{"id":634,"date":"2009-10-31T08:00:40","date_gmt":"2009-10-31T11:00:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=634"},"modified":"2009-10-31T08:00:40","modified_gmt":"2009-10-31T11:00:40","slug":"a-existencia-precede-a-essencia-a-condicao-humana-em-sartre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=634","title":{"rendered":"A exist\u00eancia precede a ess\u00eancia: a condi\u00e7\u00e3o humana em Sartre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Evaldo Rosa de Oliveira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean-Paul Sartre n\u00e3o escreveu apenas ensaios, romances e pe\u00e7as de teatro, mas tamb\u00e9m obras filos\u00f3ficas. Sua filosofia consiste em colocar o homem como respons\u00e1vel por todos os seus atos. Lan\u00e7ado em um mundo sem justificativa, o indiv\u00edduo projeta-se no futuro, escolhe um sentido para sua vida, j\u00e1 que ela n\u00e3o possui um sentido <em>a priori<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O existencialismo de Sartre est\u00e1 inteiramente estruturado no princ\u00edpio filos\u00f3fico de que no homem a exist\u00eancia precede a ess\u00eancia, e esta \u00e9 constru\u00edda atrav\u00e9s da liberdade respons\u00e1vel que o homem manifesta ao escolher sua pr\u00f3pria vida. Em sua obra, Sartre n\u00e3o deu uma import\u00e2ncia excessiva ao problema religioso, pois n\u00e3o estava preocupado em discutir acerca da exist\u00eancia ou n\u00e3o exist\u00eancia de Deus. Nada, nem mesmo Deus, pode justificar o homem ou retir\u00e1-lo de sua liberdade total e absoluta, ou ainda salv\u00e1-lo de si mesmo. No presente texto, busca-se fazer uma an\u00e1lise da compreens\u00e3o que Sartre tem acerca do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>A exist\u00eancia precede a ess\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O conceito \u201cexistencialismo\u201d come\u00e7ou a ser usado depois da I Guerra Mundial, com a finalidade de designar um amplo movimento filos\u00f3fico e teve repercuss\u00f5es em diferentes campos, dentre eles o art\u00edstico, o religioso, o \u00e9tico e o social. \u00c9 chamado de existencialismo porque seus grandes expoentes interessaram-se fundamentalmente pelo problema da exist\u00eancia humana (MOREIRA, 2003: 337). Conforme o pr\u00f3prio Sartre afirma, o termo existencialismo \u00e9 empregado de maneira diversa. Alguns pintores, jornalistas e outros grupos foram chamados de existencialistas. A palavra foi associada na \u00e9poca a uma literatura rebelde e solit\u00e1ria. Por\u00e9m o existencialismo se ocupa dos problemas do homem, chamados \u201cexistenciais\u201d, tais como o sentido da vida, da morte, da ang\u00fastia, da dor etc. A defini\u00e7\u00e3o mais clara sobre a concep\u00e7\u00e3o de homem em Sartre se d\u00e1 em uma confer\u00eancia por ele proferida primeiramente em Paris (1946), a qual depois foi repetida privadamente e intitulada <em>O Existencialismo \u00e9 um humanismo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Tal confer\u00eancia foi motivada pela necessidade que Sartre teve em responder as cr\u00edticas de marxistas e crist\u00e3os acerca do existencialismo. Para os marxistas, o existencialismo coloca o homem na condi\u00e7\u00e3o de desmotivado para agir, desolado, al\u00e9m de acus\u00e1-lo de afastar o homem da solidariedade. Acusam-no de um quietismo de desespero e de por fim a uma filosofia contemplativa, pois para Sartre, a mesma nos reconduz a uma filosofia \u201cburguesa\u201d, isto \u00e9, ao luxo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">H\u00e1 dois tipos de existencialismos: o crist\u00e3o, no qual se destacam Jaspers, Gabriel Marcel e Kierkegaard; e o ateu, representado por Heidegger (embora ele mesmo n\u00e3o o considere) e o pr\u00f3prio Sartre. Tanto uma corrente como a outra comungam de um princ\u00edpio fundamental: a exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em seu ensaio<em> O Existencialismo \u00e9 um Humanismo<\/em>, Sartre usa como exemplo um objeto fabricado para explicar o princ\u00edpio de que \u201ca exist\u00eancia precede a ess\u00eancia\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>Consideremos um objeto fabricado, como por exemplo, um livro ou um corta- papel: tal objeto fabricado por um art\u00edfice que se inspirou de um corta- papel \u00e9 ao mesmo tempo um objeto que se produz de uma certa maneira e que, por outro lado, tem uma utilidade definida, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar um homem que produzisse um corta-papel sem saber para que h\u00e1 de servir tal objeto. Diremos, pois, que, para cada corta-papel, a ess\u00eancia &#8211; quer dizer, o conjunto de receita e de caracter\u00edsticas que permitem produzi-lo e defini-lo &#8211; precede a exist\u00eancia: e assim a presen\u00e7a, frente a mim, de tal corta-papel est\u00e1 bem determinada. Temos pois uma vis\u00e3o t\u00e9cnica.