Tiago da Silva Gomes

Wilhiam Luiz de Lima

Introdução

Acima da ciência há outra face da realidade: importante, e de certa forma imprescindível do ser humano, aquela em que aparecem aspectos tão pouco quantificáveis como, por exemplo, os sentimentos – não é possível pesá-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. Essa dimensão é a religião.

Como as ciências avançam sobre dados seguros e conferidos, verificados pela experiência, foram surgindo pensadores ao longo da história convencidos de que, sempre que a ciência descobria um segredo, a religião dava um passo atrás.

A razão é uma das mais nobres capacidades que distinguem a espécie humana, por ela são perceptíveis as conquistas da ciência e a sua luta por construir um mundo melhor. Mas, convém não esquecer a limitação humana, e igualmente a ordem natural que impele o homem a Deus, que lhe permite preservar a sua dignidade e evitar muitos erros.


1. Definição de ciência

O conhecimento científico é uma conquista recente da humanidade: data de quase quatrocentos anos surgido no século XVII com a revolução galileana. Isso não significa que antes não houvesse saber rigoroso, pois, desde o século VI a.C., na Grécia antiga, os sábios aspiravam a um conhecimento que se distinguisse do mito e do saber comum.[1]

O mito já não mais agradava ou explicava a realidade, surgiam elementos que até os desmentinham e buscou-se um saber sistematizado. Filosofia e ciência estavam intimamente ligados, e somente se separaram na modernidade, buscando cada uma seu objeto com seu método próprio. Dessa forma, nasce a ciência moderna, delimitando objeto e criando método.

A utilização de método permite à ciência atingir conhecimento sistemático e objetivo, e possibilita relacionar de modo universal os fenômenos. Cada ciência se torna particular, quando delimita seu campo de pesquisa e seus procedimentos específicos. Com relação às demais formas de saber, a ciência busca suas conclusões a partir de seus métodos.

A ciência não é único meio de explicação da realidade, certo e infalível; até porque está em constante evolução. As ciências humanas, não fazem experimentos, como a psicanálise; ou recorrem à experiências laboratoriais ou estatísticos, como a psicologia comportamental.


1.1 Especificação dos métodos científicos

As ciências se iniciam ou de observações ou de problemas determinados, e partem de dados objetivos. Precisa conceitos que o senso comum “despreza”, dos quais se parte para exame do conteúdo afirmado.

[…] a ciência não se limita a contestações do fenômeno como tal, pois também quer encontrar regularidades objetivas e fundamentos causais dessas regularidades para elaborá-las. Proposições científicas respondem a questões como: O que é como? Por que é assim? As ciências investigam:  como nós esclarecemos isso que observamos? Quais as regularidades existentes?[2]

Métodos são imprescindíveis à ciência, garantem-lhe objetividade. Proposições científicas são juízos formulados a partir de métodos, que questionam o objeto segundo o que o sujeito observa, objetivamente. O procedimento científico se realiza por passos:

1. Formula-se uma hipótese. Para se estabelecer o objeto de estudo, especula-se as várias maneiras de ele ser estabelecido. A hipótese científica é a suposição da causa provável de um fenômeno ou efeito; não se trata de especulação repentina. A hipótese somente será verdadeira quando a observação for capaz de abranger o que pretende explicar de modo totalizante.

2. Para se descobrir se a hipótese é adequada, usa-se da experiência. Verifica-se se o conteúdo hipotético é causa do percebido empírico. A formulação é testada.

3. Nos experimentos procede-se com medidas. Nas ciências da natureza, varia-se um fator, e observam-se as mudanças do outro.

4. Depois do experimento, segue-se a interpretação sobre o método, as influências.

5. Elemento essencial dos resultados é a possibilidade de prognoses. Um acontecimento singular dentro de determinadas regularidades, da mesma forma deveriam se repetir.

6. Se confirmada a hipótese, tem-se a lei ou teoria; isso poderá ser alterado por pesquisas e correções posteriores e possíveis, dessa forma, proposições científicas nunca são absolutas. As leis somente são verdadeiras enquanto correspondem à investigação em voga.

7. As leis expressam-se como proposições condicionais (se, então)

Pelo caminho indutivo, chega-se a proposições sobre fenômenos do mundo empírico. O conhecimento deve ser objetivo, percebido de mesmo modo por muitos.

O objeto de estudo da filosofia é o todo, não um fenômeno singular.

L. Wittgenstein radicaliza: parece absurdo dizer filosoficamente o que não se pode verificar, pois a linguagem só pode dizer com sentido realidades fácticas, conexões verificáveis. Como a filosofia tradicional fala de totalidades, deve ser situada no pensamento místico.[3]

Filosofia e Teologia trabalham hipóteses nos diferentes campos, com objetos acessíveis:

a) Criticando a documentos históricos, que relacionam fé, pensamento e ação humanos.

b) Analisando proposições existenciais e psicológicas, ocorre a realidade dentro da qual se realiza a responsabilidade humana. A fé determina a existência.

c) Comparando com outras religiões, constata-se diferentes concepções antropológicas, tematiza-se instituições, conduta perante Deus[4]

A diferença em relação às ciências é que algumas hipóteses não são ou raramente são verificáveis em experimentos, pois é impossível reproduzir suas determinações.


2. Significação de religião

A religião é algo de constitutivo e expressivo em muitas culturas. É através dela que há uma transmutação do espaço, isto é, transcende-se o espaço físico com suas experiências espirituais. Também qualifica o tempo, dando-lhe a marca do sagrado. Toda a dinâmica da religião se baseia em um elemento mistérico: a fé.

