{"id":2944,"date":"2025-09-26T23:10:37","date_gmt":"2025-09-27T02:10:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2944"},"modified":"2025-09-26T23:10:37","modified_gmt":"2025-09-27T02:10:37","slug":"o-problema-da-metafisica-kantiana-na-obra-critica-da-razao-pura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2944","title":{"rendered":"O PROBLEMA DA METAF\u00cdSICA KANTIANA NA OBRA CR\u00cdTICA DA RAZ\u00c3O PURA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Luiz Jaques Moreira<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo: <\/strong>O presente artigo tem por objetivo apresentar uma an\u00e1lise do problema da metaf\u00edsica kantiana na <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura<\/em>. Para tanto, a reflex\u00e3o inicial partir\u00e1 da inten\u00e7\u00e3o kantiana de elaborar uma filosofia cr\u00edtica. Em um segundo momento, ser\u00e1 examinado o estatuto da metaf\u00edsica na primeira cr\u00edtica kantiana. Na sequ\u00eancia, discutiremos a possibilidade de compreender a metaf\u00edsica como disposi\u00e7\u00e3o natural da raz\u00e3o, bem como sua reconfigura\u00e7\u00e3o a partir do pensamento de Immanuel Kant. Desse modo, o presente estudo prop\u00f5e uma s\u00edntese do problema da metaf\u00edsica kantiana e da possibilidade de repens\u00e1-la no contexto p\u00f3s-kantiano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave: <\/strong>Kant, Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura, Cr\u00edtica, Metaf\u00edsica, Disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A INTEN\u00c7\u00c3O KANTIANA COM A IDEIA DE CR\u00cdTICA<\/p>\n\n\n\n<p>O termo Cr\u00edtica est\u00e1 presente em tr\u00eas livros escritos pelo fil\u00f3sofo Immanuel Kant. Mas afinal, o que pretendia Kant ao escrever tr\u00eas Cr\u00edticas? A primeira, e talvez a mais famosa, nos ajuda a entender um pouco melhor o projeto cr\u00edtico kantiano e quais s\u00e3o as suas pretens\u00f5es. A <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura<\/em>, prop\u00f5e-nos refletir acerca da metaf\u00edsica, teoria do conhecimento e outros temas por Kant apresentados. Mas qual \u00e9 o problema apresentado por Kant para escrever uma Cr\u00edtica? Qual o problema das teorias tradicionais? Na verdade, \u201co que conduz Kant a ideia cr\u00edtica n\u00e3o foi a rejei\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es metaf\u00edsicas, e, sim, a consci\u00eancia da incerteza dessas conclus\u00f5es, e da fraqueza dos argumentos em que se assentavam\u201d (Pascal, 2011, p.29).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, segundo Kant, a metaf\u00edsica tradicional:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Se lan\u00e7a na escurid\u00e3o e em contradi\u00e7\u00f5es que pode at\u00e9 dirimir, supondo que alguns erros estejam ocultos em seu fundamento, mas n\u00e3o consegue descobri-los por que os princ\u00edpios de que se serve, na medida em que extrapolam todos os limites da experi\u00eancia, j\u00e1 n\u00e3o reconhecem nesta qualquer pedra de toque. O campo de batalha dessas intermin\u00e1veis querelas chama-se <em>metaf\u00edsica<\/em> (<em>KpV<\/em>, A VIII-IX).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Portanto, nota-se assim a fraqueza apresentada pela metaf\u00edsica tradicional. Outrossim, \u201cdiferente da receptividade que t\u00eam a f\u00edsica e a matem\u00e1tica, duas ci\u00eancias com grande capacidade de gerar consenso, tudo que a metaf\u00edsica consegue produzir \u00e9 conflito. Apesar disso, na medida em que n\u00e3o podemos ficar indiferentes a ela e suas disputas\u201d (Cor\u00f4a, 2019, 43). Assim, a raz\u00e3o enreda-se em contradi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o inevit\u00e1veis, conhecidas na filosofia kantiana como antinomias, de modo que, as disputas n\u00e3o chegam ao fim. Desse modo, a \u201cpedra do toque\u201d da verdade \u00e9 a experi\u00eancia, e sem ela &#8211; a metaf\u00edsica &#8211; &nbsp;&nbsp;apenas um mero jogo de especula\u00e7\u00e3o (imagina\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cr\u00edtica \u00e0 metaf\u00edsica tradicional pode ser percebida em outros livros escritos por Kant, como por exemplo nos<em> Proleg\u00f4menos<\/em>. Em uma confiss\u00e3o apresentada no pref\u00e1cio do livro, o fil\u00f3sofo alem\u00e3o afirma: \u201cconfesso francamente: foi a advert\u00eancia de <em>David Hume <\/em>que, h\u00e1 muitos anos, interrompeu meu sono dogm\u00e1tico e deu \u00e0s minhas investiga\u00e7\u00f5es no campo da filosofia especulativa uma orienta\u00e7\u00e3o inteiramente diversa\u201d (<em>Prol<\/em>, AA 04: 13).