9m a alma do corpo. <\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer do di\u00e1logo, S\u00f3crates questiona se o fato de dedicar-se inquietantemente aos prazeres como comer e beber, seriam a\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de um fil\u00f3sofo; a resposta foi negativa (PLAT\u00c3O, F\u00e9don, 64d). Assim, intui-se que o fil\u00f3sofo seria aquele, que se afastando dos cuidados do corpo, tende a dedicar-se ao cuidado da alma. Neste sentido, o fil\u00f3sofo seria o que se prepara para a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, percebe-se que h\u00e1 uma compreens\u00e3o negativa do corpo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>E \u00e9 este ent\u00e3o pensamento que nos guia: durante todo o tempo em que tivermos o corpo, e nossa alma estiver misturada com essa coisa m\u00e1, jamais possuiremos completamente o objeto de nossos desejos! Ora, este objeto \u00e9 como diz\u00edamos, a verdade (PLAT\u00c3O, F\u00e9don, 66b).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O corpo, neste sentido, possui uma influ\u00eancia negativa. O corpo, sob este olhar, seria como um c\u00e1rcere para alma e esta s\u00f3 alcan\u00e7aria o seu desejo, ou seja, a verdade, quando fosse libertada deste mesmo corpo. Assim, a alma assume um lugar de grande import\u00e2ncia e destaque.<\/p>\n\n\n\n<p>No seguimento desta reflex\u00e3o, nos deparamos com Agostinho de Hipona (354- 430 d.C.), o qual possui influ\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o plat\u00f4nica, sobretudo em sua compreens\u00e3o de corpo e alma. Para Agostinho, a alma humana \u00e9 quem rege o corpo, sendo esta ent\u00e3o superior. No entanto, na compreens\u00e3o de Agostinho o ser humano ou a pessoa humana, n\u00e3o \u00e9 somente alma e nem somente corpo, mas a jun\u00e7\u00e3o de ambos (NIEDERBACHER, 2016, p.162).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo afirmando que a pessoa humana \u00e9 constitu\u00edda de corpo e alma, Agostinho deixa claro que o corpo \u00e9 fonte do desejo desordenado. Este dado comprova o fato de afirmarmos que Agostinho possui tra\u00e7os da tradi\u00e7\u00e3o plat\u00f4nica em sua filosofia, pelo fato de considerar o corpo e tudo aquilo que est\u00e1 sujeito a este, como um bem \u00ednfimo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O ouro, a prata, os corpos belos e todas as coisas s\u00e3o dotadas dum certo atrativo. Por todos estes motivos e outros semelhantes, comete-se o pecado, porque, pela propens\u00e3o imoderada para os bens inferiores, embora sejam bons, se abandonam outros melhores e mais elevados, ou seja, a V\u00f3s, meu Deus, \u00e0 vossa verdade e \u00e0 vossa lei. (AGOSTINHO, Confiss\u00f5es, cap.II, \u00a710).<\/p><p><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ademais, Agostinho apresenta a morte do ser humano como a separa\u00e7\u00e3o da alma do corpo (NIEDEBACHER, 2016, p.164), assim como a tradi\u00e7\u00e3o plat\u00f4nica. Sendo a alma considerada imortal, diferentemente do corpo que padece, ap\u00f3s a sa\u00edda da alma, intui-se, de fato, certa superioridade entre ambos. Al\u00e9m disso, a alma, segundo Agostinho na obra sobre a potencialidade da alma (Cap. 33, \u00a7 70, p.160), tem a capacidade de vivificar, unificar e manter organizado o corpo, n\u00e3o permitindo que o mesmo se dissolva nos elementos pr\u00f3prios da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dos fatos apresentados, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber uma rela\u00e7\u00e3o entre Plat\u00e3o e Agostinho no que concerne a compreens\u00e3o de corpo e alma. Em Plat\u00e3o, como vimos, o corpo \u00e9 visto como um obst\u00e1culo para a busca da verdade, um pris\u00e3o que impede a