2 Comentários

  1. Mauro Castro

    Edir expressa aqui perfeitamente a tônica do niilismo de Nietzsche: “nada” significa possibilidade. A questão que incomoda é que esta não é uma filosofia para todos; o niilismo não é democrático. É para espíritos livres. Por isso a dificuldade de fazer advir o além-homem, resultando por vezes numa espécie de aquém-homem, isto é, num niilismo sem vontade, uma possibilidade sem potência.
    Mas que bom perceber que espíritos livres há!

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  2. A filosofia de Zaratustra é “a filosofia do futuro” como a força do instintivo. O solitário cria o mundo extramoral “para além do bem e do mal” e distingue-se nobremente da ralé amansada e doentia. Ele recusa a receita de “melhoramento” do animal, esse sintoma da doença do estômago e da nutrição da receita crista.
    O forte sabe o quanto poder tem a forca para fraqueza debilitada no populacho, os maricas seguidores da decadência e os propagadores da moral do bem e do mal na célula orgânica na manutenção da ideologia de rebanho com o sacrifício público no objetivo de um ideal. A metafísica tem como causa o principio do ser. O maniqueísmo de Agostinho è dúvida temerosa. A cristandade tem a idéia de um soberano “democrático” anarquista, como o espírito francês da igualdade, esse pietista da ciência, assim como inglês da experiência, o russo ressentido. E o alemão? O alemão è esse metafísico kantiano ou o espírito absoluto hegeliano da comunhão do deus cristão com um aristotelismo e platonismo em abundancia. E quem são os americanos? Nada mais do que a soma de todas essas doenças misturadas com o espírito de salvação guerreira do capital, esse filhote do inglês liberal, na onda de expansão capitalista e dos ideais franceses da penúria compadecida de Rousseau ou da filosofia russa do rancoroso revoltado. A perspectiva de Nietzsche não é formar modelo político e inseminado na população, mas na experiência da vida em sua total potencia do vivo e do ativo corpo como vitalidade do sistema biológico. Viva a exaltação do bom, do saudável, do forte, do vigoroso no sistema biológico e da função física. Um nao para a libertação da moral crista è um sim para Dionísio com toda força em oposição a Apolo.
    A vida no circulo do eterno retorno é força de mais forca na vida. Dionísio é o canto da vida trágica com paixão pelo destino. O “amor” como conceito tradicional è um querer o vazio em querer o vazio. A fórmula crista do tipo em amar o próximo è sintoma de fraqueza. Por que nao odear? Amar o inimigo? Odeia-o. Conceber alma? Viva o corpóreo e experimenta-o.
    A vida em vigor para o pode e para o domínio è a expansão de vida como experiencia a partir do corpo. O “Amor” è a terapia decadente da arte moderna, esse sintoma doentio do homem padecido de causa. A moral crista cria inimigos para amá-lo. Já o “sobre-humano” è ele o seu próprio inimigo. Ele percorre um único caminho possível à vida no seu eterno retorno como a “imanência de toda matéria”. O seu anjo è impulso, desejo, vontade e anseio do viver em sua expressividade trágica: o amor fati, a festa, a loucura, o irracional, o ódio, o orgulho, o distinto, a diferença, a força, a superioridade, a corporalidade, a energia, a potencia, a positividade, a totalidade na celebração dionisíaca ao expansivo e a exercitação do corporal que cria o seu próprio valor com o desregramento moral para um regramento natural. Ele produz o seu próprio valor para mais valor. A negação do deus cristão não è por ato metafísico da retórica e dos parafusos dialéticos do discurso socrático, mas da experiencia individual do vivo que experimenta e cria a sua própria fortaleza. O “sobre-humano” não nega por negar, ele nega para afirmar. Negar a “razão” para afirmar a desrazao, negar a moral para afirma o imoral, negar a alma para afirmar o corpo, negar a doença (crença) para afirmar a saúde (existência, estética do oposto) e vir a ser o que é.

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