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa perspectiva kantiana, inspirada em parte pelo empirismo c\u00e9tico proposto por Hume, coloca em crises as bases racionalistas apresentadas por Leibniz e Wolff. Essa perspectiva apresentada pelos fil\u00f3sofos racionalistas dogm\u00e1ticos apresentam a possibilidade de se conhecer as coisas sem precisar da experi\u00eancia. Assim, Kant, com seu projeto cr\u00edtico, apresenta as contradi\u00e7\u00f5es de uma metaf\u00edsica tradicional e a sua falta de solidez. Dessa maneira, \u201co empirismo c\u00e9tico de Hume e, em particular, a sua cr\u00edtica da no\u00e7\u00e3o de causalidade, tornava incertas as posi\u00e7\u00f5es do racionalismo dogm\u00e1tico\u201d (Pascal, 2011, p.30).<\/p>\n\n\n\n<p>O PROBLEMA DA METAF\u00cdSICA NA CR\u00cdTICA DA RAZ\u00c3O PURA<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria da filosofia, em muitos momentos, afirma que o fim da metaf\u00edsica se deu depois da filosofia cr\u00edtica do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Immanuel Kant. Seria ent\u00e3o Kant respons\u00e1vel pelo fim da metaf\u00edsica tradicional? Segundo o fil\u00f3sofo alem\u00e3o \u201chouve um tempo em que ela era chamada a <em>rainha <\/em>de todas as ci\u00eancias; e, se a inten\u00e7\u00e3o for tomada pelo ato, ent\u00e3o ela mereceria de fato, devido \u00e0 elevada import\u00e2ncia de seu objeto, esse t\u00edtulo honor\u00edfico\u201d (<em>KrV<\/em>, A VIII-IX).<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, percebemos que a filosofia kantiana est\u00e1 dialogando com a tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica aristot\u00e9lica e escol\u00e1stica. Esse aspecto importante refor\u00e7a a ideia de que Kant est\u00e1 a criticar a Metaf\u00edsica dogm\u00e1tica que era proposta pelos autores j\u00e1 citados. Nota-se que, na tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, a metaf\u00edsica era a ci\u00eancia suprema (Deus, alma, mundo). Contudo, na filosofia moderna h\u00e1 uma grande problem\u00e1tica acerca deste tema. Desse modo, para Kant, a metaf\u00edsica nunca conseguiu atingir os resultados propostos por ela, e assim, se faz necess\u00e1rio a necessidade de uma <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, \u201cdesde ent\u00e3o foi reproduzida \u00e0 exaust\u00e3o a imagem de Kant como o destruidor da metaf\u00edsica \u2013 ou, ao menos, como aquele que preparar\u00e1 o terreno para tanto. De forma correspondente, os esfor\u00e7os para rebater esse ju\u00edzo n\u00e3o foram menos frequentes e combativos\u201d (Trevisan, 2014, p.105). Esse aspecto muitas das vezes foi utilizado para falar do fim da metaf\u00edsica, interpreta\u00e7\u00f5es colocam o fil\u00f3sofo iluminista como aquele que descontr\u00f3i a metaf\u00edsica, e em outras interpreta\u00e7\u00f5es o colocam como aquele que reconstr\u00f3i a metaf\u00edsica, propondo uma transi\u00e7\u00e3o entre a metaf\u00edsica ontol\u00f3gica para a metaf\u00edsica epistemol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto importante a ser apresentado \u00e9 a vis\u00e3o neokantiana proposta por Heidegger. Segundo Heidegger (1991, p. 274-275), \u201cKant n\u00e3o desejava fornecer uma teoria da ci\u00eancia da natureza, mas, antes, desejava indicar a problem\u00e1tica da metaf\u00edsica e, decerto, da ontologia\u201d. Outrossim, nota-se que Heidegger est\u00e1 apresentando uma proposta contra o neokantismo. Essa proposta apresentada por Heidegger prop\u00f5e uma reinterpreta\u00e7\u00e3o acerca das <em>Cr\u00edticas <\/em>apresentadas por Kant.