<\/em> (SARTRE, 1946: 5)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Com isso, os que acreditam em Deus criador, conceber\u00e3o Deus como construtor superior, o qual confere exist\u00eancia \u00e0s coisas, modelando-as segundo um conceito ou ideia pr\u00e9-formada na mente, como faz o fabricante de corta pap\u00e9is. J\u00e1 os ateus, embora n\u00e3o acreditem num criador, tomam outro pressuposto: diferente das coisas, animais, o homem tem a exist\u00eancia precedida pela ess\u00eancia, o que leva Sartre a afirmar que o homem \u00e9 o \u00fanico ser que existe antes de sua ess\u00eancia. Com este argumento, Sartre nega a exist\u00eancia de Deus e exalta a exist\u00eancia humana.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sartre afirma que se Deus n\u00e3o existe, h\u00e1 pelo menos um ser no qual a exist\u00eancia precede a ess\u00eancia, o homem. Primeiro ele existe, se descobre, surge no mundo e s\u00f3 depois ir\u00e1 se definir, ou seja, primeiramente ele \u00e9 \u201cnada\u201d, s\u00f3 depois ser\u00e1 e o ser\u00e1 conforme se fizer, de acordo com o que tiver projetado. Com essa ideia, entende-se que o homem \u00e9 condenado a ser livre.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A ess\u00eancia do homem vem de suas escolhas. Quando ele \u00e9 \u201cjogado\u201d no mundo n\u00e3o tem ess\u00eancia, ele \u00e9 n\u00e3o-ser, ou seja, aus\u00eancia de ser. Paulatinamente ele vai tomando consci\u00eancia de sua exist\u00eancia e do grande desejo dele ser, mas ser \u00e9 acabado, realizado. Caso o homem fosse isso ele seria uma coisa, ou seja ser Em-si. E diferente das coisas que s\u00e3o em si, ou seja, j\u00e1 est\u00e3o prontas, dadas e acabadas como acontece com a pedra, a mesa e tantos outros. No homem acontece diferente, porque no momento em que ele \u00e9 \u201cjogado\u201d no mundo ele come\u00e7a a se construir, ou seja, o homem \u00e9 uma eterna indetermina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 importante destacar que o ser Em-si \u00e9 entendido como qualquer objeto existente no mundo e que possui uma ess\u00eancia definida. Um livro, por exemplo, \u00e9 um objeto criado para suprir uma necessidade: a leitura. Um ser Em-si n\u00e3o tem potencialidades nem consci\u00eancia de si ou do mundo. Apenas \u00e9. J\u00e1 o ser Para-si, consci\u00eancia humana, \u00e9 um tipo diferente de ser, por possuir conhecimento a seu pr\u00f3prio respeito e a respeito do mundo, e \u00e9 justamente isto o que o difere dos demais seres. O Para-si n\u00e3o tem uma ess\u00eancia definida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O homem \u00e9 antes de qualquer coisa um projeto* que se vive subjetivamente, nada existe anterior a este projeto. Ele ser\u00e1 o que ele tiver projetado e n\u00e3o o que ele quiser ser. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio destacar que h\u00e1 dois tipos de subjetivismo: a escolha do sujeito individual por si s\u00f3; e o outro a impossibilidade para o homem superar a subjetividade humana (SARTRE, 1946: 6).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao afirmar que o homem escolhe a si pr\u00f3prio, entende-se tamb\u00e9m que o homem escolhe todos os homens. Pois, segundo Sartre, n\u00e3o h\u00e1 nenhum dos atos que ao se criar o homem que ele deseja ser, n\u00e3o se crie tamb\u00e9m uma imagem do homem conforme ele julga que deva ser.