{"id":570,"date":"2009-10-10T08:00:43","date_gmt":"2009-10-10T11:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=570"},"modified":"2009-10-10T08:00:43","modified_gmt":"2009-10-10T11:00:43","slug":"a-vontade-de-potencia-como-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=570","title":{"rendered":"A vontade de pot\u00eancia como vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Jos\u00e9 M\u00e1rcio Carlos<br \/>\nPhilipe Fernandes Nogueira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando se pensa em filosofia contempor\u00e2nea, alguns autores j\u00e1 ficam evidenciados pelo brilhantismo dos seus pensamentos. E um destes autores que fazem parte deste seleto grupo \u00e9 Friedrich Nietzsche, um dos mais importantes expoentes da reflex\u00e3o filos\u00f3fica contempor\u00e2nea. Ele \u00e9 um pensador que aborda diversos temas pol\u00eamicos e intrigantes, que deixaram o seu legado para a posteridade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dentre estes temas abordados por Nietzsche, a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d ser\u00e1 o objeto de pesquisa deste artigo. Tendo em vista a amplitude e complexidade deste tema, buscar-se-\u00e1 refleti-lo especificamente dentro da perspectiva da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Utilizar-se-\u00e1 como obras principais para a confec\u00e7\u00e3o deste artigo duas das mais importantes obras de Nietzsche: \u201cAssim falava Zaratustra\u201d e \u201cVontade de Pot\u00eancia\u201d. Num primeiro momento apontar-se-\u00e1 uma vis\u00e3o geral do termo \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d, sob o olhar do autor. Posteriormente, a abordagem recair\u00e1 sobre o aspecto espec\u00edfico proposto deste tema: a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1. O que \u00e9 vontade de pot\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao se deparar com o termo \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d logo vem \u00e0 mente a defini\u00e7\u00e3o dada pelo senso comum de que ela n\u00e3o \u00e9, sen\u00e3o, a vontade de dominar inerente a todo ser humano. Entretanto, a abrang\u00eancia deste conceito nietzcheano vai muito al\u00e9m desta compreens\u00e3o reducionista. A defini\u00e7\u00e3o da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d abarca outras significa\u00e7\u00f5es que aqui ser\u00e3o apresentadas sucintamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1.1 O termo \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d na obra \u201cAssim falava Zaratustra\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nietzsche em uma de suas obras mais conhecidas \u201cAssim falou Zaratustra\u201d, trabalha alguns aspectos da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d. No cap\u00edtulo intitulado \u201cDa supera\u00e7\u00e3o de si\u201d \u00e9 aonde discorre mais especificamente sobre este tema. Neste texto ele apresenta uma cr\u00edtica que consiste em explicitar a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d que est\u00e1 por de tr\u00e1s da vontade de verdade a da vontade moral, caracter\u00edsticas dos mais s\u00e1bios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 aqui caracterizada como vontade de tornar pens\u00e1vel todo o existente, tudo o que \u00e9. O fil\u00f3sofo alem\u00e3o busca submeter, dobrar o mundo a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d do homem, de adequar a vida ao pensamento humano (MACHADO, p.100). Isso se constata quando Nietzsche afirma que \u201c(&#8230;) tudo o que existe deve tamb\u00e9m se adaptar e se curvar. Assim o quer vossa vontade. Que tudo o que existe se humilhe e se submeta ao esp\u00edrito como seu espelho e sua imagem\u201d (AFZ: 106).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A id\u00e9ia mais importante ressaltada por Nietzsche neste cap\u00edtulo \u00e9 a conceitua\u00e7\u00e3o de vida como \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d no sentido de auto-supera\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9, neste ponto, o princ\u00edpio pelo qual a vida se projeta para al\u00e9m de si mesma, pelo qual ela se auto-supera (MACHADO, 2001: 101).