{"id":329,"date":"2009-06-13T07:00:59","date_gmt":"2009-06-13T10:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=329"},"modified":"2009-06-13T07:00:59","modified_gmt":"2009-06-13T10:00:59","slug":"a-politica-na-perspectiva-hobbesiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=329","title":{"rendered":"A pol\u00edtica na perspectiva hobbesiana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Vanderlei Guimar\u00e3es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Desde os tempos mais antigos j\u00e1 se fala na pol\u00edtica, em v\u00e1rios seguimentos da\u00a0 sociedade. Ela como parte primordial para o crescimento da cidade, j\u00e1 que a palavra pol\u00edtica vem de \u201c<em>polis<\/em>\u201d que no grego significa \u201c<em>Cidade<\/em>\u201d sendo esta o significado etimol\u00f3gico da palavra. Por outro lado, percebe-se que a pol\u00edtica pode ser definida como a \u201c<em>arte de governar<\/em>\u201d, como j\u00e1 dizia Plat\u00e3o ao tratar da pol\u00edtica na sua obra \u201c<em>A rep\u00fablica<\/em>\u201d.Mas\u00a0 no decorrer da hist\u00f3ria outras defini\u00e7\u00f5es surgiram, pois essa palavra pode ser atua\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica, a busca pelo poder, a for\u00e7a e a persuas\u00e3o. No meio,\u00a0 filos\u00f3fico, v\u00e1rios fil\u00f3sofos tratam do assunto, tendo como expoentes Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles. No per\u00edodo moderno, depara-se com fil\u00f3sofos como Maquiavel, que em sua obra \u201c<em>O<\/em> <em>pr\u00edncipe<\/em>\u201d versa sobre pol\u00edtica. A sua pol\u00edtica subverte a pol\u00edtica grega, para Ele o individuo precisava da arte para conquistar o poder. Mas como Maquiavel, Locke e outros, a figura de Thomas Hobbes torna-se representativa para a modernidade no \u00e2mbito pol\u00edtico. Ele nasceu em 1588, em uma fam\u00edlia pobre, mas como o apoio da nobreza conseguiu a estudar e sobressaiu se bem. Foi defensor \u00e1rduo do poder absoluto.Morreu em 1679. E \u00e9 com o pensamento Hobbeseano que segue a reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Thomas Hobbes v\u00ea o homem como uma m\u00e1quina. Isso \u00e9 uma arte, e sendo arte, pode ir mais longe, criando assim, o \u201c<em>Grande Leviat\u00e3 que se chama estado, ou cidade, (em latim Civitas)<\/em>\u201d (HOBBES, <em>Leviat\u00e3<\/em>, introdu\u00e7\u00e3o). Esse leviat\u00e3, segundo Hobbes \u00e9 considerado como um \u201c<em>Homem Artificial<\/em>\u201d, ou seja, algu\u00e9m que possui uma for\u00e7a maior, comparada a um homem normal, e que a este \u00e9 confiado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. O Leviat\u00e3\u00a0 pode\u00a0 ser entendido por estado ou cidade. Hobbes para explicar o estado diz que ele \u00e9 compar\u00e1vel ao homem, pois assim como homem possui suas partes no corpo para que este funcione bem, o estado tamb\u00e9m o tem. Sendo assim, a soberania \u00e9 assimilada como uma alma artificial, que movimenta o corpo (estado), os magistrados e funcion\u00e1rios como se fossem as \u201c<em>juntas artificiais<\/em>\u201d, a riqueza e a prosperidade como \u201c\u2018<em>salus populi\u2019 (a for\u00e7a do povo)\u201d<strong>.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os pensadores do s\u00e9culo XVII preocupam trazer uma justificativa racional para que\u00a0 o estado seja leg\u00edtimo e para\u00a0 que o poder n\u00e3o seja colocado sob a prote\u00e7\u00e3o divina, por isso Hobbes prop\u00f5e a organiza\u00e7\u00e3o do estado n\u00e3o como em sua origem, mas como no seu ato, \u201c<em>raisond\u2019 etr\u00ea (raz\u00e3o de ser)\u201d<\/em> (ARANHA, <em>Filosofando<\/em>, p.220). Para que este estado seja de fato organizado, faz-se necess\u00e1rio que os indiv\u00edduos rompam barreiras, pois \u00e9 preciso que se v\u00e1 al\u00e9m do estado de natureza, j\u00e1 que no mesmo, todas as pessoas s\u00e3o livres, todos tem direito a tudo. Essa liberdade traz inseguran\u00e7a, aus\u00eancia de paz, fazendo com que os homens entrem em conflitos entre si, e que um comece,\u00a0 a devorar o outro, para obter suas necessidades.Nessa desordem o homem viveria\u00a0 em uma guerra constante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">N\u00e3o sendo poss\u00edvel o homem viver plenamente no estado de natureza, Hobbes prop\u00f5e\u00a0 a sociabilidade por um m\u00e9todo artificial. A cria\u00e7\u00e3o desse m\u00e9todo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel mediante ao medo, ao grande desejo\u00a0 de paz. Com esses ensejos forma se um estado social, com uma\u00a0 regulamenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. De acordo com Hobbes essa regulamenta\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por uma ordem, denominada contrato.