{"id":41,"date":"2009-03-17T23:51:16","date_gmt":"2009-03-18T02:51:16","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=41"},"modified":"2009-03-17T23:51:16","modified_gmt":"2009-03-18T02:51:16","slug":"deus-esta-morto-o-anuncio-nietzschiano-como-critica-a-modernidade-jose-marcio-carlos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=41","title":{"rendered":"\u201cDeus est\u00e1 morto\u201d: o an\u00fancio Nietzschiano como cr\u00edtica \u00e0 modernidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Jos\u00e9 M\u00e1rcio Carlos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Percebe-se que estudar e trabalhar um determinado tema requer certo aprofundamento e empenho, principalmente quando este est\u00e1 vinculado ao conjunto de temas de Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900). Fil\u00f3sofo muito estudado, visto que suas reflex\u00f5es filos\u00f3ficas, al\u00e9m de profundas, inquietam muito as estruturas humanas, em especial aquelas que se referem \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Como tema proposto para este trabalho, foi escolhido a quest\u00e3o da morte de Deus. Quest\u00e3o esta muito discutida nos dias atuais, uma vez que, at\u00e9 ent\u00e3o, Deus era visto como o fundamento e sentido de todas as coisas existentes. No entanto, uma vez que o tal quest\u00e3o \u00e9 ampla e pode ser refletida em v\u00e1rias vers\u00f5es, buscar-se-\u00e1 refletir tal assunto a partir do fragmento de uma de suas obras: a <em>Gaia ci\u00eancia<\/em>. O objetivo \u00e9 constatar e refletir o an\u00fancio de Nietzsche da morte de Deus e apontar a grande causa deste, ou seja, a modernidade e suas novas perspectivas para o pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1. \u201cDeus est\u00e1 morto\u201d: pressupostos hist\u00f3ricos causadores do an\u00fancio Nietzschiano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A express\u00e3o \u201cDeus est\u00e1 morto\u201d \u00e9 uma famosa afirma\u00e7\u00e3o Nietzschiana que levou muitas pessoas a pensarem e refletirem tal quest\u00e3o. Entretanto, para que este an\u00fancio pudesse acontecer era necess\u00e1rio que houvesse uma causa bem relevante que, de fato, motivasse Nietzsche a proclamar tal express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, para que haja um entendimento e uma compreens\u00e3o do \u201cpor que\u201d Nietzsche tomou a atitude de declarar Deus como morto, \u00e9 necess\u00e1rio, ent\u00e3o, descobrir a causa que gerou tal ousadia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nietzsche \u00e9 pensador e filho de seu tempo. Durante o seu processo de investiga\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o filos\u00f3fica da realidade como um todo, ele constata que com o surgimento de um novo contexto hist\u00f3rico, ou seja, o in\u00edcio e nascimento da modernidade, esta come\u00e7a a manifestar e propagar certas caracter\u00edsticas (modernas) que tendem a vir com um esp\u00edrito de repulsa \u00e0s quest\u00f5es ligadas \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>Onde tem origem, segundo Nietzsche, a modernidade? Nos fil\u00f3sofos iluministas do s\u00e9culo XVIII e sua cr\u00edtica da tradi\u00e7\u00e3o e da autoridade; na filosofia de Kant, que estabelece os limites do conhecimento e a impossibilidade de o homem conhecer o supra\u2013sens\u00edvel, a coisa-em-si; na ci\u00eancia positiva, que se torna independente da teologia; na revolu\u00e7\u00e3o Francesa e sua defesa das \u201cid\u00e9ias modernas\u201d de igualdade, liberdade e fraternidade; na arte rom\u00e2ntica que demonstra simpatia pelo que \u00e9 sofredor, infeliz e doentio. (MACHADO, Deus, Homem, Super-homem, p. 21-2)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">R\u00fcdiger Safranski, para confirmar ainda mais esta hip\u00f3tese de que a modernidade \u00e9 a grande incentivadora do an\u00fancio da morte de Deus, constata caracter\u00edsticas que confirmam tal afirma\u00e7\u00e3o. E estas s\u00e3o: as ci\u00eancias est\u00e3o avan\u00e7ando. O mundo \u00e9 explicado por \u201cleis\u201d mec\u00e2nicas e energ\u00e9ticas. N\u00e3o se procura mais significado e sentido, mas sim como tudo funciona, como se pode entender e utilizar os modos de funcionamento. A campanha de Darwin habituou o p\u00fablico \u00e0 id\u00e9ia da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, o qual diz que n\u00e3o existe uma evolu\u00e7\u00e3o da vida seguindo um objetivo certo, mas acasos da muta\u00e7\u00e3o e a lei da j\u00e2ngal da sele\u00e7\u00e3o determinando o processo da hist\u00f3ria natural (SAFRANSKI, <em>Nietzsche<\/em>, p. 281).