\u00a0 Portanto, o homem nunca pode escolher o mal, pois mesmo o mal sendo escolhido, seria um bem (SARTRE, 1946: 5). A situa\u00e7\u00e3o do homem existencialista, que n\u00e3o tem um Deus para se apoiar, mas ao contr\u00e1rio, tem a responsabilidade de sozinho se realizar e se construir, \u00e9 a de algu\u00e9m que se depara com a ang\u00fastia, o desespero e o desamparo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Ang\u00fastia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O existencialismo chega a afirmar que o homem \u00e9 ang\u00fastia, mas n\u00e3o no sentido sombrio e triste da vida humana. Isso significa que, reconhecendo-se livre, ele percebe que n\u00e3o \u00e9 apenas o que escolheu ser, mas tamb\u00e9m um legislador, que ao escolher escolhe tamb\u00e9m toda a humanidade. O indiv\u00edduo se angustia porque se v\u00ea numa situa\u00e7\u00e3o em que tem de escolher sua vida, seu destino, sem buscar apoio ou orienta\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m (SARTRE, 1946: 8). Com isso, o homem percebe o tamanho de sua responsabilidade e se angustia, pois ao mesmo tempo ele est\u00e1 escolhendo s\u00f3 por si e tamb\u00e9m por toda a humanidade. Mesmo aqueles que n\u00e3o mostram ang\u00fastia ou dizem n\u00e3o sofr\u00ea-la, experimentam tal condicionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>O existencialismo n\u00e3o tem pejo em declarar que o homem \u00e9 ang\u00fastia. Significa isso: o homem ligado por um compromisso e que se d\u00e1 conta de que n\u00e3o \u00e9 apenas aquele que escolhe ser, mas de que \u00e9 tamb\u00e9m um legislador pronto a escolher, ao mesmo tempo que a si pr\u00f3prio, a humanidade inteira, n\u00e3o poderia escapar ao sentimento da sua total e profunda responsabilidade<\/em>. (SARTRE, 1946: 7)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O homem n\u00e3o pode deixar de ter na decis\u00e3o que tomar, uma certa ang\u00fastia. Segundo Sartre, todos os chefes a conhecem, o que n\u00e3o os impede de agir, mas ao contr\u00e1rio \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de sua a\u00e7\u00e3o. Ao escolher uma possibilidade dentro da pluralidade poss\u00edvel, o homem se d\u00e1 conta de que ela s\u00f3 tem valor por ter sido escolhida (SARTRE, 1946: 8).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Desamparo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Outra condi\u00e7\u00e3o em que o homem se encontra \u00e9 a de desamparo, a qual se d\u00e1 pelo fato de ele ter que escolher a vida e seu destino, sem nenhum apoio ou orienta\u00e7\u00e3o de outrem. O homem existencialista se encontra desamparado, pelo fato de n\u00e3o haver mais desculpas para ele. Porque, se \u00e9 livre, projeto de si mesmo, autor de seu destino, ele \u00e9 inteiramente respons\u00e1vel por si mesmo (NOGARE, 1977: 146). Percebe-se que o homem existencialista n\u00e3o tem mais em quem colocar suas desculpas, mas se encontra em condi\u00e7\u00e3o de liberdade, ele est\u00e1 condenado a ser livre. Uma vez lan\u00e7ado no mundo, ele ser\u00e1 respons\u00e1vel por tudo que fizer, o que o faz se sentir desamparado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sartre retoma Dostoievski, o qual dissera: \u201cse deus n\u00e3o existisse, tudo seria permitido\u201d (<em>apud<\/em> SARTRE, 1946: 9), e \u00e9 a\u00ed que se encontra o ponto de partida para o existencialismo. Com efeito, tudo \u00e9 permitido, se Deus n\u00e3o existe, o homem fica abandonado, pois n\u00e3o encontra em si nem fora de si um apoio, n\u00e3o tem a quem se apegar, e se v\u00ea obrigado a contar apenas com seus pr\u00f3prios recursos. Nesta condi\u00e7\u00e3o, o homem n\u00e3o pode contar com nenhuma humanidade, nenhum partido, nenhum companheiro que possa ajud\u00e1-lo, mas \u00fanica e exclusivamente consigo pr\u00f3prio, isto \u00e9, com suas pr\u00f3prias for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Desespero<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u00faltima condi\u00e7\u00e3o na qual o homem se encontra \u00e9 a de desespero pelo fato dele se sentir desamparado.\u00a0 Desespero para Sartre \u00e9 \u201cagir\u201d sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:90px;\"><em>Quanto ao desespero, esta express\u00e3o tem um papel extremamente simples. Quer ela dizer que n\u00f3s nos limitamos a contar com o que depende da nossa vontade, ou o conjunto das probabilidades que tornam a nossa a\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Quando se deseja uma coisa, h\u00e1 sempre uma s\u00e9rie de elementos prov\u00e1veis (&#8230;) a partir do momento que as possibilidades que considero n\u00e3o s\u00e3o rigorosamente determinadas pela minha a\u00e7\u00e3o, devo desinteressar-me porque nenhum Deus, nenhum des\u00edgnio pode adaptar o mundo e seus poss\u00edveis a minha vontade. No fundo quando Descartes