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros momentos da filosofia encontramos com os cr\u00edticos do fil\u00f3sofo de K\u00f6niqsberg a possibilidade de se pensar o fim da metaf\u00edsica. Segundo Fernando Costa Mattos \u201cKant teria possibilitado enxergar a metaf\u00edsica n\u00e3o mais como um saber daquilo que estivesse \u2018al\u00e9m da f\u00edsica\u2019, mas sim como um saber daquilo que, \u2018aqu\u00e9m da f\u00edsica\u2019, nos permitiria agir e pensar independentemente da f\u00edsica\u201d (Mattos, 2009, p.62). Essa perspectiva difere radicalmente da ideia de metaf\u00edsica apresentada pelos fil\u00f3sofos cl\u00e1ssicos, como Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, Leibniz e Wolff. Assim, Kant rompe com uma tradi\u00e7\u00e3o de uma metaf\u00edsica cl\u00e1ssica, na qual a metaf\u00edsica era entendida como al\u00e9m da experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, no primeiro momento, percebemos que a pergunta central para n\u00f3s poderia ser formulada da seguinte forma: \u201cseria o sentido de \u2018metaf\u00edsica\u2019 utilizado tanto pelos seus defensores como pelos seus detratores o mesmo empregado por Kant? E mais: haveria em Kant um sentido un\u00edvoco de metaf\u00edsica? (Trevisan, 2014, p.107). Essa pergunta nos faz, portanto, distinguir as cr\u00edticas feitas pelos neokantianos e a leitura feita por Heidegger. Outrossim, estas perguntas fundamentam ainda o debate entre o Kant destruidor e o Kant renovado.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema da metaf\u00edsica na filosofia kantiana est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 primeira <em>Cr\u00edtica <\/em>escrita pelo autor, a saber: a <em>KrP<\/em>. Conforme Paulo Roberto Licht dos Santos, a primeira <em>Cr\u00edtica <\/em>apresenta consigo um fator importante para \u201ca legitima\u00e7\u00e3o dos conceitos cardinais da metaf\u00edsica especial e a abertura para a constru\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica como ci\u00eancia pr\u00e1tico-dogm\u00e1tica do supra-sens\u00edvel\u201d (2008, p.179). Este aspecto apresentado por Santos prop\u00f5e-nos o aspecto positivo da desconstru\u00e7\u00e3o apresentada por Kant, justificando assim uma n\u00e3o destrui\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto a ser lembrado \u00e9 a \u201c[&#8230;] tarefa negativa da <em>Dial\u00e9tica <\/em>sup\u00f5e precisamente a parte positiva, isto \u00e9, que a cr\u00edtica efetiva \u00e0 metaf\u00edsica dogm\u00e1tica tem como condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via o invent\u00e1rio sistem\u00e1tico das ideias transcendentais\u201d (Santos, 2008, p.143-143). Sendo assim, percebemos que a filosofia kantiana parte de uma base cr\u00edtica \u00e0 metaf\u00edsica dogm\u00e1tica, apresentando assim uma prerrogativa para as condi\u00e7\u00f5es apontadas por Kant como transcendentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, percebemos que \u201co fim pr\u00f3prio dessa obra \u00e9 determinar os limites da raz\u00e3o, e seu conte\u00fado mostra como a raz\u00e3o transgride inteiramente esses limites toda vez que afirma algo sobre a realidade de qualquer coisa\u201d (Garve 1991, p. 35). Garve est\u00e1 se referindo assim \u00e0 primeira cr\u00edtica kantiana. Nesta afirma\u00e7\u00e3o Kant delimita os limites da raz\u00e3o, fazendo com que algumas interpreta\u00e7\u00f5es proponham que o fil\u00f3sofo iluminista teria apontado o fim da metaf\u00edsica, porque com essa delimita\u00e7\u00e3o n\u00e3o se poderia pensar em Deus, alma e o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A METAF\u00cdSICA COMO DISPOSI\u00c7\u00c3O NATURAL DA RAZ\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de toda a hist\u00f3ria da filosofia metaf\u00edsica, observa-se que in\u00fameros autores afirmaram que o ser humano possui uma disposi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica para o conhecimento. O fil\u00f3sofo grego Arist\u00f3teles