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enfim, o que se percebeu a partir do s\u00e9culo XVIII e, principalmente, do s\u00e9culo XIX \u00e9 que Deus perdeu a sua import\u00e2ncia n\u00e3o s\u00f3 para a natureza, mas tamb\u00e9m para a sociedade, a hist\u00f3ria e o indiv\u00edduo. Na segunda metade do s\u00e9culo XIX podia se perceber a sociedade e a hist\u00f3ria como algo que se pode entender em si mesmo e explicar. Sendo assim, a conclus\u00e3o chegada era a de que a hip\u00f3tese de Deus tinha se tornado sup\u00e9rflua (ib.).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1.1. O an\u00fancio da morte de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Percebe-se que \u00e9 atrav\u00e9s da modernidade que se deve procurar o sentido da express\u00e3o: \u201cDeus est\u00e1 morto\u201d. Entretanto, n\u00e3o se deve confundir esta express\u00e3o como uma propaga\u00e7\u00e3o de um ate\u00edsmo ou propriamente falando de uma doutrina de Nietzsche (MACHADO, op.cit., p.22). O seu \u201cobjetivo, no entanto, n\u00e3o est\u00e1 em querer provar ou negar a exist\u00eancia de Deus, como fazem os ateus, uma vez que o pensamento Nietzschiano n\u00e3o tem uma preocupa\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica, mas quer aqui, mostrar como e porqu\u00ea surgiu e desapareceu a cren\u00e7a em que haveria um Deus\u201d (GOMES, <em>Uma leitura do niilismo nietzschiano&#8230;<\/em>, p. 168).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esta express\u00e3o na obra de Nietzsche apresenta v\u00e1rias vers\u00f5es. Contudo, uma das mais importantes \u00e9 o aforismo 125 da <em>Gaia ci\u00eancia<\/em>, uma vez que \u00e9 \u201co primeiro texto expl\u00edcito de Nietzsche sobre a quest\u00e3o\u201d (MACHADO, op. cit, p. 22). O fragmento no que h\u00e1 um desenvolvimento de tal acontecimento constatado est\u00e1 intitulado \u201cO homem louco\u201d (\u201cO insensato\u201d em outras tradu\u00e7\u00f5es). Nele Nietzsche come\u00e7a dizendo o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>N\u00e3o ouviram falar daquele homem louco que em plena manh\u00e3 acendeu uma lanterna e correu ao mercado, e p\u00f4s-se a gritar incessantemente: \u201cProcuro Deus! Procuro Deus!\u201d? \u2013 E como l\u00e1 se encontrassem muitos daqueles que n\u00e3o criam em Deus, ele despertou com isso uma grande gargalhada. Ent\u00e3o ele est\u00e1 perdido? Perguntou um deles. Ele se perdeu como uma crian\u00e7a? Disse outro. Est\u00e1 se escondendo? Ele tem medo de n\u00f3s? Embarcou num navio? Emigrou? \u2013 Gritavam e riam uns para os outros. O homem louco se lan\u00e7ou para o meio deles e trespassou-os com seu olhar. \u201cPara onde foi Deus?\u201d, gritou ele, \u201cj\u00e1 lhes direi! N\u00f3s o matamos \u2013 voc\u00eas e eu. Somos todos seus assassinos! Mas como fizemos isso? Como conseguimos beber inteiramente o mar? Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte? (&#8230;) N\u00e3o ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? N\u00e3o sentimos o cheiro da putrefa\u00e7\u00e3o divina? \u2013 tamb\u00e9m os deuses apodressem! Deus est\u00e1 morto! Deus continua morto! E n\u00f3s o matamos! Como nos consolar, a n\u00f3s, assassinos entre os assassinos? O mais forte e mais sagrado que o mundo at\u00e9 ent\u00e3o possu\u00edra sangrou inteiro sob nossos punhais \u2013 quem nos limpar\u00e1 este sangue? <\/em>(NIETZSCHE,\u00a0 <em>A Gaia ci\u00eancia<\/em>, fragmento 125, p.147-8)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nestas palavras Nietzsche vem expressar, em primeiro lugar, o quanto o homem moderno \u00e9 o grande culpado pelo desencadeamento desta constata\u00e7\u00e3o; e em segundo lugar, o quanto essa quest\u00e3o reflete-se na tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tendo em vista os pressupostos hist\u00f3ricos (modernos) causadores do an\u00fancio, percebe-se que o homem moderno \u00e9 quem inaugura o processo de seculariza\u00e7\u00e3o, ou seja, exclus\u00e3o de Deus de seu papel de norteador da vida humana. Sendo assim, Deus passa a ser visto como aquele que se encontra fora do pensamento, das decis\u00f5es e das a\u00e7\u00f5es do mundo moderno. Da\u00ed, o fato de Nietzsche deixar bem claro na sua afirma\u00e7\u00e3o sobre a morte de Deus na \u201cGaia ci\u00eancia\u201d: \u201cDeus est\u00e1 morto! Deus continua morto! E n\u00f3s o matamos!