realiza\u00e7\u00e3o plena dos desejos. Em Agostinho, o corpo \u00e9 notado como fonte dos desejos desordenados, no entanto, reconhece a uni\u00e3o entre corpo e alma, como algo constitutivo da pessoa humana. A superioridade da alma sobre o corpo, como tamb\u00e9m a separa\u00e7\u00e3o de ambos com a morte, s\u00e3o temas concordantes na vis\u00e3o destes dois fil\u00f3sofos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A compreens\u00e3o de corpo e alma na perspectiva de Arist\u00f3teles e Tom\u00e1s de Aquino<\/p>\n\n\n\n<p>Arist\u00f3teles (384-322 a.C), assim como os fil\u00f3sofos apresentados anteriormente, tamb\u00e9m desenvolveu parte de seu pensamento na discuss\u00e3o sobre corpo e alma. Seu pensamento acerca destas duas subst\u00e2ncias, parte da cr\u00edtica feita \u00e0 teoria das ideias de Plat\u00e3o. Segundo Marcondes (2010, p.70), \u201ca principal obje\u00e7\u00e3o de Arist\u00f3teles ao dualismo plat\u00f4nico est\u00e1 centrada, portanto na rela\u00e7\u00e3o que a teoria das ideias sup\u00f5e existir entre o mundo intelig\u00edvel e o sens\u00edvel, podendo ser considerada uma vers\u00e3o do paradoxo da rela\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse paradoxo da rela\u00e7\u00e3o, percebido por Arist\u00f3teles na teoria Plat\u00f4nica, o caminho que o fil\u00f3sofo percorrera para sanar as incoer\u00eancias das teorias anteriores a ele, \u00e9 justamente optar por um caminho metaf\u00edsico. Em outras palavras, haver\u00e1 uma nova compreens\u00e3o da realidade, assim o que existe \u00e9 a substancia individual, ou seja, \u201co indiv\u00edduo material concreto (synolon)\u201d (MARCONDES, 2010, p.72).<\/p>\n\n\n\n<p>Dois conceitos chaves surgem ent\u00e3o a partir desta nova compreens\u00e3o da realidade, mat\u00e9ria e forma:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Arist\u00f3teles afirma, entretanto, que os indiv\u00edduos s\u00e3o, por sua vez, compostos de mat\u00e9ria (hyle) e forma (eidos). A mat\u00e9ria \u00e9 o princ\u00edpio de individua\u00e7\u00e3o e a forma a maneira como, em cada indiv\u00edduo, a mat\u00e9ria se organiza (Metaf\u00edsica Z e H, F\u00edsica I, II). Assim, todos os indiv\u00edduos de uma mesma esp\u00e9cie teriam a mesma forma, mas difeririam do ponto de vista da mat\u00e9ria, j\u00e1 que se trata de indiv\u00edduos diferentes, ao menos numericamente. \u00c9 como se, de certo modo, Arist\u00f3teles jogasse o dualismo plat\u00f4nico para dentro do indiv\u00edduo, da subst\u00e2ncia individual. Mat\u00e9ria e forma s\u00e3o, entretanto indissoci\u00e1veis, constituindo uma unidade (o sentido literal de \u201cindiv\u00edduo\u201d): a mat\u00e9ria s\u00f3 existe na medida em que possui uma determinada forma, a forma por sua vez \u00e9 sempre forma de um objeto material concreto. (MARCONDES, 2010, p.72).<\/p><p><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Diante disso, de forma bem simples, poder\u00edamos, ao nos depararmos com os voc\u00e1bulos mat\u00e9ria e a forma, relacionados ao ser humano, usarmos os termos corpo e alma; sendo o corpo o que torna o ser humano um individuo presente no mundo, e a alma a forma de como o corpo se organiza no mundo. Al\u00e9m disso, como dito na cita\u00e7\u00e3o anterior, mat\u00e9ria e forma s\u00e3o \u201cindissoci\u00e1veis\u201d, o que nos permite intuir que h\u00e1, de fato, uma esp\u00e9cie de unidade entre ambas as subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Parece tamb\u00e9m que todas as afec\u00e7\u00f5es da alma ocorrem com um corpo: \u00e2nimo, mansid\u00e3o, medo, comisera\u00e7\u00e3o, ousadia, bem como a alegria, o amar e o odiar- pois o corpo \u00e9 afetado de algum modo e simultaneamente a elas. Isto \u00e9 indicado pelo fato de que algumas vezes mesmo emo\u00e7\u00f5es fortes e violentas n\u00e3o produzem em n\u00f3s excita\u00e7\u00e3o ou temor; outras vezes, contudo, somos movidos por emo\u00e7\u00f5es pequenas e impercept\u00edveis (por exemplo, no caso em que o corpo irritado j\u00e1 est\u00e1 como encolerizado). Isto se torna ainda mais evidente quando, n\u00e3o havendo ocorrido nada de tem\u00edvel, experimentamos o sentimento de temor (ARIST\u00d3TELES, De anima, cap. I, 403\u00aa29).