afirma que \u201cTodos os homens, por natureza, tendem ao saber\u201d (<em>metaf\u00edsica<\/em>, 980a, 20-24). A espl\u00eandida frase escrita por Arist\u00f3teles inicia um novo cap\u00edtulo na hist\u00f3ria da filosofia antiga, ainda de modo mais especial no que se diz respeito \u00e0 Metaf\u00edsica<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Uma frase, relativamente simples, aos olhos desatentos, mas que na verdade \u00e9 repleta de significados. Esta frase inicia o c\u00e9lebre livro intitulado <em>Metaf\u00edsica <\/em>de Arist\u00f3teles. Neste sentido, de modo sistem\u00e1tico, o ilustre disc\u00edpulo de Plat\u00e3o sinaliza com a frase a necessidade da qual todos os seres humanos s\u00e3o dotados, a saber: a necessidade de conhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fato importante acerca da filosofia aristot\u00e9lica \u00e9 de que \u201ca experi\u00eancia se limita ao dado, a arte vai al\u00e9m do dado e alcan\u00e7a o porqu\u00ea dele, a sua causa\u201d (Reale, 2002, p. 10). Essa distin\u00e7\u00e3o \u2013 entre conhecimento emp\u00edrico e investiga\u00e7\u00e3o racional &#8211; apresentada pelo filosofo grego \u00e9 not\u00f3ria no idealismo alem\u00e3o. Na <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura<\/em>, Kant ir\u00e1 estabelecer os limites para o conhecimento humano. Esse conhecimento que se d\u00e1 no tempo e no espa\u00e7o, al\u00e9m da necessidade da liberdade da raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo de K\u00f6nigsberg afirma que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>a raz\u00e3o tem de submeter-se \u00e0 cr\u00edtica em todos os seus empreendimentos, e n\u00e3o pode comprometer a liberdade desta, atrav\u00e9s de proibi\u00e7\u00f5es, sem prejudicar-se a si mesma e levantar uma suspeita desvantajosa contra si. E n\u00e3o h\u00e1 nada t\u00e3o importante, no que diz respeito \u00e0 sua utilidade, nem nada t\u00e3o sagrado, que pudesse eximir-se dessa inspe\u00e7\u00e3o de controle e exame que n\u00e3o leva em conta a reputa\u00e7\u00e3o das pessoas. Nessa liberdade est\u00e1 baseada a pr\u00f3pria exist\u00eancia da raz\u00e3o, que n\u00e3o tem uma autoridade ditatorial, e cuja senten\u00e7a, pelo contr\u00e1rio, nunca \u00e9 outra sen\u00e3o o livre consenso dos cidad\u00e3os, que t\u00eam de poder sempre, cada um deles, expressar tanto suas reservas como tamb\u00e9m seu veto em qualquer resist\u00eancia (<em>KrV<\/em>, B766-767).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Kant, portanto, afirma que a metaf\u00edsica deve ser ininterruptamente criticada pela raz\u00e3o. Portanto, n\u00e3o pode haver restri\u00e7\u00f5es para a investiga\u00e7\u00e3o racional, porque a pr\u00f3pria ess\u00eancia da raz\u00e3o \u00e9 a liberdade de se questionar em rela\u00e7\u00e3o ao dogmatismo. Em conformidade com a filosofia cr\u00edtica kantiana, percebe-se que a liberdade da raz\u00e3o se d\u00e1 quando ela se permite fazer e receber cr\u00edticas.&nbsp; Assim, a cr\u00edtica e a participa\u00e7\u00e3o de todos s\u00e3o fundamentais para a elabora\u00e7\u00e3o de um pensamento metaf\u00edsico robusto.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto fundamental na cr\u00edtica kantiana \u00e9 o direito sagrado da raz\u00e3o humana. De acordo com Immanuel Kant:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>a essa liberdade pertence tamb\u00e9m, portanto, a liberdade de oferecer ao julgamento p\u00fablico os pr\u00f3prios pensamentos e d\u00favidas, que n\u00e3o conseguimos solucionar por n\u00f3s mesmos, sem sermos acusados por isso de sermos cidad\u00e3os revoltosos ou perigosos. Isso j\u00e1 faz parte do direito origin\u00e1rio da raz\u00e3o humana, que n\u00e3o reconhece outro juiz sen\u00e3o a pr\u00f3pria raz\u00e3o humana universal, em que cada um tem sua voz; e como dela deve brotar todo melhoramento de que nosso estado \u00e9 capaz, tal direito \u00e9 sagrado e n\u00e3o pode ser restringido (KrV, B780).