\u201d (NIETZSCHE,\u00a0<em>A Gaia ci\u00eancia<\/em>. Fragmento 125, p.148). Enfim, a morte de Deus, como diz Roberto Machado (op.cit., p. 22), \u00e9 \u201co diagn\u00f3stico da aus\u00eancia expl\u00edcita de Deus no pensamento e nas pr\u00e1ticas do ocidente moderno\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, percebe-se que, uma vez que Deus j\u00e1 foi o condutor da vida humana, com essa mudan\u00e7a de caminho, de direcionamento, h\u00e1 um grande decl\u00ednio cultural, isto \u00e9, a tradi\u00e7\u00e3o, a qual sustentava a import\u00e2ncia de Deus, entra em crise. Essa crise acontece pelo fato do discurso dela ser colocado em cheque, ou seja, o valor, o sentido e o fundamento da metaf\u00edsica. Uma vez que esta \u00e9 colocada em d\u00favida, tamb\u00e9m as suas ramifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o colocadas em d\u00favida: o discurso do sens\u00edvel e do supra-sens\u00edvel, do mundo verdadeiro e do pr\u00f3prio Cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Seguindo o coment\u00e1rio de Heidegger ao fragmento da obra <em>Gaia ci\u00eancia<\/em> (125), Roberto Machado (op.cit., p. 23) diz que \u201c\u00e9 o homem moderno que \u00e9 o respons\u00e1vel pela perda de confian\u00e7a em Deus, pela supress\u00e3o da cren\u00e7a no mundo verdadeiro, origin\u00e1rio da metaf\u00edsica e do Cristianismo, pela substitui\u00e7\u00e3o da teologia pela ci\u00eancia, do sono dogm\u00e1tico pelo sono antropol\u00f3gico, do ponto de vista de Deus pelo ponto de vista do homem (&#8230;)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1.2. Da morte de Deus \u00e0s conseq\u00fc\u00eancias do descr\u00e9dito com a metaf\u00edsica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, com a morte de Deus e com o descr\u00e9dito da metaf\u00edsica, \u00e9 percept\u00edvel a visualiza\u00e7\u00e3o de que o mundo supra-sens\u00edvel, o mundo metaf\u00edsico foi desvalorizado e juntamente com eles, a \u201ccren\u00e7a no Deus crist\u00e3o perdeu o cr\u00e9dito (&#8230;)\u201d (NIETZSCHE, <em>A Gaia ci\u00eancia<\/em>, fragmento 343, p.233). Dessa forma, pode-se dizer que a f\u00e9 em Deus, a qual servia de suporte \u00e0 moral crist\u00e3, se encontra minada. Quanto a essas conseq\u00fc\u00eancias, Roberto Machado (op.cit., p.23) reflete:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>Em suma, a express\u00e3o \u201cmorte de Deus\u201d \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o da ruptura que a modernidade introduz na hist\u00f3ria da cultura com o desaparecimento dos valores absolutos, das ess\u00eancias, do fundamento divino. Significa, portanto, a substitui\u00e7\u00e3o da autoridade de Deus e da igreja pela autoridade do homem considerado como consci\u00eancia ou raz\u00e3o; a substitui\u00e7\u00e3o do desejo de eternidade pelos projetos de futuro, de progresso hist\u00f3rico; substitui\u00e7\u00e3o de uma beatitude celeste por um bem-estar terrestre (&#8230;).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Diante do que j\u00e1 foi refletido at\u00e9 agora, nota-se que a consci\u00eancia que passa a ser amputada de agora em diante \u00e9 a que o princ\u00edpio em que o homem ocidental fundou sua exist\u00eancia desapareceu. Da\u00ed, consequentemente, \u00e9 instaurado o niilismo<sup>1<\/sup>. E este \u00e9 visto e chamado por Nietzsche como reativo, uma vez que \u00e9 constitu\u00edda uma rea\u00e7\u00e3o expl\u00edcita aos valores superiores instaurados pela cria\u00e7\u00e3o do Deus crist\u00e3o (o qual era considerado o fundamento da exist\u00eancia humana).