{"id":2957,"date":"2025-12-09T20:31:06","date_gmt":"2025-12-09T23:31:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2957"},"modified":"2025-12-09T20:31:06","modified_gmt":"2025-12-09T23:31:06","slug":"a-taxa-de-mais-valor-e-o-mais-valor-nas-formas-absoluta-e-relativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=2957","title":{"rendered":"A TAXA DE MAIS-VALOR E O MAIS-VALOR NAS FORMAS ABSOLUTA E RELATIVA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Raimundo Julio da Silva Neto<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumo: <\/strong>O presente artigo analisa o conceito de mais-valor em Karl Marx, examinando sua taxa, seus fundamentos te\u00f3ricos e as duas formas cl\u00e1ssicas de sua extra\u00e7\u00e3o: o mais-valor absoluto e o mais-valor relativo. Partindo da distin\u00e7\u00e3o entre capital constante e capital vari\u00e1vel, bem como entre tempo de trabalho necess\u00e1rio e excedente, busca-se demonstrar como o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista organiza e intensifica a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Em seguida, s\u00e3o discutidos os mecanismos de prolongamento da jornada e de eleva\u00e7\u00e3o da produtividade, evidenciando como ambos constituem formas distintas de ampliar o mais-valor. O estudo mostra, ainda, que o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, longe de reduzir o trabalho humano, aprofunda sua subordina\u00e7\u00e3o ao capital. Pretende-se concluir que a an\u00e1lise marxiana desvela a l\u00f3gica interna do capitalismo, cuja base permanece a apropria\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do trabalho n\u00e3o pago.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Karl Marx; mais-valor; explora\u00e7\u00e3o; capital vari\u00e1vel; produtividade; trabalho necess\u00e1rio; capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise marxiana do mais-valor ocupa posi\u00e7\u00e3o central na cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, pois revela o mecanismo pelo qual o capital se valoriza mediante a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Compreender a taxa de mais-valor e suas formas de extra\u00e7\u00e3o constitui, portanto, tarefa fundamental para o estudo do funcionamento do capitalismo. O mais-valor decorre da diferen\u00e7a entre o valor total produzido pelo trabalhador e o valor que ele recebe como equivalente por sua for\u00e7a de trabalho. Essa diferen\u00e7a, apropriada pelo capitalista, \u00e9 express\u00e3o objetiva do processo de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para desenvolver essa compreens\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio distinguir entre capital constante e capital vari\u00e1vel, bem como entre tempo de trabalho necess\u00e1rio e excedente. O capital constante nada acrescenta ao valor final do produto: m\u00e1quinas, ferramentas e mat\u00e9rias-primas apenas transferem o valor j\u00e1 existente. O capital vari\u00e1vel, ao contr\u00e1rio, corresponde ao valor investido na compra da for\u00e7a de trabalho, sendo a \u00fanica parte do capital capaz de gerar novo valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento essencial da an\u00e1lise reside na distin\u00e7\u00e3o entre grandeza absoluta e proporcional do mais-valor, o que permite a Marx formular a taxa de mais-valor como a rela\u00e7\u00e3o entre o mais-valor produzido e o capital vari\u00e1vel despendido. Assim, a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende de uma troca desigual, mas do funcionamento intr\u00ednseco do processo produtivo, que faz com que o trabalhador produza, al\u00e9m do valor necess\u00e1rio \u00e0 sua pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o, um excedente apropriado pelo capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, Marx distingue duas formas pelas quais o capital amplia o mais-valor: o mais-valor absoluto, obtido mediante o prolongamento da jornada de trabalho, e o mais-valor relativo, decorrente do aumento da produtividade e da redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho necess\u00e1rio. Ambas as formas estruturam a l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o capitalista e revelam as contradi\u00e7\u00f5es inerentes ao sistema, nas quais os avan\u00e7os t\u00e9cnicos n\u00e3o se traduzem em menor tempo de trabalho para o trabalhador, mas em maior intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, o