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo esse m\u00e9todo, Kant afirma que o limite do conhecimento est\u00e1 vinculado \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o e ao debate p\u00fablico. Esta afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 delimita\u00e7\u00e3o do pensar humano. Apesar de muitos fil\u00f3sofos e comentadores afirmarem que a <em>KrV <\/em>\u00e9 uma obra metaf\u00edsica ou pertencente \u00e0 teoria do conhecimento, nota-se que a liberdade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o fundante para o Estado e a \u00e9tica. Outro fato importante a ser ressaltado \u00e9 a necessidade de a raz\u00e3o continuar a exercer seu papel na filosofia kantiana, n\u00e3o s\u00f3 na \u00e9tica e na pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 metaf\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, Kant ainda afirmou que o conhecimento filosofia \u2013 metaf\u00edsica n\u00e3o pode ser conhecido como a matem\u00e1tica: \u201cdentre todas as ci\u00eancias (a priori) da raz\u00e3o, portanto, s\u00f3 se pode aprender a matem\u00e1tica, e nunca a filosofia (a n\u00e3o ser historicamente), ainda que, no que diz respeito \u00e0 raz\u00e3o, se possa \u2013 quando muito aprender a filosofar [&#8230;] s\u00f3 se pode aprender a <em>filosofar<\/em>\u201d <em>(KrV, B865). <\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, na filosofia kantiana, a cr\u00edtica deve ser instrumento constante em toda a reflex\u00e3o filos\u00f3fica. A metaf\u00edsica, sendo disposi\u00e7\u00e3o natural da raz\u00e3o, s\u00f3 poder\u00e1 desenvolver-se a partir de cr\u00edticas, questionamentos e debates p\u00fablicos, permitindo assim que a raz\u00e3o humana se desenvolva.<\/p>\n\n\n\n<p>RECONFIGURA\u00c7\u00c3O DA METAF\u00cdSICA A PARTIR DE IMMANUEL KANT<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez posto o problema da metaf\u00edsica a partir da cr\u00edtica apresentada por Kant, iremos a partir de agora apresentar como ele prop\u00f5e essa nova caracter\u00edstica da metaf\u00edsica. Dessa forma, percebemos que a nova tarefa atribu\u00edda pela reconfigura\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica \u00e9 necessidade de se voltar in\u00fameras vezes \u00e0 sobre o mesmo caminho, pois se percebe que n\u00e3o conduz at\u00e9 que ponto se quer chegar (<em>KrV<\/em>, B XIV-XV). Nota-se, portanto, que a raz\u00e3o n\u00e3o pode ser abolida ou ignorada, mas sim criticada. Destarte, a finalidade da metaf\u00edsica \u00e9 alcan\u00e7ar o uso leg\u00edtimo da raz\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a filosofia cr\u00edtica de Kant, nota-se a cr\u00edtica do dogmatismo e o limite do conhecimento. Segundo Kant,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>a raz\u00e3o humana tem peculiar destino, em um dos g\u00eaneros de seus conhecimentos, de ser atormentada por perguntas que n\u00e3o pode recusar, uma vez que lhe s\u00e3o dadas pela natureza da pr\u00f3pria raz\u00e3o, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o pode responder, posto ultrapassarem todas as faculdades da raz\u00e3o humana (<em>KrV<\/em>, A VII-VIII).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa crise apresentada por Kant no pref\u00e1cio A da <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura <\/em>se d\u00e1 pelo fato do fil\u00f3sofo alem\u00e3o fazer \u201crefer\u00eancia ao problema antin\u00f4mico, cuja origem reside na opera\u00e7\u00e3o de totaliza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es requeridas pelo conhecimento de experi\u00eancia efetuada pela raz\u00e3o\u201d (Figueiredo, 2016, p.53). Portanto, percebemos que a raz\u00e3o o guia para conflitos l\u00f3gicos, ou seja, esse conflito l\u00f3gico enreda em antinomias<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Assim, percebemos que a filosofia kantiana apresenta n\u00e3o s\u00f3 os conflitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s antinomias, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos dogmatismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, percebemos a finalidade da metaf\u00edsica kantiana e as in\u00fameras