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nietzsche tamb\u00e9m destaca em \u201cAssim falou Zaratustra\u201d que as aspira\u00e7\u00f5es de valor em termos de bem e de mal s\u00e3o express\u00f5es da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d. E estas duas express\u00f5es s\u00f3 podem ser esclarecidas a partir dela. Para ele n\u00e3o se pode afirmar que bem e mal existem, pois s\u00e3o apenas exerc\u00edcios da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d. Diz ele:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>Em verdade vos digo, bem e mal imperec\u00edveis n\u00e3o existem. (&#8230;) Com vossos valores e vossas palavras de bem e mal, v\u00f3s, apreciadores de valor exerceis viol\u00eancia. E a\u00ed est\u00e1 vosso amor secreto e o resplendor, o tremor e a superabund\u00e2ncia de vossas almas. <\/em>(AFZ: 108)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>1.2 O termo \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d na obra \u201cVontade de Pot\u00eancia\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No entanto, \u00e9 na obra intitulada \u201cVontade de Pot\u00eancia\u201d que Nietzsche se empenha detalhadamente em discorrer sobre este tema. De acordo com o pensamento do pr\u00f3prio autor \u201ca vontade de pot\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um ser, n\u00e3o \u00e9 um devir, mas um <em>pathos<\/em> \u2013 ela \u00e9 o fato elementar de onde resulta um devir e uma a\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d (VP: 242).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d no sentido nietzcheano deve ser entendida como o esfor\u00e7o de triunfar sobre o nada, no intuito de vencer a fatalidade e o aniquilamento: \u00e9 a busca da supera\u00e7\u00e3o da cat\u00e1strofe, da morte. \u00c9 a vontade do sempre \u201cmais\u201d, da luta para alcan\u00e7ar o \u201cposs\u00edvel\u201d e ir al\u00e9m daquilo que \u00e9 atual. N\u00e3o \u00e9 somente a luta para se preservar no ser, um simples instinto de conserva\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 uma vontade de \u201cultrapassar\u201d, de ir sempre mais adiante. Num n\u00edvel superior a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d torna-se generosidade, vontade de ser e de consci\u00eancia, vontade da exist\u00eancia de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Este termo \u00e9, na concep\u00e7\u00e3o de Nietzsche, um s\u00edmbolo no sentido da nomea\u00e7\u00e3o de uma viv\u00eancia espont\u00e2nea diante do devir da vida, que \u00e9 um constante vir a ser. A \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 determinada como o mais forte de todos os instintos que dirige a evolu\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. O fil\u00f3sofo alem\u00e3o reduz todas as fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas fundamentais \u00e0 \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d, s\u00edmbolo de um impulso de vida para alcan\u00e7ar sempre \u201cmais\u201d. Dizia Nietzsche: \u201cSe se aceitar a concep\u00e7\u00e3o mecanicista do mundo, a \u2018vontade de pot\u00eancia\u2019 pode tamb\u00e9m ser aceita como o m\u00f3vel do inorg\u00e2nico\u201d (VP: 64).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Vale tamb\u00e9m destacar que Nietzsche n\u00e3o aceitava a vontade como objetiva\u00e7\u00e3o. A express\u00e3o \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 puramente simb\u00f3lica. O que ele quer afirmar, para uma concep\u00e7\u00e3o correta do mundo, \u00e9 que no todo h\u00e1 uma luta entre dois impulsos: um de mais e outro de menos. Aquele denominado impulso de mais \u00e9 um impulso de vida, de pot\u00eancia. Em contrapartida, h\u00e1 o impulso de menos. E este \u00e9 um impulso de morte, de passividade, de degenera\u00e7\u00e3o, de aniquilamento. Esta \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o tr\u00e1gico-dial\u00e9tica (VP: 64). \u00c9 a luta do ser contra o n\u00e3o-ser. Em resumo, a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d n\u00e3o \u00e9 um absurdo, nem uma incongru\u00eancia frente \u00e0 natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 igualmente o destino de se buscar a contradi\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 feio quer tornar-se belo, ou ainda, o escravo deseja tornar-se senhor. Recorrendo-se \u00e0s palavras de Nietzsche, na obra \u201cAssim falava Zaratustra\u201d, ele confirma esta quest\u00e3o dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>Se o mais fraco serve ao mais forte, \u00e9 que a isso \u00e9 persuadido por sua vontade que quer dominar sobre algu\u00e9m mais fraco ainda. E essa \u00e9 \u00fanica alegria de que n\u00e3o se quer privar. (&#8230;) onde h\u00e1 sacrif\u00edcio e servi\u00e7o e olhares de amor, h\u00e1 igualmente vontade de ser senhor. Por caminhos secretos desliza o mais fraco at\u00e9 a fortaleza e at\u00e9 mesmo ao cora\u00e7\u00e3o do mais poderoso, para roubar o poder. <\/em>(AFZ: 107)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Este termo de Nietzsche \u00e9 o nome humano dado ao acontecer universal, como movimento. Esse nome justifica e d\u00e1 viv\u00eancia ao dinamismo presente no ser humano (VP: 64).