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Podemos perceber que h\u00e1 uma interdepend\u00eancia entre as afec\u00e7\u00f5es da alma e do corpo, assim como a intr\u00ednseca liga\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias emocionais com as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. A rela\u00e7\u00e3o entre alma e corpo \u00e9 tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o complexa, uma vez que as emo\u00e7\u00f5es complexas nem sempre resultam em a\u00e7\u00f5es f\u00edsicas vis\u00edveis, enquanto emo\u00e7\u00f5es mais amenas podem despertar respostas corporais vis\u00edveis. Neste sentido, pode-se intuir que o corpo \u00e9 afetado de maneira simult\u00e2nea \u00e0s experi\u00eancias emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Arist\u00f3teles tamb\u00e9m aponta para situa\u00e7\u00f5es nas quais o corpo j\u00e1 apresenta certa predisposi\u00e7\u00e3o a alguns estados mentais, como por exemplo, a irrita\u00e7\u00e3o que precede a raiva. Diante disso, pode-se perceber como o estado f\u00edsico pr\u00e9vio possui certa influ\u00eancia na experi\u00eancia emocional subsequente. Ao expor que o temor surge mesmo na aus\u00eancia de amea\u00e7as tang\u00edveis, Arist\u00f3teles tamb\u00e9m destaca a complexidade da intera\u00e7\u00e3o entre alma e corpo, apresentando que tanto fatores internos, quanto externos desempenham um papel na variedade de emo\u00e7\u00f5es externas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa intera\u00e7\u00e3o complexa acerca da rela\u00e7\u00e3o corpo e alma, n\u00e3o pode-se deixar de referir a quest\u00e3o do prazer que envolve justamente tanto o corpo como a alma. Segundo Hutchinson (2009, p.273) embora Arist\u00f3teles n\u00e3o olhe com bons olhos para a vida de prazer, ele n\u00e3o se op\u00f5e ao prazer. Isso se deve ao fato de apresentar que o contr\u00e1rio de prazer seria a dor. Dessa forma, o prazer seria visto de forma negativa quando viesse de situa\u00e7\u00f5es fr\u00edvolas de divertimento, e n\u00e3o de atividades dignas e s\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, assim como Santo Agostinho herdou grande influ\u00eancia da teoria plat\u00f4nica, o mesmo pode-se dizer de Tom\u00e1s de Aquino, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria Aristot\u00e9lica. Portanto, pode-se afirmar semelhan\u00e7as entre ambos, mas tamb\u00e9m diferen\u00e7as, mesmo que m\u00ednimas: \u201cAmbos distinguem claramente o material do imaterial, a sensa\u00e7\u00e3o da intelec\u00e7\u00e3o, o temporal do eterno, o corpo da alma\u201d (Owens, 2019, p.53).<\/p>\n\n\n\n<p>Como visto anteriormente, h\u00e1 alguns pontos da teoria de Tom\u00e1s de Aquino que est\u00e3o de acordo com a teoria de Arist\u00f3teles; dada a influ\u00eancia da segunda sobre a primeira. Dentre estes pontos destaca-se a rela\u00e7\u00e3o entre mat\u00e9ria e forma, que para Tom\u00e1s de Aquino s\u00e3o consideradas essenciais para entender qual \u00e9 a natureza das subst\u00e2ncias, como tamb\u00e9m suas transforma\u00e7\u00f5es. Segundo Wippel (2019, p.139), Tom\u00e1s de Aquino d\u00e1 significativas import\u00e2ncias \u00e0 gera\u00e7\u00e3o pura e simples, a qual representa a mudan\u00e7a substancial. O que acontece \u00e9 que a mudan\u00e7a