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para facilitar um estado forte e que seja capaz de orientar e proteger os indiv\u00edduos \u00e9 preciso que cada membro transfira para o estado,\u00a0 todos os seus direitos. Sendo assim, a pessoa fica a merc\u00ea do estado e, em troca recebe a prote\u00e7\u00e3o de si e de seus bens. Hobbes apresenta o poder soberano como absoluto, para ele o poder do estado esta acima de tudo. Esse poder \u00e9 ilimitado, por isso ele n\u00e3o ser\u00e1 acusado de abuso, pois se n\u00e3o h\u00e1 limite\u00a0 n\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m abuso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Percebe-se que para uma cidade-estado seja completamente organizada, o pacto\u00a0 que Hobbes menciona \u00e9 de suma import\u00e2ncia.Mas um fator\u00a0 important\u00edssimo precisa ser observado, para que este pacto seja respeitado por todos. Ao contr\u00e1rio ele nada vale, este respeito tem que ser concretizado, pois o inverso seria o estado de natureza e assim a guerra seria favorecida. \u00c9 percept\u00edvel que a responsabilidade de agir e governar \u00e9 do soberano, mas o individuo tem grande parcela de responsabilidade tamb\u00e9m, porque ele precisa aceitar as decis\u00f5es do poder maior, j\u00e1 que a ele foi confiado o compromisso de zelar por todos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o do estado pol\u00edtico que Hobbes menciona, demonstra tr\u00eas tipos de sistemas governamentais: a monarquia: o governo \u00e9 confiado a uma pessoa; a democracia: A representatividade se d\u00e1 por uma assembl\u00e9ia em que todas as decis\u00f5es tomadas s\u00e3o em conjunto. O sistema de governo em que as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em parte de uma assembl\u00e9ia \u00e9 chamada de Aristocracia. Cada forma de governo possui sua forma pr\u00f3pria, mas todos possuem algo em comum que \u00e9 <em>\u201c&#8230;capacidade para garantir a paz e a seguran\u00e7a do povo, fim para o qual foram constitu\u00eddos\u201d<\/em> (HOBBES, <em>Leviat\u00e3<\/em>, p.119)<em> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entender o processo pol\u00edtico Hobbeseano atualmente nos d\u00e1 margem para um questionamento, pois na vis\u00e3o de Hobbes\u00a0 o estado deve cuidar\u00a0 de cada individuo. Na atual conjuntura pol\u00edtica isso acontece? Todos os indiv\u00edduos recebem a mesma a aten\u00e7\u00e3o? O sistema de governo existente \u00e9 democracia, cada individuo deposita no representante e sua assembl\u00e9ia\u00a0 a responsabilidade de legislar\u00a0 em favor de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas tendo em vista o interesse particular dos governantes, a igualdade n\u00e3o \u00e9 saciada, isso demonstra falta de car\u00e1ter\u00a0 por parte de alguns que est\u00e3o no poder. Uma outra vis\u00e3o que pode ser analisada \u00e9 que para Hobbes o povo n\u00e3o podia contestar contra o estado. Na pol\u00edtica contempor\u00e2nea como o governo n\u00e3o atende a necessidade de todos, surgem margens para contesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ratificar o cen\u00e1rio pol\u00edtico, tendo como modelo\u00a0 uma pol\u00edtica que oferece a todos o devido direito, \u00e9 de grande valia, pois j\u00e1 dizia Hobbes\u00a0 se o individuo transfere\u00a0 seus direitos para o estado, o estado tem por compromisso garantir a ele qualidade de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ARANHA, Maria L. A.; MARTINS, Maria H. P. <em>Filosofando:<\/em> Introdu\u00e7\u00e3o a Filosofia. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Moderna 1999.<br \/>\nHOBBES, Thomas: <em>Leviat\u00e3. <\/em>Trad. J. P. Monteiro, M. B. N. da Silva. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1974. (Os Pensadores)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vanderlei Guimar\u00e3es &nbsp; Desde os tempos mais antigos j\u00e1 se fala na pol\u00edtica, em v\u00e1rios seguimentos da\u00a0 sociedade. Ela como parte primordial para o crescimento da cidade, j\u00e1 que a palavra pol\u00edtica vem de \u201cpolis\u201d que no grego significa \u201cCidade\u201d sendo esta o significado etimol\u00f3gico da palavra. 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