presente artigo analisa cada uma dessas dimens\u00f5es, articulando os fundamentos te\u00f3ricos expostos por Marx com sua advert\u00eancia sobre o car\u00e1ter contradit\u00f3rio do desenvolvimento capitalista. Ao cabo, argumenta-se que tais categorias permanecem essenciais para compreender o capitalismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. A taxa de mais-valor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise da taxa de mais-valor parte da compreens\u00e3o de que o mais-valor<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> n\u00e3o surge da circula\u00e7\u00e3o nem de uma troca desigual entre equivalentes, mas do pr\u00f3prio processo de produ\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, Marx destaca que o valor do mais-valor pode ser expresso de duas maneiras: como grandeza absoluta e como grandeza proporcional. A grandeza absoluta corresponde ao montante excedente produzido, ao passo que a grandeza proporcional expressa a rela\u00e7\u00e3o entre esse excedente e o capital vari\u00e1vel<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> adiantado.<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo formula essa taxa da seguinte maneira: \u201cO valor de \u00a390 = m expressa, aqui, a grandeza absoluta do mais-valor produzido, mas sua grandeza proporcional [&#8230;] \u00e9 expressa em m\/v. [&#8230;] Essa valoriza\u00e7\u00e3o proporcional do capital vari\u00e1vel [&#8230;] denomino taxa de mais-valor\u201d (Marx, 2013, p. 292).<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s dessa rela\u00e7\u00e3o, Marx demonstra que a taxa de mais-valor constitui a medida do grau de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Isso porque o trabalhador, durante uma parte da jornada, produz apenas o equivalente ao valor de sua for\u00e7a de trabalho \u2015 o tempo de trabalho necess\u00e1rio \u2015 e, na parte excedente, gera valor apropriado pelo capitalista. O m\u00e9todo de c\u00e1lculo \u00e9 explicitado pelo pensador: \u201cTomamos o valor total do produto e igualamos a zero o capital constante [&#8230;]. Estando dado o mais-valor, temos ent\u00e3o de deduzi-lo desse produto de valor, a fim de encontrarmos o capital vari\u00e1vel\u201d (Marx, 2013, p. 294-295).<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, Marx distingue capital constante (c) e capital vari\u00e1vel (v). O primeiro representa os meios de produ\u00e7\u00e3o, que apenas transferem valor; o segundo representa a for\u00e7a de trabalho, que cria novo valor. Assim, apenas o capital vari\u00e1vel \u00e9 fonte do mais-valor.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais-valor, portanto, consiste na diferen\u00e7a entre o valor total produzido e o valor correspondente ao trabalho necess\u00e1rio. Nesse sentido, Marx (2013, p. 294) sintetiza a rela\u00e7\u00e3o entre trabalho necess\u00e1rio, mais-trabalho e explora\u00e7\u00e3o: \u201cA taxa de mais-valor \u00e9 a express\u00e3o exata do grau de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho pelo capital\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse c\u00e1lculo revela que a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 resultado de injusti\u00e7a individual, mas da forma social de produ\u00e7\u00e3o que faz com que o trabalhador produza mais do que recebe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. O mais-valor absoluto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mais-valor absoluto constitui a forma mais imediata e historicamente prim\u00e1ria de extra\u00e7\u00e3o do trabalho excedente que o trabalhador produz. Ele se baseia fundamentalmente no prolongamento da jornada de trabalho para al\u00e9m do tempo necess\u00e1rio \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Marx define da seguinte forma: \u201cA extens\u00e3o da jornada de trabalho [&#8230;] e a apropria\u00e7\u00e3o desse mais-trabalho pelo capital \u2013 nisso consiste a produ\u00e7\u00e3o do mais-valor absoluto\u201d (Marx, 2023, p. 578).