substancial possui grande diferen\u00e7a da mudan\u00e7a acidental. A primeira diz respeito a uma transforma\u00e7\u00e3o fundamental na ess\u00eancia de uma subst\u00e2ncia. A segunda, por\u00e9m, refere-se a altera\u00e7\u00f5es que s\u00e3o superficiais e que n\u00e3o afetam a ess\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, para Tom\u00e1s de Aquino, o corpo e a alma formam uma unidade substancial, sendo ambos essenciais para a natureza humana. Assim, a alma \u00e9 considerada a forma substancial do corpo, conferindo ao corpo vitalidade. Nesta perspectiva, percebe que h\u00e1 uma profunda liga\u00e7\u00e3o, ou ainda, uma interdepend\u00eancia intr\u00ednseca entre corpo e alma: \u201cO corpo \u00e9 para a alma, assim como a mat\u00e9ria \u00e9 para a forma\u201d (AQUINO, Suma teol\u00f3gica, Q.76, Art. 1).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que a alma seja considerada imortal, n\u00e3o deixa de estar conectada ao corpo, uma vez que ela \u00e9 considerada a sede das faculdades intelectuais e espirituais, enquanto o corpo \u00e9 respons\u00e1vel por todas as experi\u00eancias sensoriais e pela a\u00e7\u00e3o no mundo material.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Assim como todos os homens desejam naturalmente conhecer a verdade, tamb\u00e9m \u00e9 inerente aos homens o desejo natural de evitar os erros e de refut\u00e1-los quando tiverem essa capacidade. Ora, dentre outros erros, o mais aberrante parece ser o erro atrav\u00e9s do qual se erra a respeito do intelecto, pelo qual somos capacitados por nascen\u00e7a a, afastados os erros, conhecer a verdade (AQUINO, Cap. I, 2016, p.19).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Este trecho diz respeito \u00e0 resposta dada por Tom\u00e1s de Aquino aos Averro\u00edstas, por afirmarem que o intelecto e o corpo agem de formas separadas e n\u00e3o possuem liga\u00e7\u00e3o. Mas sim, h\u00e1 uma profunda liga\u00e7\u00e3o entre ambos. Tal trecho confirma esta unidade substancial entre corpo e alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dos fatos apresentados, pode-se intuir que h\u00e1, de fato, na teoria de Tom\u00e1s de Aquino uma vis\u00e3o integralizada de corpo e alma. Ou seja, Tom\u00e1s de Aquino valoriza e reconhece a import\u00e2ncia de ambas as sust\u00e2ncias, e salienta que h\u00e1 uma profunda unidade entre elas, e esta \u00e9 comum a toda pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Lima Vaz e o corpo como totalidade intencional<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, depois de percorremos um longo e significativo caminho sobre a problem\u00e1tica entre corpo e alma, chegamos diante de um importante autor contempor\u00e2neo, Padre Henrique Cl\u00e1udio de Lima Vaz (1921-2002), que em seus escritos de Antropologia filos\u00f3fica, apresenta uma vis\u00e3o positiva do corpo, de forma categ\u00f3rica e integral, culminado assim com uma profunda liga\u00e7\u00e3o com a categoria de psiquismo, ou como dito nos par\u00e1grafos anteriores a alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Lima Vaz, o Corpo n\u00e3o \u00e9 somente uma entidade f\u00edsico-biol\u00f3gico, mas uma \u201cdimens\u00e3o constitutiva e expressiva do ser do homem\u201d (VAZ, 1991, p. 175). Pelo corpo, o homem est\u00e1 em contato com o mundo, assim como se faz presente no mundo. O corpo, para Lima Vaz, \u00e9 uma dimens\u00e3o constitutiva da pessoa humana e \u00e9 dimens\u00e3o expressiva, pois \u00e9 por meio dele que o homem se expressa no mundo. Al\u00e9m disso, o referido fil\u00f3sofo apresenta em seus escritos de antropologia filos\u00f3fica, tr\u00eas formas de compreens\u00e3o do corpo, ou em suas palavras, \u201ccorpo