{"id":962,"date":"2010-06-12T11:19:24","date_gmt":"2010-06-12T14:19:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pensamentoextemporaneo.wordpress.com\/?p=962"},"modified":"2010-06-12T11:19:24","modified_gmt":"2010-06-12T14:19:24","slug":"a-educacao-para-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pensamentoextemporaneo.com.br\/?p=962","title":{"rendered":"A educa\u00e7\u00e3o para a liberdade segundo Rousseau"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Leone Jos\u00e9 Mateus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Jean-Jacques Rousseau \u00e9 um dos principais representantes do iluminismo franc\u00eas. Em 1742, o fil\u00f3sofo de Genebra se instala em Paris como professor de m\u00fasica, mas n\u00e3o se saiu bem. Rousseau estabeleceu um la\u00e7o de amizade com Diderot, que o convidou para escrever artigos de m\u00fasica para a <em>Enciclop\u00e9dia<\/em>, foi assim que entrou em contato com os fil\u00f3sofos enciclopedistas. Em 1749, despertou como fil\u00f3sofo ao escrever sua primeira obra: <em>Discurso sobre as ci\u00eancias e as artes, <\/em>atrav\u00e9s<em> <\/em>dela ganhou o pr\u00eamio de um concurso e deu in\u00edcio a um pensamento desarm\u00f4nico e pol\u00eamico dentro da corrente iluminista, pois criticava o progresso e a civiliza\u00e7\u00e3o. Em 1762 publicou <em>Em\u00edlio<\/em> e <em>Do contrato social,<\/em> obras que o for\u00e7aram a fugir de Paris para n\u00e3o ser preso, pois foram consideradas ofensivas pelas autoridades. Voltando a Paris, em 1776 seu estado de sa\u00fade se agravou, vivia isolado e ao lado da pobreza. O fil\u00f3sofo passou os \u00faltimos dias de sua vida estudando e catalogando plantas, at\u00e9 falecer deixando uma vasta obra na \u00e1rea da pol\u00edtica, moral, educa\u00e7\u00e3o, m\u00fasica, teatro e bot\u00e2nica, al\u00e9m de uma autobiografia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Rousseau em todas as suas obras se preocupava com os processos educativos, tanto quanto as rela\u00e7\u00f5es sociais, que s\u00e3o afrontados com a no\u00e7\u00e3o de liberdade. Rousseau afirma que: \u201c&#8230; \u2018todos nascem homens e livres\u2019; a liberdade lhes pertence e renunciar a ela \u00e9 renunciar \u00e0 pr\u00f3pria qualidade de homem. Ningu\u00e9m como ele afirmou que o princ\u00edpio da liberdade como direito inalien\u00e1vel e exig\u00eancia essencial da pr\u00f3pria natureza espiritual do homem\u201d (ARBOUSSE-BASTIDE, MACHADO, 1978, p. XVIII ).Ele queria uma sociedade em que as pessoas fossem n\u00e3o apenas livres e iguais, mas tamb\u00e9m soberanas, que exercessem um papel ativo dentro do contexto. Para que isso acontecesse, al\u00e9m de um contrato justo, seria necess\u00e1rio ensin\u00e1-las a serem livres, aut\u00eanticas e aut\u00f4nomas. Essa seria uma tarefa de \u201ccivilizar a civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, deveria iniciar com a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. O fil\u00f3sofo se dedicou a esta tarefa escrevendo um tratado pedag\u00f3gico em forma de romance cuja obra-prima \u00e9 <em>\u00c9milio, <\/em>o nome da personagem principal. A tese fundamental de Rousseau \u00e9 a de que o ser humano \u00e9 naturalmente bom, mas foi corrompido pela sociedade. Portanto, conforme afirmam Reale e Antiseri (2004, p.287),<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;padding-left:120px;\"><em>N\u00e3o se deve treinar uma crian\u00e7a quando n\u00e3o se sabe conduzi-la aonde se quer, somente atrav\u00e9s das leis do poss\u00edvel e do imposs\u00edvel, cujas esferas, sendo-lhe igualmente desconhecidas, podem ser ampliadas ou restringidas diante dela como melhor