{"id":776,"date":"2010-05-01T09:54:59","date_gmt":"2010-05-01T12:54:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=776"},"modified":"2010-05-01T09:54:59","modified_gmt":"2010-05-01T12:54:59","slug":"da-duvida-a-certeza-penso-logo-existo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=776","title":{"rendered":"Da d\u00favida \u00e0 certeza: \u201cPenso, logo\u00a0existo\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Joel Santos de Marselha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Ren\u00e9 Descartes em sua obra <em>Medita\u00e7\u00f5es<\/em> analisa a tradi\u00e7\u00e3o com um olhar met\u00f3dico, acerca da d\u00favida, a fim de romper com seus conceitos de realidade, por acreditar que s\u00e3o incertos e duvidosos. Ele come\u00e7a colocando em foco a quest\u00e3o da exist\u00eancia de si, das coisas, de Deus e da veracidade da matem\u00e1tica, a partir desses elementos ele coloca tudo em d\u00favida, a fim de encontrar um fundamento que seja claro e distinto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Descartes coloca tudo em d\u00favida, isto \u00e9, tudo aquilo que n\u00e3o \u00e9 claro e distinto. Ele duvida dos sentidos, do sonho (ou da realidade), da matem\u00e1tica e de Deus. Ele come\u00e7a colocando em d\u00favida os sentidos e afirmando que os sentidos nos enganam. Se os sentidos nos enganam, resta ent\u00e3o, buscar algo que garanta a veracidade das coisas, mas, uma outra grande fonte de engano \u00e9 o sonho, \u201cPorque n\u00e3o pode impedir que os mesmos pensamentos que temos quando acordados ocorram tamb\u00e9m quando estamos dormindo\u201d (DESCARTES <em>apud<\/em> MARQUES, 1993, p.68). Deus tamb\u00e9m \u00e9 colocado em d\u00favida, ou seja, ele pode ser enganador.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A \u00fanica coisa que, para Descartes, n\u00e3o era colocado em d\u00favida eram os c\u00e1lculos matem\u00e1ticos, por exemplo, um mais dois \u00e9 igual a tr\u00eas, o quadrado tem quatro lados (seja no sonho ou na vig\u00edlia o resultado desses c\u00e1lculos ser\u00e1 sempre verdade). Mas isso, o levou a supor que Deus, poderia ser enganador, inclusive a respeito da matem\u00e1tica. Com tudo isso ele chega \u00e0 conclus\u00e3o de que se ele \u00e9 enganado, ent\u00e3o ele existe, o que o levou a descobrir o cogito (eu pensante), que vai garantir a verdade ao retornar ao sujeito &#8211; EU-HOMEM.\u00a0 Ent\u00e3o, a primeira certeza \u00e9 essa, \u201cpenso logo existo\u201d, \u201csou uma coisa pensante\u201d que sente, duvida e n\u00e3o duvida etc.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Descartes ainda n\u00e3o se conhece, s\u00f3 sabe que \u00e9 uma coisa pensante e que existe. Mas ele se v\u00ea sozinho porque esse eu pensante, descoberto at\u00e9 agora, \u00e9 um \u201ceu\u201d subjetivo, ou seja, individualista, isso n\u00e3o o satisfaz, porque para fazer ci\u00eancia \u00e9 preciso descobrir se h\u00e1 alguma verdade objetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Isso leva Descartes a analisar as id\u00e9ias, advent\u00edcias, adquiridas pelos sentidos, as inventadas, fruto da imagina\u00e7\u00e3o, e perceber que s\u00e3o adquiridas por ele pr\u00f3prio, isto \u00e9, tanto as id\u00e9ias advent\u00edcias quanto as inventadas s\u00e3o causadas pelo cogito. O que fez com que Descartes analisasse as id\u00e9ias inatas, as quais n\u00e3o procedem dele, e chegar assim \u00e0 id\u00e9ia de onipotente, perfeito, infinito, soberano, eterno, imut\u00e1vel, onisciente e criador universal de todas as coisas. E partindo do principio de causalidade, \u201co pior n\u00e3o pode criar o melhor\u201d, chegando assim \u00e0 conclus\u00e3o da exist\u00eancia de Deus. Com isso a prova da exist\u00eancia de Deus garante ao fil\u00f3sofo a sua segunda certeza, de que n\u00e3o s\u00f3 ele, Descartes, existe como ser pensante, mas tamb\u00e9m Deus existe.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sendo assim, ele chega \u00e0 conclus\u00e3o de que Deus existe, e que n\u00e3o \u00e9 enganador, caso fosse enganador ele n\u00e3o seria perfeito, nem criador, garantia essa dada pelo entendimento, pautado assim pela raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que vai fundamentar todo o pensamento cartesiano, a respeito de todo esse processo \u00e9 o cogito. Deus \u00e9 esse que garante o cogito e o cogito garante Deus. O fundamento das verdades claras e distintas procuradas por Descartes \u00e9 encontrado no cogito. E essa \u00e9 a chave central de toda descoberta de Descartes, se penso logo existo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Da d\u00favida e do pensamento de que tudo era falso, Descartes chega a essa verdade firme, \u00e0 qual atribui o car\u00e1ter de primeiro princ\u00edpio. Descartes n\u00e3o quer dizer que ele existe necessariamente nem que a frase \u201ceu existo\u201d seja verdadeira, mas sim que essa frase, sob certas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 necessariamente verdadeira. Quando questionado, Descartes expressa mais claramente sua opini\u00e3o sobre a esp\u00e9cie de coisa deste eu. No discurso, ele diz que o eu \u00e9 uma subst\u00e2ncia cuja inteira ess\u00eancia e natureza s\u00f3 consistem em pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Portanto ao chegar ao final deste artigo percebe-se a exist\u00eancia do homem pelo fato do mesmo pensar, porque o pensamento \u00e9 por natureza, uma caracter\u00edstica pr\u00f3pria de todo ser pensante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">_<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">MARQUES, Jordino. <em>Descartes e sua concep\u00e7\u00e3o de homem<\/em>, S\u00e3o Paulo, Loyola, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">CHALITA, Gabriel. <em>Vivendo a filosofia<\/em>. 2 ed. S\u00e3o Paulo: Atual, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">DESCARTES, Ren\u00e9<em>. Medita\u00e7\u00f5es<\/em>. 3.ed.S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1983. (Os Pensadores)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joel Santos de Marselha Ren\u00e9 Descartes em sua obra Medita\u00e7\u00f5es analisa a tradi\u00e7\u00e3o com um olhar met\u00f3dico, acerca da d\u00favida, a fim de romper com seus conceitos de realidade, por acreditar que s\u00e3o incertos e duvidosos. 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