pr\u00f3prio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Pr\u00e9-compreens\u00e3o \u00e9 a primeiro passo no pensamento de Lima Vaz. Esta pr\u00e9-compreens\u00e3o tem como objetivo apresentar a distin\u00e7\u00e3o do corpo entre subst\u00e2ncia material e organismo, ou respectivamente totalidade f\u00edsica e totalidade biol\u00f3gica, como tamb\u00e9m a distin\u00e7\u00e3o de corpo pr\u00f3prio ou totalidade intencional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Nas duas primeiras ocorr\u00eancias, o homem \u00e9 simplesmente seu corpo, \u00e9 seu corpo f\u00edsico e seu corpo biol\u00f3gico, como o animal. Na terceira ocorr\u00eancia, \u00f6 homem \u00e9 tamb\u00e9m seu corpo pr\u00f3prio, mas n\u00e3o o \u00e9 pura e simplesmente por identidade, mas tem seu corpo pr\u00f3prio, sendo capaz de dar-lhe uma intencionalidade que transcende o n\u00edvel do f\u00edsico e do biol\u00f3gico (VAZ, 1991, p. 176).<\/p><p> <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por meio do corpo pr\u00f3prio o homem se faz presente no mundo. Poder\u00edamos dizer que h\u00e1 uma compreens\u00e3o mais integral do corpo. De fato, o conceito de corpo pr\u00f3prio transcende os limites do corpo f\u00edsico-biol\u00f3gico, pois ele \u00e9 lugar fundamental do homem enquanto se faz presente no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda compreens\u00e3o \u00e9 chamada de compreens\u00e3o explicativa da corporalidade. Esta explica\u00e7\u00e3o visa apresentar a vis\u00e3o da ci\u00eancia acerca do corpo, por meio das diversas ci\u00eancias da vida, como tamb\u00e9m por meio da Biologia humana. No entanto, esta compreens\u00e3o implica em determinado risco, no qual submeto o corpo humano, como mero objetivo, o que vem a desconsiderar e reduzir uma compreens\u00e3o integral do corpo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Com efeito, embora sendo o seu objeto o corpo tal como \u00e9 dado na natureza e n\u00e3o o corpo pr\u00f3prio, o processo de objetiviza\u00e7\u00e3o do corpo \u2014 mesmo no caso da total redu\u00e7\u00e3o do corpo a um objeto como no cad\u00e1ver \u201418 n\u00e3o suprime a refer\u00eancia humana do corpo e sua integra\u00e7\u00e3o na totalidade do fen\u00f4meno vida enquanto vivido pelo indiv\u00edduo (VAZ, 1991, p.178).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Diante disso, a compreens\u00e3o filos\u00f3fica de corpo \u00e9 quem melhor no ajuda a compreender o corpo e a n\u00e3o reduzi-lo a mero objeto para a ci\u00eancia, mas sim como totalidade intencional, ou seja, reconhecer o corpo de uma forma mais integral. Esta compreens\u00e3o mostra o avan\u00e7o significativo na forma de perceber o corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lima Vaz, \u00e0 medida que avan\u00e7a a reflex\u00e3o sobre a compreens\u00e3o filos\u00f3fica de corpo, exp\u00f5e que h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre o sujeito e o corpo como objeto no mundo. Neste sentido, surgem duas dire\u00e7\u00f5es opostas, a saber: o corpo como algo objetivamente percebido e como parte da interioridade do sujeito (VAZ, 1991, p.180). Assim, surgem dois momentos na abordagem dessa posi\u00e7\u00e3o. O primeiro denominado momento eid\u00e9tico, que examina a ess\u00eancia do corpo. O segundo, portanto, momento t\u00e9tico, que investiga a corporalidade como categoria essencial na antropologia filos\u00f3fica (VAZ, 1991, p.180).