implica\u00e7\u00f5es que podem ser feitas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cr\u00edticas apresentadas pelo autor. Assim, segundo Kant, o \u201cc\u00e2none \u00e9 o conjunto completo dos princ\u00edpios <em>a priori <\/em>do uso correto de certas faculdades de conhecimento em geral\u201d (<em>KrV<\/em>, B 824). Dessa forma, pode-se \u201cexplicar a progress\u00e3o da raz\u00e3o para al\u00e9m da experi\u00eancia na qual ela busca encontrar um objeto para seu interesse especulativo\u201d (Figueiredo, 2016, p.64). Assim, a metaf\u00edsica antes de Immanuel Kant era entendida como conhecimento das coisas em si (como Deus, mundo, seres humanos, dentre outros). P\u00f3s Kant, percebemos a reviravolta da metaf\u00edsica. Dessa maneira, percebemos com o c\u00e2none da raz\u00e3o que a metaf\u00edsica \u00e9 reorientada, deixando assim de ser uma ci\u00eancia dogm\u00e1tica e tornando-se uma ci\u00eancia cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, ap\u00f3s a an\u00e1lise da <em>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura, <\/em>torna-se evidente que a discuss\u00e3o em torno da metaf\u00edsica consiste n\u00e3o apenas em definir o objeto de sua investiga\u00e7\u00e3o, mas sobretudo compreender os limites e as condi\u00e7\u00f5es de possibilidades da raz\u00e3o humana mediante as quest\u00f5es que s\u00e3o inevit\u00e1veis. Desse modo, a metaf\u00edsica, longe de ser ilimitada, revela-se como disposi\u00e7\u00e3o natural da raz\u00e3o humana. Assim, o esp\u00edrito humano \u00e9 constantemente impelido a interrogar-se sobre o incondicionado, em termos kantianos. Logo, somos impelidos a interrogar-se sobre as antinomias da raz\u00e3o, mesmo que n\u00e3o possamos dar respostas afirmativas sobre tais quest\u00f5es. Logo, Kant reconfigura a metaf\u00edsica, n\u00e3o a destruindo, mas lhe conferindo um novo estatuto epistemol\u00f3gico. Nota-se, portanto, que o fil\u00f3sofo de K\u00f6nigsberg est\u00e1 preocupado em deixar o dogmatismo que pretende conhecer o transcendente, e prop\u00f5e assim uma ci\u00eancia cr\u00edtica. Logo, Immanuel Kant afirma a necessidade de que o papel central da metaf\u00edsica \u00e9 estabelecer as condi\u00e7\u00f5es de possibilidade do conhecer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ARIST\u00d3TELES, <strong>Metaf\u00edsica<\/strong><em>. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o Marcelo Perine. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola: 2002. 2v<\/p>\n\n\n\n<p>KANT, Immanuel. <strong>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura<\/strong><em>. <\/em>Trad: Fernando Costa Mattos 4 e.d.&nbsp; Petr\u00f3polis: Vozes, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>KANT, Immanuel. <strong>Proleg\u00f3menos a Toda Metaf\u00edsica Futura<\/strong>. Trad: Artur Mour\u00e3o. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, [1783].&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CAYGILL, Howard. Autonomia. <em>In<\/em>: CAYGILL, Howard. <strong>Dicion\u00e1rio Kant<\/strong>. Ed. Tradu\u00e7\u00e3o: \u00c1lvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>FIGUEIREDO, Vin\u00edcius Berlendis de. Reflex\u00e3o na Cr\u00edtica da raz\u00e3o pura. <strong>Studia Kantiana<\/strong>, [S. l.], v. 14, n. 20, p. 51\u201377, 2016. DOI: 10.5380\/sk.v14i20.89098. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistas.ufpr.br\/studiakantiana\/article\/view\/89098. Acesso em: 26 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>COR\u00d4A, Pedro Paulo da Costa. Projeto Cr\u00edtico e o Romantismo de Novalis.&nbsp;<strong>Studia Kantiana<\/strong>,&nbsp;<em>[S. l.]<\/em>, v. 17, n. 2, p. 43\u201362, 2023. DOI: 10.5380\/sk.v17i2.89931. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.ufpr.br\/studiakantiana\/article\">https:\/\/revistas.ufpr.br\/studiakantiana\/article<\/a> \/view\/89931. Acesso em: 27 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>GAVER, C. Allgemeine deutsche Bibliothek. Berlin,1783. <strong>In: Rezensionen zur kantischen philosophie<\/strong>, 34-55. Edit. por Albert Landau. Bebra, Albert Landau Verlag, 1991. The Garve Review of the Critique of pure reason<strong>. In: Kant, Prolegomena to Any Future Metaphysics<\/strong>. Edit. e trad. para o ingl\u00eas por G\u00fcnter Z\u00f6ller. New York, Oxford University Press, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>HEIDEGGER, M. \u201cAnhang IV. Davoser Disputation zwischen Ernst Cassirer und Martin Heidegger\u201d. In: HEIDEGGER, M. <strong>Kant und das Problem der Metaphysik<\/strong>. Frankfurt: Vittorio Klostermann, 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>MATTOS, F. C. \u201cIntersubjetivismo versus subjetivismo? Algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a controv\u00e9rsia Habermas-Henrich a partir das \u2018Doze teses contra J\u00fcrgen Habermas\u2019\u201d, <strong>Cadernos de Filosofia Alem\u00e3<\/strong>, 14 (2009): 55-83.<\/p>\n\n\n\n<p>PASCAL, Georges. <strong>Compreender Kant<\/strong>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>REALE, Giovanni, <strong>Metaf\u00edsica: sum\u00e1rio e coment\u00e1rios<\/strong><em>. <\/em>S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola: 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, Paulo R. Licht dos. Algumas observa\u00e7\u00f5es sobre a Dial\u00e9tica Transcendental: o fim da Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura. <strong>Studia Kantiana<\/strong>, [S. l.], v. 6, n. 6\/7, p. 135\u2013179, 2008. DOI: 10.5380\/sk.v6i6\/7.88498. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistas.ufpr.br\/studiakantiana\/article\/view\/88498. Acesso em: 22 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>TREVISAN, Diego Kosbiau. Sentidos de metaf\u00edsica na filosofia cr\u00edtica de Kant.&nbsp;<strong>Studia Kantiana<\/strong>,&nbsp;<em>[S. l.]<\/em>, v. 12, n. 17, p. 104\u2013125, 2014. DOI: 10.5380\/sk.v12i17.88902. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistas.ufpr.br\/studiakantiana\/article\/view\/88902. Acesso em: 22 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Metaf\u00edsica: a palavra pode ser entendida com o sentido de \u201cpara al\u00e9m da f\u00edsica\u201d. Est\u00e1 palavra \u00e9 cunhada pelo descobridor desta obra. Arist\u00f3teles escreve a filosofia primeira, ou seja, a metaf\u00edsica, sendo organizada por Andr\u00f4nico de Rodes. O termo metaf\u00edsica surgiu com o decorrer da hist\u00f3ria apresentando em seu significado as realidades que est\u00e3o para al\u00e9m das realidades f\u00edsicas. Arist\u00f3teles deu quatro defini\u00e7\u00f5es \u00e0 metaf\u00edsica: \u201ca metaf\u00edsica indaga as causas e os princ\u00edpios primeiros ou supremos, o ser enquanto ser, a subst\u00e2ncia, Deus e a subst\u00e2ncia supra-sens\u00edvel\u201d (Reale, 2002, p. 179).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Antinomias da raz\u00e3o s\u00e3o \u201cuma forma ret\u00f3rica de apresenta\u00e7\u00e3o [&#8230;] na qual argumentos opostos s\u00e3o apresentados lado a lado. A forma foi largamente usada na jurisprud\u00eancia do s\u00e9culo XVII para assinalar as diferen\u00e7as entre leis decorrentes de choques entre jurisdi\u00e7\u00f5es legais. Kant usa na forma \u2018dial\u00e9tica\u2019 de cada uma das tr\u00eas cr\u00edticas como parte ess\u00eancias de sua an\u00e1lise de \u2018asser\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas\u2019. A forma \u00e9 apropriada para esse fim, dado que pode mostrar a raz\u00e3o fazendo refer\u00eancias opostas, mas, no entanto, igualmente justific\u00e1veis\u201d (Caygill, 2000, p.28).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Jaques Moreira Resumo: O presente artigo tem por objetivo apresentar uma an\u00e1lise do problema da metaf\u00edsica kantiana na Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura. Para tanto, a reflex\u00e3o inicial partir\u00e1 da inten\u00e7\u00e3o kantiana de elaborar uma filosofia cr\u00edtica. Em um segundo momento, ser\u00e1 examinado o estatuto da metaf\u00edsica na primeira cr\u00edtica kantiana. 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