dizia:\u00a0 \u2018vencemos-nos antes a n\u00f3s do que ao mundo\u2019, queria significa a mesma coisa agir sem esperan\u00e7a. <\/em>(SARTRE, 1946: 12)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo Sartre, censuram o existencialismo n\u00e3o pelo seu pessimismo, mas sim pela dureza otimista, com a qual demonstra o homem como realmente ele \u00e9, com suas grandezas e pequenez. \u201cA doutrina que vos apresento\u201d, diz Sartre, \u201c\u00e9 justamente a oposta ao quietismo visto que ela declara: s\u00f3 h\u00e1 realidade na a\u00e7\u00e3o; e vai ali\u00e1s mais longe, visto que acrescenta: o homem n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o seu projeto, s\u00f3 existe na medida em que se realiza, nada \u00e9\u00a0 portanto, nada mais que o conjunto de seus atos, nada mais do que a sua vida\u201d (SARTRE, 1946: 13).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O homem sartreano \u00e9 aquele que est\u00e1 por fazer-se, n\u00e3o tem valores que o precedem. Ao mesmo tempo em que Sartre parte do pressuposto de que Deus n\u00e3o existe, o homem \u00e9 elevado de tal forma que se torna quase um \u201csemideus\u201d, auto-suficiente, capaz de criar sua pr\u00f3pria ess\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sartre procura refletir em sua filosofia o homem que sobreviveu \u00e0 Segunda Grande Guerra e que tem diante de si a necessidade de pensar a partir de si mesmo. Afirmar que a exist\u00eancia precede a ess\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 simplesmente suprimir Deus. Dizer que a exist\u00eancia precede a ess\u00eancia \u00e9 colocar o homem como um \u201cnada\u201d lan\u00e7ado no mundo, desprovido de uma defini\u00e7\u00e3o. O homem surge no mundo e, de in\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 nada; s\u00f3 posteriormente ser\u00e1 alguma coisa e ser\u00e1 aquilo que ele fizer de si mesmo. Ora, isso implica tamb\u00e9m o fato de que o homem s\u00f3 se faz num constante projeto, num incessante lan\u00e7ar-se no futuro. Somente assim o homem ir\u00e1 se definir como ser existente e consciente de si mesmo. Lan\u00e7ado no mundo sem perspectivas pr\u00e9-determinadas, o homem determina sua vida ao longo do tempo e descobre-se como liberdade, ou seja, como escolha de seu pr\u00f3prio ser no mundo. Eis a origem da ang\u00fastia, do desamparo e do desespero.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ARANHA, Maria L\u00facia Arruda &amp; MARTINS, Maria Helena Pires. <em>Filosofando<\/em>: introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia. S\u00e3o Paulo: Moderna, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">COLLINSON, Dian\u00e9. <em>50 grandes fil\u00f3sofos<\/em>: da Gr\u00e9cia ao s\u00e9culo XX. Trad. Maur\u00edcio Waldman e Bia Costa. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MOREIRA, Joselito Adriano. O homem existencialista em Sartre. In: <em>Ensaios<\/em>: nosso modo de pensar. Mariana: Dom Vi\u00e7oso, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">NOGARE, Pedro Dalle. <em>Humanismos e anti-humanismos<\/em>: introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 antropologia filos\u00f3fica. Petr\u00f3polis: Vozes, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">SARTRE, Jean-Paul. <em>O existencialismo \u00e9 um humanismo<\/em>. Trad. Verg\u00edlio Ferreira. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1978 [1946]. (Os Pensadores)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">TELES, Ant\u00f4nio Xavier. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao estudo de filosofia<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">VVAA. <em>Enciclop\u00e9dia Luso-Brasileira de Cultura<\/em>. Lisboa: Verbo, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">_____________________________________<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">[*] \u201cA palavra pro-jeto significa, etimologicamente, \u2018ser lan\u00e7ado adiante\u2019.\u201d (ARANHA, 1992: 307)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evaldo Rosa de Oliveira &nbsp; Introdu\u00e7\u00e3o O fil\u00f3sofo franc\u00eas Jean-Paul Sartre n\u00e3o escreveu apenas ensaios, romances e pe\u00e7as de teatro, mas tamb\u00e9m obras filos\u00f3ficas. Sua filosofia consiste em colocar o homem como respons\u00e1vel por todos os seus atos. 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