{"id":640,"date":"2009-11-07T08:00:45","date_gmt":"2009-11-07T11:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=640"},"modified":"2009-11-07T08:00:45","modified_gmt":"2009-11-07T11:00:45","slug":"o-empirismo-de-david-hume","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=640","title":{"rendered":"O empirismo de David Hume"},"content":{"rendered":"<p><!--CTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.01 Transitional\/\/E--><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Jackson de Sousa Braga<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">David Hume (1721-1776) \u00a0foi o principal fil\u00f3sofo da corrente de pensamento empirista moderna. Prop\u00f5e que todo conhecimento parte e deriva dos sentidos, opondo-se ao racionalismo cartesiano, que acreditava que o conhecimento derivava da raz\u00e3o. Para Hume, no in\u00edcio do conhecimento, est\u00e3o as percep\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"padding-left:90px;text-align:justify;\"><em>podemos, pois, dividir aqui todas as percep\u00e7\u00f5es da mente em duas classes ou tipos, que se distinguiram pelos diferentes graus de for\u00e7a e vivacidade. As menos intensas e vivas s\u00e3o comumente designadas pensamentos ou id\u00e9ias. O outro tipo carece de nome em nossa l\u00edngua [&#8230;] usaremos, pois, de um pouco de liberdade e chamemo-lhes\u00a0 de impress\u00f5es. <\/em>(HUME, 1998, p. 24)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para Hume, as percep\u00e7\u00f5es provocam impress\u00f5es e estas s\u00e3o mais intensas e presentes (sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es) e as id\u00e9ias derivam delas, ou seja, s\u00e3o produzidas a partir das impress\u00f5es, como se fossem c\u00f3pias das impress\u00f5es guardadas na mem\u00f3ria. Ressalta-se que as impress\u00f5es s\u00e3o mais fortes porque s\u00e3o sentidas no momento com todos os seus sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, sejam elas externas ou internas; j\u00e1 as id\u00e9ias s\u00e3o mais fracas, pois s\u00e3o guardadas pela mem\u00f3ria como imagens ou imaginadas a partir das id\u00e9ias que j\u00e1 se tinha (por exemplo: uma pessoa quando passa por uma experi\u00eancia de afogamento tem no momento toda a intensidade e vivacidade em sua impress\u00e3o; depois de algum tempo tem em si a mem\u00f3ria do ocorrido com uma intensidade menor; al\u00e9m disso, uma terceira pessoa que imagina ter\u00e1 menor sentimento do que a da id\u00e9ia produzida).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As impress\u00f5es que se tem s\u00e3o impress\u00f5es simples e destas derivam as id\u00e9ias, como por exemplo a impress\u00e3o de azul e id\u00e9ia de azul. Mas Hume questiona sobre como \u00e9 poss\u00edvel se ter id\u00e9ias complexas (por exemplo: bola azul) e chega \u00e0 conclus\u00e3o de que estas s\u00e3o compostas por associa\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias simples e compostas, sejam elas feitas por semelhan\u00e7a, contiguidade no tempo e no espa\u00e7o e causa e efeito.<\/p>\n<p style=\"padding-left:90px;text-align:justify;\"><em>Para mim, parece-me apenas 3 princ\u00edpios de conex\u00e3o entres as id\u00e9ias, a saber: semelhan\u00e7a, contig\u00fcidade no espa\u00e7o e tempo e causa e efeito<\/em>. (HUME, 1998, p.30)<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por semelhan\u00e7a, Hume acredita que quando se associa uma impress\u00e3o que se tem no momento com uma id\u00e9ia j\u00e1 contida na mente, faz-se uma associa\u00e7\u00e3o vendo a semelhan\u00e7a entre a id\u00e9ia e a impress\u00e3o. Por exemplo: \u201cuma pintura leva naturalmente os nossos pensamentos para o original\u201d (HUME, 1998, p.30).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Pela contig\u00fcidade no tempo e espa\u00e7o, ele aponta como uma pessoa pode fazer a associa\u00e7\u00e3o de uma impress\u00e3o com alguma id\u00e9ia de um espa\u00e7o e tempo diferentes, sendo que podem levar at\u00e9 a id\u00e9ias diferentes para serem associadas \u00e0quela impress\u00e3o. Seu exemplo \u00e9: \u201ca men\u00e7\u00e3o de um aposento num edif\u00edcio introduz uma inquiri\u00e7\u00e3o ou discurso a respeito de outro\u201d (HUME, 1998, p.30).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E por causalidade, ele observa a associa\u00e7\u00e3o feita da causa com o seu efeito, sendo percept\u00edveis os sentimentos que s\u00e3o dados na impress\u00e3o ou que j\u00e1 se tem como id\u00e9ia. O exemplo \u00e9: \u201cse pensarmos em uma ferida, dificilmente nos abstemos de refletir sobre a dor que se lhe segue\u201d (HUME, 1998, p.30).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas, para o fil\u00f3sofo escoc\u00eas, o que mais rege o conhecimento \u00e9 o costume ou h\u00e1bito. Para Hume, o h\u00e1bito \u00e9 o princ\u00edpio com base no qual, da simples constata\u00e7\u00e3o da contiguidade e sucess\u00e3o entre dois fen\u00f4menos, se infere tamb\u00e9m a necessidade da conex\u00e3o entre os dois fen\u00f4menos, considerando-os um como \u201ccausa\u201d e um \u201cefeito\u201d (REALE, 2007, p. 137). Isto \u00e9, o homem depois de fazer a experi\u00eancia pode guardar sua id\u00e9ia e quando realiza uma nova a\u00e7\u00e3o semelhante tem a capacidade de associ\u00e1-la \u00e0 primeira experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto, o conhecimento para Hume \u00e9 todo baseado na experi\u00eancia, partindo e derivando da mesma. Observa-se na ci\u00eancia moderna aspectos da proposta empirista. Pode-se ver que o trabalho da ci\u00eancia gira em torno da busca de experimentos, ap\u00f3s t\u00ea-los realizado e testada sua efic\u00e1cia, \u00e9 estabelecida um teoria. Como por exemplo um rem\u00e9dio <em>X<\/em> para acabar com uma dor de cabe\u00e7a, depois de ser experimentado por uma pessoa e tiver efic\u00e1cia, provavelmente a pessoa voltar\u00e1 a us\u00e1-lo quando tiver dor .<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">HUME, David. <em>Investiga\u00e7\u00e3o sobre o entendimento humano.<\/em> Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1998.<strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia:<\/em> de Spinoza a Kant. 2\u00aaed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jackson de Sousa Braga David Hume (1721-1776) \u00a0foi o principal fil\u00f3sofo da corrente de pensamento empirista moderna. Prop\u00f5e que todo conhecimento parte e deriva dos sentidos, opondo-se ao racionalismo cartesiano, que acreditava que o conhecimento derivava da raz\u00e3o. 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