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, n\u00e3o se exige inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ou reorganiza\u00e7\u00e3o produtiva: basta que o trabalhador permane\u00e7a mais tempo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do capital. Assim, a explora\u00e7\u00e3o repousa sobre o simples aumento da dura\u00e7\u00e3o do processo de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais-valor absoluto explica o conflito permanente entre trabalhadores e capitalistas, j\u00e1 que estes buscam estender a jornada ao m\u00e1ximo, enquanto aqueles lutam para reduzi-la. Como Marx (2023, p. 597) salienta: \u201cO limite absoluto para a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho \u00e9, nesse sentido, a generaliza\u00e7\u00e3o do trabalho. Na sociedade capitalista, produz-se tempo livre para uma classe transformando todo o tempo de vida das massas em tempo de trabalho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O prolongamento da jornada adquire, por isso, car\u00e1ter estrutural no capitalismo, sendo refor\u00e7ado pela subsun\u00e7\u00e3o formal do trabalho ao capital, isto \u00e9, pela simples transforma\u00e7\u00e3o de produtores independentes em trabalhadores assalariados submetidos ao comando do capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, podemos concluir que o mais-valor absoluto \u00e9 fundamentalmente da ordem do prolongamento da jornada de trabalho, como afirma Marx (2023, p. 274): \u201cTal como antes, o mais-valor resulta apenas de um excedente quantitativo de trabalho, da dura\u00e7\u00e3o prolongada do mesmo processo de trabalho [&#8230;]\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. O mais-valor relativo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mais-valor relativo diferencia-se do absoluto por n\u00e3o depender da amplia\u00e7\u00e3o da jornada. Ele resulta da redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho necess\u00e1rio por meio do aumento da produtividade. Assim, mantendo-se constante a dura\u00e7\u00e3o da jornada, a parte apropriada pelo capitalista aumenta<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Acerca dessa rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 enfatizado que: \u201cA propor\u00e7\u00e3o entre trabalho necess\u00e1rio e mais-trabalho [&#8230;] que nas condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dias \u00e9 de 5 para 1, \u00e9 agora de 5 para 3\u201d (Marx, 2023, p. 392).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa redu\u00e7\u00e3o do tempo necess\u00e1rio decorre da queda do valor da for\u00e7a de trabalho quando os bens de consumo do trabalhador passam a exigir menos tempo m\u00e9dio de trabalho para serem produzidos. O capitalista, ao introduzir m\u00e9todos mais produtivos, diminui o valor desses bens, reduzindo indiretamente o sal\u00e1rio necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Marx explica: \u201cO prolongamento do mais-trabalho tem de resultar da redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho necess\u00e1rio\u201d (Marx, 2023, p. 389). &nbsp;O mais-valor relativo depende do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. Embora tecnicamente pudesse reduzir o trabalho humano, na realidade converte-se em maior explora\u00e7\u00e3o. Essa aparente contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 demonstrada como:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o capitalista, portanto, a economia do trabalho por meio do desenvolvimento de sua for\u00e7a produtiva n\u00e3o visa em absoluto a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Seu objetivo \u00e9 apenas a redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho necess\u00e1rio para a produ\u00e7\u00e3o de determinada quantidade de mercadorias (Marx, 2023, p. 395).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em consequ\u00eancia, o progresso t\u00e9cnico n\u00e3o emancipa o trabalhador do seu labor; pelo contr\u00e1rio, intensifica sua explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto analisado por Marx \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre valor individual e valor social. Se o capitalista produz com maior produtividade, seu valor individual cai, mas ele pode vender sua mercadoria pelo valor social, realizando mais-valor adicional:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Suponhamos que 10 horas sejam o tempo de trabalho necess\u00e1rio, 5 xelins o valor di\u00e1rio da for\u00e7a de trabalho, 2 horas o tempo de mais-trabalho e 1 xelim o mais-valor produzido diariamente. Mas nosso capitalista produz agora 24 pe\u00e7as, que ele vende a 10 <em>pence<\/em> cada uma, ou por um valor total de 20 xelins. Como o valor dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de 12 xelins, 14\u00b2\/5 pe\u00e7as da mercadoria apenas rep\u00f5em o capital constante adiantado. A jornada de trabalho de 12 horas se representa nas 9\u00b3\/5 pe\u00e7as restantes (Marx, 2023, p. 392).