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na luta do ser contra o n\u00e3o-ser, a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 a for\u00e7a em movimento. E o potente inclui poder, vigor, for\u00e7a, poderio e autoridade. A \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d trata-se da atitude ps\u00edquica de uma alma que \u00e9 forte e quer alimentar a sua for\u00e7a, sua pot\u00eancia, e que n\u00e3o se cansa de dar provas de sua coragem, que dominando a si mesma pensa cumprir o dever que lhe fora estabelecido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ele buscou tratar o tema da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d sob diversos aspectos. Entretanto, analisar-se-\u00e1 um destes aspectos que \u00e9 o tema da \u201cVontade de pot\u00eancia como vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2. \u201cVontade de pot\u00eancia como vida\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2.1. A vida como fator essencial da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dentro das v\u00e1rias perspectivas da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d, Nietzsche tamb\u00e9m a define como vida. J\u00e1 na obra \u201cAssim falava Zaratustra\u201d, ele dizia: \u201c(&#8230;) S\u00f3 onde h\u00e1 vida h\u00e1 vontade. N\u00e3o vontade de viver, mas, como eu ensino, vontade de poder (&#8230;)\u201d (AFZ: 108). Esta perspectiva da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d deve ser, assim, compreendida como \u201cvontade de durar, de crescer, de vencer, de entender e intensificar a vida\u201d (VP: 63).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>2.2. Os fatores predeterminantes da \u201cvontade de pot\u00eancia como vida\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u201cvontade de pot\u00eancia como vida\u201d n\u00e3o se trata de uma vontade de viver, pois a vida \u00e9 apenas um caso particular desta vontade. Segundo a defini\u00e7\u00e3o que Nicola Abbagnano apresenta em seu \u201cDicion\u00e1rio da Filosofia\u201d, a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d, no sentido empregado por Nietzsche, define-se como:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>um impulso fundamental que nada tem de causa\u00e7\u00e3o racional: \u2018A vida, como caso particular, aspira ao m\u00e1ximo sentimento de pot\u00eancia poss\u00edvel. Aspirar a outra coisa n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o aspirar \u00e0 pot\u00eancia. Essa vontade \u00e9 sempre o que h\u00e1 de mais \u00edntimo e profundo<\/em> (&#8230;)\u2019. (ABBAGNANO, 2000: 1009-10)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Isso se confirma, principalmente, quando Nietzsche diz no Zaratustra: \u201c(&#8230;) H\u00e1 muitas coisas que o vivo aprecia mais que a pr\u00f3pria vida. Mas na pr\u00f3pria aprecia\u00e7\u00e3o fala a vontade de poder (&#8230;)\u201d (AFZ: 108).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na verdade, a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 vista como um movimento de auto-supera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida e sua din\u00e2mica corriqueira. Ela \u00e9, assim, a tend\u00eancia de subir, a vit\u00f3ria sobre si mesma, o dom\u00ednio de si mesmo ou o esfor\u00e7o de sempre alcan\u00e7ar mais pot\u00eancia (MACHADO, 2001: 101). Nietzsche atesta esta busca quando diz: \u201c(&#8230;) Um pequeno obst\u00e1culo \u00e9 suplantado, mas imediatamente segue-se outro que tamb\u00e9m \u00e9 suplantado \u2013 esse jogo de resist\u00eancias e vit\u00f3rias estima ao m\u00e1ximo o sentimento geral de pot\u00eancia (&#8230;)\u201d (VP: 248).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nietzsche tamb\u00e9m acredita que a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 uma express\u00e3o que possibilita concretizar em palavras um impulso vital, que parte do interior para o exterior. Neste sentido denota-se extravas\u00e3o, aumento, dilata\u00e7\u00e3o (VP: 64). Percebe que o homem quer sempre algo mais, ou seja, o humilde quer ser estimado, o fraco quer ser forte. Resumindo numa palavra: \u00e9 o querer, o qual equivale a querer tornar-se mais forte, querer crescer.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, nota-se que a vida vai ganhando mais dinamismo. Deve-se compreender que ela n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, mas tem o potencial de sempre \u201cir al\u00e9m\u201d. Contudo n\u00e3o \u00e9 um \u201cir al\u00e9m\u201d que tem um fim, mas que sempre est\u00e1 em movimento, visto que esta \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es da \u201cvontade pot\u00eancia\u201d, isto \u00e9, p\u00f4r tudo em movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dessa forma, nota-se que Nietzsche tem raz\u00e3o quando diz que todas as fun\u00e7\u00f5es sadias do ser humano t\u00eam a necessidade de um crescimento dos sentimentos de pot\u00eancia: \u201c(&#8230;) os ricos e os vivos querem a vit\u00f3ria, os advers\u00e1rios suplantados, o transbordar do sentimento de pot\u00eancia sobre dom\u00ednios novos (&#8230;)\u201d (VP: 247).