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dessa forma, percebe-se que este niilismo, isto \u00e9, o vazio existencial \u00e9 fruto da modernidade. Entretanto, o que ela talvez n\u00e3o soubesse \u00e9 que, ao \u201cjogar por terra\u201d a tradi\u00e7\u00e3o e todo o seu \u201csistema\u201d, ela tamb\u00e9m estaria sendo afetada por este impacto hist\u00f3rico e filos\u00f3fico, ou seja, a morte de Deus e suas conseq\u00fc\u00eancias (ressaltando assim o niilismo). Nietzsche mais a frente ir\u00e1 levantar propostas de sa\u00edda deste niilismo. No entanto, este trabalho se limitou a refletir at\u00e9 o in\u00edcio da constata\u00e7\u00e3o do niilismo. A proposta de aprofundamento do niilismo \u00e9 quest\u00e3o para outros momentos de reflex\u00e3o filos\u00f3fica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enfim, fica assim, ao final deste trabalho, a cr\u00edtica \u00e0 modernidade, a qual em outros ramos hist\u00f3ricos alcan\u00e7ou muitos avan\u00e7os e progressos, no entanto, neste ramo hist\u00f3rico de cunho existencial e filos\u00f3fico, levou a humanidade ao decl\u00ednio e ao vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao final deste trabalho, depois de ter passado pelos aspectos hist\u00f3ricos do in\u00edcio da modernidade, o que se pode concluir \u00e9 que esta \u00e9 a grande instauradora e causadora do an\u00fancio da morte de Deus. Ao longo da reflex\u00e3o, foi-se percebendo que as novas perspectivas propostas pelo homem moderno tendiam a fazer oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o. E uma vez que esta era considerada um grande pilar do ocidente, com o pensamento moderno, ela entrou em crise, pois o seu alicerce (metaf\u00edsica, cristianismo, o discurso sobre o supra-sens\u00edvel), que antes era considerado indiscut\u00edvel, uma verdade absoluta, foi colocado em d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Enfim, depois do nascimento da modernidade, a tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica metaf\u00edsica n\u00e3o \u00e9 mais a mesma. Ela se tornou um alvo de cr\u00edticas e at\u00e9 mesmo de ceticismo. A partir disso, Friedrich Nietzsche foi ao longo de sua vida desenvolvendo seu filosofar. Dessa forma, ao l\u00ea-lo, percebe-se uma \u201cprofunda aceita\u00e7\u00e3o\u201d das conseq\u00fc\u00eancias causadas pela modernidade, isto \u00e9, a morte de Deus, o niilismo, por exemplo, s\u00e3o considerados importantes chaves de leitura de seu pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>_____________________________________<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><sup>1<\/sup> O niilismo segundo Nietzsche apresenta-se em quatro modos: reativo, passivo, ativo e negativo, o qual d\u00e1 origem aos tr\u00eas primeiros citados. No entanto, \u00e9 o niilismo reativo que se est\u00e1 destacando neste trabalho, visto que este \u00e9 considerado o niilismo moderno.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">_____________________________________<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">GOMES, Eliseu Donizete de Paiva. <em>Uma leitura do niilismo nietzschiano como hist\u00f3ria do ocidente<\/em>. Mariana: Instituto de Filosofia s\u00e3o Jos\u00e9, 2004. (TCC em Filosofia).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. <em>A Gaia Ci\u00eancia<\/em>. Trad. Paulo C\u00e9sar de Souza. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das letras, 2001.<strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MACHADO, Roberto Cabral de Melo. \u201cDeus, Homem, Super homem\u201d. <em>Revista Kriterion <\/em>89 \u2013 volume 35, Belo Horizonte, 1994, p.21-23.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MONDIN, Batista. <em>Curso de Filosofia:<\/em> os fil\u00f3sofos do ocidente. vol. 3. Trad. Ben\u00f4ni Lemos. 3.ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">SAFRANSKI, Rudiger. <em>Nietzsche<\/em>: Biografia de uma trag\u00e9dia. Trad. Lya Luft. S\u00e3o Paulo: Gera\u00e7\u00e3o Editorial, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Percebe-se que estudar e trabalhar um determinado tema requer certo aprofundamento e empenho, principalmente quando este est\u00e1 vinculado ao conjunto de temas de Friedrich Wilhelm Nietzsche . 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