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim, ao produzir 24 pe\u00e7as em vez de 12, o capitalista consegue que uma parte das mercadorias apenas rep\u00f5e o capital constante (meios de produ\u00e7\u00e3o), enquanto a outra parte representa o trabalho excedente, isto \u00e9, o mais-trabalho. Desse modo, mesmo que o valor total criado na jornada permane\u00e7a o mesmo, ele se distribui sobre mais produtos, aumentando a quantidade de mercadorias que incorpora mais-valor e promove a expans\u00e3o do mais-valor relativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, a concorr\u00eancia obriga outros capitalistas a adotar o mesmo m\u00e9todo, transformando o aumento de produtividade em mecanismo geral de eleva\u00e7\u00e3o do mais-valor relativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise empreendida permite compreender que a taxa de mais-valor e suas formas de extra\u00e7\u00e3o constituem o n\u00facleo da cr\u00edtica de Marx ao capitalismo. A distin\u00e7\u00e3o entre capital constante e capital vari\u00e1vel e entre tempo necess\u00e1rio e excedente revela que a for\u00e7a de trabalho \u00e9 a \u00fanica fonte de novo valor. A taxa de mais-valor expressa objetivamente o grau de explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como injusti\u00e7a moral, mas como rela\u00e7\u00e3o estrutural do modo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais-valor absoluto demonstra a centralidade do tempo de trabalho para o capital, que busca prolongar indefinidamente a jornada. J\u00e1 o mais-valor relativo mostra que os avan\u00e7os da produtividade n\u00e3o resultam em tempo livre para o trabalhador, mas ampliam o mais-trabalho. Portanto, ambos os mecanismos convergem para aprofundar a subordina\u00e7\u00e3o do trabalhador ao capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, a an\u00e1lise marxiana exp\u00f5e que, sob a aparente neutralidade t\u00e9cnica e econ\u00f4mica, o capitalismo organiza o tempo de vida de forma a maximizar a apropria\u00e7\u00e3o de trabalho n\u00e3o pago. Por isso, compreender as formas do mais-valor \u00e9 compreender o fundamento da acumula\u00e7\u00e3o capitalista e suas contradi\u00e7\u00f5es internas. Tais categorias mant\u00eam plena atualidade para interpretar o capitalismo contempor\u00e2neo, no qual a explora\u00e7\u00e3o assume novas formas, mas permanece estruturada na l\u00f3gica do mais-valor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>MARX, Karl. <strong>O capital<\/strong>: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica: o processo de produ\u00e7\u00e3o do capital: livro I<em>.<\/em> Trad. Rubens Enderle. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>HEINRICH, Michael. <strong>Introdu\u00e7\u00e3o ao capital de Karl Marx<\/strong><em>. <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o de C\u00e9sar Mortari Barreira; Revis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o Guilherme Leite Gon\u00e7alves. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>TEIXEIRA, Adriano Lopes Almeida. Mais-Valia ou Mais-Valor?.&nbsp;<strong>Revista Economia Ensaios<\/strong>, Uberl\u00e2ndia, Minas Gerais, Brasil, v. 34, n. 2, 2020. DOI:&nbsp;10.14393\/REE-v34n2a2020-45288. Dispon\u00edvel em:&nbsp;https:\/\/seer.ufu.br\/index.php\/revistaeconomiaensaios\/article\/view\/45288. Acesso em: 25 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Esse termo (Mehrwert) foi traduzido como: \u201cmais-valor\u201d nesta edi\u00e7\u00e3o da Boitempo utilizada. Embora n\u00e3o altere o sentido do conceito empregado por Marx, essa tradu\u00e7\u00e3o gerou intenso debate entre os autores marxistas brasileiros. Assim, segundo Teixeira (2020, p. 226-227): \u201cRecentemente, M\u00e1rio Duayer, um conhecido estudioso da obra de Marx no Brasil, pretendeu encerrar uma pol\u00eamica ao sugerir a interdi\u00e7\u00e3o do debate em torno de uma dessas quest\u00f5es aparentemente de menor porte. Trata-se da substitui\u00e7\u00e3o da conhecida tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua portuguesa do termo alem\u00e3o <em>Mehrwert<\/em>, a saber, <em>mais<\/em>&#8211;<em>valia<\/em>, pela express\u00e3o <em>mais<\/em>&#8211;<em>valor<\/em>. [&#8230;] Por esse ponto de vista, a estrada