8 Comentários

  1. Maurício de Assis Reis

    Quanto ao texto, diria que foi muito bem escrito. Quanto às ideias aí expostas, diria que a metafísica de Voltaire me deixa dúvidas.
    Sua filosofia está localizada num contexto moderno que confia extremamente na razão. O caminho parece ser o que Kant dirá mais tarde, ao deixar fora da especulação racional aquilo que não pode ser conhecido, como no caso de Deus. Quando dizemos que “a natureza proclama sua existência”, remete a algo, a meu ver, mais poético que propriamente metafísico, e não corresponde a uma filosofia que se funda numa racionalidade que confia extremamente no dado material. Com isso, Deus assumiria uma perspectiva um tanto “maquinária”, simplesmente servindo para emular a máquina da natureza com todos os elementos aí implicados. Com um Deus maquinário e se pensarmos em sentido para a vida, estaria esta submetida aos caminhos racionalmente preparados, ou haveria ainda liberdade para as forças internas lembradas no início do texto, os instintos e paixões?

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  2. João Paulo Rodrigues Pereira

    Maurício agradeço pela crítica, foi muito pertinente.
    Quanto a relação que fez de Voltaire com Kant, me parece que neste ponto os dois se assemelham, pois para Voltaire todo conhecimento seria utopia a não ser o conhecimento resultante da observação. Assim, não se pode conhecer a Deus, mas através da observação da realidade física se constata a sua existência. Quanto à frase “a natureza proclama sua existência”, realmente parece poético, mas a meu ver, isto não anularia a filosofia racionalista que se funda nos dados matérias, uma vez que, é dá observação da natureza que Voltaire deduz a existência de Deus e por isso nega-lo seria um absurdo, pois a própria natureza aponta para esta existência. Quanto ao Deus maquinário, esta é a concepção de Voltaire. Para ele Deus criou a ordem do universo, mas a história concerni aos homens. Neste sentido sobraria espaço para esta liberdade das forças que cercam o homem.
    Por fim, penso que mesmo existindo um Deus maquinário, que não se envolvesse com a história dos homens, ainda sim haveria um sentido para vida, simplesmente pelo fato de existir um principio criador e saber que existe algo que ultrapassa a realidade física daria um sentido para a vida do homem, dando segurança para ele diante de sua finitude e das forças que o cerca.

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  3. Maurício de Assis Reis

    Caro João Paulo, estou gostando do diálogo. Que tal continuarmos a debater a filosofia de Voltaire. É preciso dizer que não conheço os textos dele, por isso apenas faço observações sobre o pensamento que você expõe do autor.
    Primeiramente, voltaria ao contexto da filosofia moderna. Marcado por uma confiança nas potencialidades da razão, tal contexto herda da filosofia cartesiana o método construído de forma racional.
    Diante disso, faria uma observação no forma da observação de Deus na natureza. A verdade aqui estaria intimamente relacionada aos procedimentos metodológicos da razão, de forma a encontrar, sem saltos, a certeza da existência de qualquer objeto. Ora, Deus não é fruto da certeza, mas da dedução a partir da natureza e da sua forma de ser.
    Depois, diante da afirmação dedutiva da existência de Deus, existem outras observações quanto às ideias de Voltaire. Se há um Deus criador, “a natureza proclama sua existência”. Se o Deus em questão é maquinário, ordenador do universo, suas criações devem segui-lo como a um ideal. A busca pelo sentido da vida, desta forma, não deveria possuir existência, uma vez a maquinaria da natureza já o deveria determinar. As crises da humanidade se tornariam falhas nas engrenagens e os homens que fossem influenciados por seus instintos e paixões estariam num nível abaixo daqueles que regem suas vidas a partir do sentido anteriormente dado.

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  4. Edivan Guimaraes

    Compartilho do pensamento deste grande filósofo francês qdo. diz que:

    ” Deus se manifesta ao homem não pela revelação histórica como a tradição judaico-cristã, mas através da razão, de modo que, negar a existência de Deus seria um absurdo, pois segundo ele: “Deus existe como a coisa mais verossímil que os homens podem pensar e a proposição contrária como uma das mais absurdas” (VOLTAIRE, 1978b, p.68).”

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  5. João Paulo

    Valeu Edivam pelo seu comentário. É bom saber que existe pessoas que compartilham do pensamento de Voltaire, principalmente por causa do tema e da forma que ele trata o mesmo.

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  6. Ele ainda sofria o dilema das trevas da idade média.ou seja, a morte de mitos é um processo, hoje, Deus é só uma ilusão de fanáticos

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  7. Alexandre Viana

    Vejo que o assunto já e por demais antigo aqui, creio que por isso meu comentário só servirá para próximos leitores e não para o João, autor deste belíssimo texto, e o Maurício que trouxe contra pontos interessantes. Mesmo assim gostaria de tecer algo de forma muito breve.
    Voltaire foi um grande filósofo sem dúvida, sua afirmação de: Se Deus não existisse teríamos que inventá-lo. É ótima e revela a máximo cristã de que: O homem tem um buraco no seu ser que só pode ser preenchido por Deus. (Não disse do tamanho Dele para não ofender a minha compreensão de que Deus é imensurável).
    Além disso outra contribuição aos cristãos dada por este grande filósofo, foi mostrar de forma ainda mais racional, em outro momento da história, aquilo que Tomas de Aquino já traçara tempos antes, falo das engrenagens, e comprovar o que homens ainda mais antigos, como o Ap. Paulo já haviam dito: Deus se revela através da natureza.
    É bem verdade que alguns, como o querido e sucinto Cláudio, irão se estribar nos avanços desta sociedade que a cada dia se distância mais de Deus, negando, contra o seu próprio entendimento natural, a existência deste ser, para ressaltar: A morte dos mitos! Esquecendo de observar que este “mito” nunca impediu os avanços da sociedade, mas a atual sociedade que se gaba da “morte dos mitos” tem a cada dia afundado mais e mais no caos, na violência, na falta de perspetiva… enfim. Sendo assim o que posso eu acrescentar?
    Apenas que mesmo a natureza revelando a existência de Deus, o mero fato se saber que ele existe se resume em nada quando o vemos como um mero mantenedor da ordem do universo ou como o também citado Kant: algo de que não se pode conhecer.
    Deus se revela sim a nossa razão através da natureza, mais não só um mantenedor da ordem do universo, é também um Deus pessoal, ou seja, que lida com os que o buscam em espírito e em verdade. Que não simplismente criou o homem mais está atento e atuante a respeito do que criou e por isso o vemos na história deste planeta e consequentemente na história dos que o compõe.

    Obrigado pelo espaço fiquem com Deus

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  8. Jocivaldo Siqueira.

    Alexandre Viana, gostei muito do seu texto e da maneira religiosa que você defendeu a ideia de Deus não como um simples “mecânico” do universo, mas como um Deus criador, mantenedor e vigilante sobre a criação. “Um homem sem Deus é uma lâmpada apagada”. O que me preocupa nessa ideia de necessidade de Deus é o abuso dos que transformam o conhecimento em arma para aprisionar. Essa foi a causa de existir o iluminismo. Eu não tenho receio de dizer que necessito de Deus, e que posso senti-lo. Mas não desejo e não necessito de religiões que aprisionam. “posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até o dia de minha morte o seu direito de dizê-lo”. (Voltaire). João Paulo, obrigado pela oportunidade que nos dá com esse espaço maravilhoso para troca de ideias e aprendizado. Que o Deus libertador fique com todos.

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