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um outro aspecto importante e expressivo da \u201cvontade de pot\u00eancia como vida\u201d \u00e9 a sua insaciabilidade. Para Nietzsche o homem possui um insaci\u00e1vel desejo de mostrar pot\u00eancia. E a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 justamente o que caracteriza este desejo. Ela \u00e9 o impulso interior da for\u00e7a que gera o movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>N\u00e3o \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o da vontade que \u00e9 a causa do prazer (- quero combater particularmente essa doutrina superficial\u00edssima, &#8211; absurda moeda falsa psicol\u00f3gica das coisas pr\u00f3ximas -), mas o fato de que a vontade quer ir avante e quer ainda assenhorear-se do que encontra em seu caminho. O sentimento de prazer reside precisamente na n\u00e3o-satisfa\u00e7\u00e3o da vontade, na incapacidade da vontade em se satisfazer quando sem advers\u00e1rio e sem resist\u00eancia<\/em> .(VP: 250)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Contudo, todos os aspectos que se encontram em volta da vontade de pot\u00eancia como, por exemplo, o prazer de uma conquista, devem transparecer a sua presen\u00e7a incessante e atuante. O prazer n\u00e3o deve ser uma esp\u00e9cie de fim para ela, visto que s\u00f3 tem um fim, no sentido de finalidade, aquilo que \u00e9 saci\u00e1vel e que n\u00e3o compreende a din\u00e2mica dela.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O objetivo geral, ent\u00e3o, da \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 continuar a \u201ctecer a tela da vida\u201d, de maneira que o \u201cfio\u201d se torne cada vez mais potente. E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel dentro de um movimento de constante busca de mais pot\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao final deste artigo, o que se p\u00f4de perceber \u00e9 que a \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 uma caracter\u00edstica inerente a todo ser humano. Todos possuem o desejo de alcan\u00e7ar sempre mais pot\u00eancia e ir \u201cal\u00e9m\u201d do que \u00e9 dado por sua natureza, isto \u00e9, todos tendem a \u201ctranscender\u201d seus pr\u00f3prios limites.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d tende a impulsionar o homem a ser criativo. Leva-o a n\u00e3o se contentar com o que j\u00e1 foi alcan\u00e7ado, mas a ir sempre em dire\u00e7\u00e3o ao novo. Este novo interpela-o a estar sempre em movimento, a caminho do objetivo a ser alcan\u00e7ado. Contudo, cada conquista do homem deve projet\u00e1-lo a novas buscas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, nota-se que \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 uma for\u00e7a que justifica e d\u00e1 viv\u00eancia ao dinamismo presente no ser humano. Dinamismo este que o leva a realizar suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ABBAGNANO, N. <em>Dicion\u00e1rio da Filosofia<\/em>. Trad. Alfredo Bosi. 4.ed. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2000.<br \/>\nMACHADO, R.. <em>Zaratustra<\/em>: trag\u00e9dia nietzschiana. 3.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.<br \/>\nMONDIN, B. <em>Curso de Filosofia:<\/em> os fil\u00f3sofos do ocidente. v. 3. Trad. Ben\u00f4ni Lemos. 3.ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1983.<br \/>\nNIETZSCHE, F. W. <em>Assim falava Zaratustra<\/em>. Trad. Ciro Mioranza. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Escala, [s.d]. *AFZ<br \/>\n_____. <em>Vontade de Pot\u00eancia<\/em>. Trad. M\u00e1rio D. Ferreira Santos. Rio de Janeiro: Ediouro. [s.d.]. *VP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste trabalho buscar-se-\u00e1 fazer uma abordagem filos\u00f3fica do conceito \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d, segundo a filosofia de Friedrich Nietzsche. Tendo como suporte as obras \u201cAssim Falava Zaratustra\u201d e \u201cVontade de Pot\u00eancia\u201d, buscou-se apontar aspectos gerais do tema e, principalmente, aqueles que comprovam o objeto espec\u00edfico trabalhado dentro do tema: a vida. Esta abordagem veio comprovar que, para Nietzsche, o ser humano tende a uma busca por pot\u00eancia, pois esta traz dinamismo, for\u00e7a, dom\u00ednio, vigor e desejo de sempre auto-superar-se. A \u201cvontade de pot\u00eancia\u201d \u00e9 uma busca constante de se alcan\u00e7ar o \u201cposs\u00edvel\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[79,115,118],"tags":[512,515],"class_list":{"0":"entry","1":"post","2":"publish","3":"author-admin","4":"has-excerpt","5":"post-570","7":"format-standard","8":"category-jose-marcio-carlos","9":"category-nietzsche","10":"category-philipe-fernandes-nogueira","11":"post_tag-vida","12":"post_tag-vontade-de-potencia"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=570"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/570\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}