te\u00f3rica que conduz \u00e0 <em>mais<\/em>&#8211;<em>valia<\/em> estaria interditada, pois, segundo ele, \u2018uma vez que n\u00e3o \u00e9 tradu\u00e7\u00e3o literal de \u2018Mehrwert\u2019, o uso de \u2018mais-valia\u2019 teria de ser justificado teoricamente. Essa tarefa \u00e9 imposs\u00edvel\u2019. E assim, ter\u00edamos chegado ao fim da hist\u00f3ria da express\u00e3o <em>mais<\/em>&#8211;<em>valia<\/em>. Um sentimento n\u00e3o confessado, uma mistura de inc\u00f4modo com constrangimento, surgiu entre alguns marxistas (e tamb\u00e9m entre estudiosos de Marx) no Brasil. [&#8230;] Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos recursos estil\u00edsticos de Marx, foi pelo encontro casual com um texto liter\u00e1rio daquele teor, que me surgiu a motiva\u00e7\u00e3o para enfrentar um desses maneirismos que vez ou outra amea\u00e7am, bem ou mal, tradi\u00e7\u00f5es consolidadas, e que, no caso em quest\u00e3o, consiste em substituir na literatura marxista o \u2018defeituoso\u2019 termo <em>mais<\/em>&#8211;<em>valia<\/em> pelo \u2018<em>virtuoso\u2019<\/em> <em>mais<\/em>&#8211;<em>valor\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Para esclarecem ainda mais o capital vari\u00e1vel, \u00e9 enfatizado que: \u201cA parte do capital utilizada para pagar sal\u00e1rios \u00e9 denominada por Marx <em>capital vari\u00e1vel<\/em> (v), cujo valor se altera durante o processo de produ\u00e7\u00e3o\u201d (Heinrich 2024, p. 111).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, sob a jornada de trabalho fixa e o aumento da explora\u00e7\u00e3o de mais-valor relativo, muito presente nos dias atuais, apresentamos a seguinte pesquisa feita pelo Instituto ILAESE em 2021, na qual foram analisadas 250 empresas mais exploradoras da for\u00e7a de trabalho no Brasil. A pesquisa em quest\u00e3o utiliza a seguinte estrutura metodol\u00f3gica: \u201c[&#8230;] utilizar o estudo e a cr\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas presentes na obra principal de Marx, O Capital, como eixo ordenador da an\u00e1lise dos dados emp\u00edricos. Tal obra possibilita significar o arsenal de n\u00fameros abstratos e vazios com que o capital se expressa\u201d (Machado, 2021, p. 5). Dessa forma: \u201cA taxa de explora\u00e7\u00e3o indica a divis\u00e3o da riqueza produzida pela empresa entre os propriet\u00e1rios e os trabalhadores. Assim, uma taxa de explora\u00e7\u00e3o de 100% significa que, do total de valor agregado \u00e0s mercadorias ou aos servi\u00e7os vendidos, metade foi apropriada pelos trabalhadores e a outra metade apropriada gratuitamente pelos propriet\u00e1rios da empresa e\/ou Estado\u201d (ILAEESE, 2021, p.27). Para se ter uma no\u00e7\u00e3o disso, a pesquisa mostra: \u201cA SALOBO, pertencente a VALE S.A., com opera\u00e7\u00f5es localizadas na mina de cobre em Maraba-PA, foi a campe\u00e3 da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em 2020. A taxa de explora\u00e7\u00e3o foi de 2.232%. Isto significa que o trabalhador paga seu pr\u00f3prio sal\u00e1rio em 21 minutos de uma jornada de trabalho de 8 horas,. O resultado de 7 horas e 39 minutos de seu trabalho n\u00e3o lhe pertence, est\u00e1 fora de seu controle e usufruto\u201d (ILAEESE, 2021, p. 27).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raimundo Julio da Silva Neto Resumo: O presente artigo analisa o conceito de mais-valor em Karl Marx, examinando sua taxa, seus fundamentos te\u00f3ricos e as duas formas cl\u00e1ssicas de sua extra\u00e7\u00e3o: o mais-valor absoluto e o mais-valor relativo. Partindo da distin\u00e7\u00e3o entre capital constante e capital vari\u00e1vel, bem como entre tempo de trabalho necess\u00e1rio e &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[595,599],"tags":[603,601,600,604],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"post-2957","6":"format-standard","7":"category-raimundo-julio-da-silva-neto","8":"category-raimundo-julio-da-silva-neto-2","9":"post_tag-capital-variavel","10":"post_tag-exploracao","11":"post_tag-karl-marx","12":"post_tag-produtividade"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2957","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2957"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2957\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2958,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2957\/revisions\/2958"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}