convier. Pode-se prend\u00ea-la, impedi-la ou det\u00ea-la sem que ela se d\u00ea conta, somente atrav\u00e9s da voz da necessidade. E pode-se torn\u00e1-la mansa e d\u00f3cil somente atrav\u00e9s da for\u00e7a das coisas, sem que nenhum v\u00edcio tenha condi\u00e7\u00f5es de germinar em seu cora\u00e7\u00e3o, porque as paix\u00f5es nunca se acendem quando s\u00e3o v\u00e3s em seus efeitos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deste modo, a crian\u00e7a que foi criada numa sociedade civilizada vai perdendo o contato com seus instintos naturais e sentimentos \u00e0 medida que eles v\u00e3o sendo reprimidos ou \u00e0 medida que ela aprende, atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de normas e conceitos abstratos, a n\u00e3o revelar certas emo\u00e7\u00f5es e a fingir outras. O resultado \u00e9 a perda de contato consigo mesma e a necessidade de mostrar-se diferente do que realmente \u00e9. Depois v\u00eam a falsidade, a hipocrisia e todos os outros v\u00edcios: \u201cUm homem abandonado a si mesmo, desde o nascimento, entre os demais seria o mais desfigurado de todos. Os preconceitos, a autoridade, a necessidade, o exemplo, todas as institui\u00e7\u00f5es sociais em que nos achamos submersos abafariam nele a natureza e nada poriam no lugar\u201d (CHALITA, 2004, p.282).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em <em>Em\u00edlio, <\/em>Rousseau usa como exemplo o homem natural e defende uma pedagogia que siga a natureza. Na obra o personagem Em\u00edlio \u00e9 afastado da sociedade corrupta at\u00e9 os 15 anos de idade, evitando qualquer corruptura da sociedade. Rousseau criou uma t\u00e9cnica inovadora: ao inv\u00e9s de reprimir as crian\u00e7as ou disciplin\u00e1-las como era feito na \u00e9poca, prop\u00f5e uma educa\u00e7\u00e3o que procura incentivar a express\u00e3o das tend\u00eancias da crian\u00e7a. Dever-se-ia realizar essa educa\u00e7\u00e3o no seio da fam\u00edlia usando de amor e carinho para essa pr\u00e1tica. E deixaria o aspecto te\u00f3rico e racional para segundo plano.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, o pensamento de Rousseau teve grande influ\u00eancia no desenvolvimento da pedagogia, a sua filosofia libert\u00e1ria foi uma das principais fontes de inspira\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Repercutiu em diversas \u00e1reas como nos ideais pol\u00edticos do comunismo e do anarquismo, nascidos no s\u00e9culo XIX. Rousseau por valorizar as emo\u00e7\u00f5es, foi reconhecido o grande precursor do Romantismo, que \u00e9 o movimento liter\u00e1rio surgido no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX e que se caracterizou pelo predom\u00ednio dos sentimentos e da imagina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ARBOUSSE-BASTIDE, Paul; MACHADO, Lourival Gomes. Vida e Obra. In: ROUSSEAU, Jean-Jacques. <em>Os pensadores<\/em>.\u00a0 2 ed. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1978.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">CHALITA, Gabriel. <em>Vivendo a filosofia<\/em>. 2 ed. S\u00e3o Paulo: Atual, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia: de Spinoza a Kant<\/em>. Volume 4. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">ROUSSEAU, Jean-Jacques. <em>Os pensadores<\/em>.\u00a0 2 ed. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1978.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leone Jos\u00e9 Mateus Jean-Jacques Rousseau \u00e9 um dos principais representantes do iluminismo franc\u00eas. Em 1742, o fil\u00f3sofo de Genebra se instala em Paris como professor de m\u00fasica, mas n\u00e3o se saiu bem. 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