<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse desenvolvimento, Lima Vaz (1991, p.181) apresenta duas proposi\u00e7\u00f5es-chave: que o corpo \u00e9 o pr\u00f3prio sujeito, estruturando-se como express\u00e3o de sua presen\u00e7a no mundo, e que o corpo age como sujeito, atribuindo significados em rela\u00e7\u00f5es interpessoais e intera\u00e7\u00f5es objetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a categoria da corporalidade \u00e9 o primeiro passo no discurso da antropologia filos\u00f3fica, estabelecendo que o corpo humano \u00e9 fundamental para a ess\u00eancia do homem, permitindo uma conex\u00e3o conceitual entre ambos. No entanto, essa conex\u00e3o \u00e9 complexa, envolvendo uma identidade na diferen\u00e7a. Lima Vaz apresenta tr\u00eas proposi\u00e7\u00f5es principais: o homem \u00e9 seu corpo, mas tamb\u00e9m vai al\u00e9m dele; a corporalidade \u00e9 fundamental para a Antropologia filos\u00f3fica, mas a totaliza\u00e7\u00e3o do discurso leva a uma busca mais profunda da identidade, indo al\u00e9m dos limites da presen\u00e7a f\u00edsica no mundo (VAZ, 1991, p.181).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Conclus\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do que fora apresentado ao longo do desenvolvimento do presente artigo, pode-se intuir que diante das particularidades pr\u00f3prias do corpo, como tamb\u00e9m da alma, seria necess\u00e1rio aderir h\u00e1 uma nova compreens\u00e3o acerca da rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma, passando da vis\u00e3o de dualismo para a dualidade, uma vez que o dualismo apresenta o corpo e a alma de forma extrema, ou seja, considera como importante a alma e reduz o corpo a algo que n\u00e3o possui relev\u00e2ncia. A dualidade, no entanto, considera tanto o corpo como a alma, n\u00e3o deixando de apresentar que s\u00e3o substancias distintas, mas que se complementam.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a compreens\u00e3o proveniente de Arist\u00f3teles e posteriormente assumida por Tom\u00e1s de Aquino, com algumas significativas mudan\u00e7as, \u00e9 quem melhor traduz a rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma como dualidade, afirmando assim uma compreens\u00e3o integral entre ambas as subst\u00e2ncias. N\u00e3o podemos, no entanto, desconsiderar a teoria sobre corpo e alma de Plat\u00e3o, como tamb\u00e9m a de Agostinho, as quais serviram de inspira\u00e7\u00e3o para teorias posteriores, como por exemplo, as teorias de Arist\u00f3teles e Tom\u00e1s de Aquino. No entanto, tanto Tom\u00e1s de Aquino quanto Arist\u00f3teles foram capazes de avan\u00e7ar na compreens\u00e3o e desenvolver ainda mais esta ideia da rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio Lima Vaz, sendo considerado um pensador contempor\u00e2neo, apresenta o corpo n\u00e3o como um mero objeto, ou como um simples organismo f\u00edsico- biol\u00f3gico, mas como totalidade intencional. O corpo \u00e9 a forma com a qual o homem se expressa no mundo e tamb\u00e9m se faz presente no mundo. Como poder\u00edamos reduzir o corpo a uma mera pris\u00e3o ou simplesmente fonte dos desejos desordenados? Seria desconsiderar nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia que s\u00f3 \u00e9 no mundo por meio do corpo pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, \u00e0 medida que vamos tomando consci\u00eancia de que o corpo, apesar de apresentar certas dificuldades, nos torna presentes no mundo, como tamb\u00e9m torna poss\u00edveis nossas inten\u00e7\u00f5es e express\u00f5es no mundo, passaremos a valoriz\u00e1-lo, sobretudo no que tange as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, nas quais muitas vezes o prazer torna-se o foco. Ao possuir uma vis\u00e3o integral do corpo, como tamb\u00e9m uma vis\u00e3o reconciliada, liberta de compreens\u00f5es envoltas no dualismo, nossa capacidade de realiza\u00e7\u00e3o se tornar\u00e1 cada vez mais poss\u00edvel, uma vez que o homem n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 corpo e nem s\u00f3 alma, mas sim uma unidade que integra ambas as subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficasCom isso, \u00e0 medida que vamos tomando consci\u00eancia de que o corpo, apesar de apresentar certas dificuldades, nos torna presentes no mundo, como tamb\u00e9m torna poss\u00edveis nossas inten\u00e7\u00f5es e express\u00f5es no mundo, passaremos a valoriz\u00e1-lo, sobretudo no que tange as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, nas quais muitas vezes o prazer torna-se o foco. Ao possuir uma vis\u00e3o integral do corpo, como tamb\u00e9m uma vis\u00e3o reconciliada, liberta de compreens\u00f5es envoltas no dualismo, nossa capacidade de realiza\u00e7\u00e3o se tornar\u00e1 cada vez mais poss\u00edvel, uma vez que o homem n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 corpo e nem s\u00f3 alma, mas sim uma unidade que integra ambas as subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n\n\n\n<p>ABBAGNANO, Nicola. Dicion\u00e1rio de Filosofia. 5. ed. rev. ampl. Tradu\u00e7\u00e3o Alfredo Bosi e Ivone C. Benedetti. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 294.<\/p>\n\n\n\n<p>AGOSTINHO. Confiss\u00f5es. Tradu\u00e7\u00e3o J. Oliveira Santos, S.J., e A. Ambr\u00f3sio de Pina, S.J. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>AGOSTINHO. Sobre a potencialidade da alma. Tradu\u00e7\u00e3o Aloysio Jansen de Faria. Petr\u00f3polis: Vozes, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>AQUINO, Tom\u00e1s de. A unidade do intelecto, contra os averro\u00edstas. Tradu\u00e7\u00e3o Carlos Arthur Ribeiro do Nascimento. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>AQUINO, Tom\u00e1s de. Suma contra dos gentios II. Tradu\u00e7\u00e3o Joaquim. F. Pereira. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>ARIST\u00d3TELES. De anima. Tradu\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Gomes dos Reis. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>HUTCHINSON, D.S. \u00c9tica. In: BARNES, Jonathan (Org.). Arist\u00f3teles. Tradu\u00e7\u00e3o Ricardo Hermann Ploch Machado. Aparecida: Ideias e letras, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCONDES, Danilo. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria da filosofia: Dos pr\u00e9-socr\u00e1ticos \u00e0 Wittgenstein. ed. 13. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>NEIDERBACHER, Bruno. A alma humana: o caso de Agostinho para o dualismo corpo-alma. In: MECONI, David Vicent; STRUMP, Eleonore (Orgs.). Agostinho. Tradu\u00e7\u00e3o Jaime Clasen. S\u00e3o Paulo: Ideias e Letras, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>OWENS, Joseph. Arist\u00f3teles e Tom\u00e1s de Aquino. In: KRETZAMN, Norman; STUMP, Eleonore. Tom\u00e1s de Aquino. Tradu\u00e7\u00e3o Andrey Ivanov. S\u00e3o Paulo: Ideias e Letras, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>PLAT\u00c3O. Di\u00e1logos. Tradu\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Cavalcante de Souza, Jorge Paleikat e Jo\u00e3o Cruz Costa. ed. 5. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1991. (Os Pensadores).<\/p>\n\n\n\n<p>VAZ, Henrique C. de Lima. Antropologia filos\u00f3fica I. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>WIPPEL, John. F. Metaf\u00edsica. In: KRETZAMN, Norman; STUMP, Eleonore. Tom\u00e1s de Aquino. Tradu\u00e7\u00e3o Andrey Ivanov. S\u00e3o Paulo: Ideias e Letras, 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Robson Oliveira Teixeira Resumo: O presente artigo visa apresentar uma reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre corpo e alma, colocando em evid\u00eancia, a partir de um longo percurso reflexivo, que esta rela\u00e7\u00e3o deve ser vista n\u00e3o como dualismo, e sim uma rela\u00e7\u00e3o de dualidade. 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