Pode-se constatar a presença da fé em religiões antigas como o judaísmo, budismo, cristianismo e islamismo, que através dela exerceram grande poder na história da sociedade.  Por exemplo, no judaísmo as leis que regiam a sociedade partiam dos ensinamentos da Torá.  A origem do povo judeu vem de uma longa experiência de fé a começar com Abraão, Moisés, se estendendo à vivência dos profetas, patriarcas e reis. Já no cristianismo a fé é fundamentada na tradição dos apóstolos de Jesus Cristo, na Sagrada Escritura e no Magistério da Igreja. Nas origens do cristianismo vêem-se testemunhos corajosos de profissão de fé a ponto de se por a vida em risco e, às vezes, dando-a à morte. É uma fé que tem a figura de Cristo que se encarnou fazendo-se homem e padecendo, sendo morto como homem para redimir os pecados da humanidade, porém ressuscita trazendo nova esperança para a fé cristã, que se baseia no testemunho da ressurreição de Cristo.

O cristianismo exerceu influência na formação cultural de muitas sociedades e teve participação na difusão de várias conquistas científicas e culturais que mudaram a sociedade. No período medieval, a fé era o elemento usado para justificar o incompreensível e foi durante longo período um dos bloqueios para que a ciência não se evoluísse.

A fé é uma experiência que o homem vivencia a partir do mistério, do incompreensível e inacessível. Ela remete o homem a algo transcendente ou algo superior a ele. Diz-se que alguém tem fé quando experiencia o sentimento de finitude diante da vida, que pode pouco e que acredita no auxílio de algo superior. A fé é uma experiência de confiança e esperança.

Consiste, a fé, em considerar uma idéia verdadeira ou aceitável, baseando-se em um grau de evidência não decisiva. É algo mais forte que a opinião, mas mais fraca que o conhecimento, pois é algo muitas das vezes experienciado, impossibilitado de descrição cognitiva.

Por outro lado, fala-se de fé para designar um estado de espírito em que a confiança é depositada numa pessoa, idéia ou coisa sem evidência objetiva. Segundo Kant, é a aceitação de idéias ou de princípios regulatórios, os quais não podem ser demonstrados teórica ou empiricamente. No entanto, são necessários e úteis para a elaboração de teorias científicas, práticas e morais.

No século XX, um pensador chamado Karl Jaspers refletiu sobre o tema. Ele considera em uma obra Der philosophische Glube, que a essência da fé surge da análise da relação existência-transcencendência. A fé é a expressão máxima da liberdade humana. É a certeza de ser e do ser, é certeza existencial e ato instituidor da existência que em uma ação interior descobre a presença da transcendência.

A definição da palavra fé é algo difícil, por ser ambígua. Usa-se a palavra fé (crença) de diferentes maneiras como um “achar”, “julgar” na informalidade da fala cotidiana e usa-se fé no contexto religioso, como crença.

A fé também apresenta uma reivindicação universal de verdade e certeza como a ciência. O que se crê também deve ser examinado por sua verdade, certeza e coerência, pois a fé exige justificação, não basta convicção pessoal. Dizer que alguém crê uma proposição, que não sabe, significa que recorre a estratégias de justificação diferentes da ciência.

A dificuldade está em encontrar as estratégias de justificação que separam fé e ciência, de maneira adequada. Como alguém chega ao conhecimento de uma proposição da fé? Para as tais proposições, é necessário mais o testemunho de outras pessoas e menos de percepções sensíveis do que do conhecimento científico. Na crença, sempre se pressupõe alguém em quem se acredita, crê-se na veracidade de alguém. Assim também a crença em Deus inclui nela uma certeza existencial muito forte, ou seja, a fé traz em si uma certeza existencial. Mas, por outro lado, a justificação da fé nunca pode ser reduzida totalmente à ciência.

O filósofo francês Gabriel Marcel dizia que estrutura da fé é diádica e a demonstração científica é triádica. Quando creio, creio em alguém. O ato de crer envolve toda a minha pessoa, razão e sentimento. Por isso a fé se testemunha. Testemunhar algo significa estarmos com todo o nosso ser por aquilo que afirmamos. Os primeiros mártires cristão são exemplos de testemunho da fé. Pois deram sua vida por aquilo que criam. A prova científica é apenas um ato racional: eu provo algo a alguém. O processo de demonstração científica consiste em fazer com que alguém possa ver algo da mesma maneira como eu. Envolve apenas minha razão e a do outro. [5]


3. A justificação da religião frente à ciência e da ciência frente à religião

Desde sua origem, a filosofia com sua visão crítica, quis responder à questão da verdade da vida. A religião sempre esteve atrelada à vida do homem, o que fez os filósofos,  de alguma forma, considerar a questão de Deus.

A filosofia grega antiga pensou a totalidade, Deus como cosmos, no qual está o fundamento originário, em Anaximandro; que é ser imutável, em Parmênides; que é Logos ordenador, segundo Heráclito; ou noús, princípio de movimento, segundo Anaxágoras; o mundo era pensado objetivamente nesse contexto; a partir dele, a idéia de Deus.

A revolução copernicana significou também o início do pensamento subjetivo. O homem agora questiona o acesso ao real e fala de realidade a partir da subjetividade, e apóia-se apenas na razão e na experiência. Isso também modificou a concepção de Deus. Para dominar a natureza, as ciências dispensaram a idéia de causa primeira, mas com referência a Deus, cuja questão passa a ser, considerada não a partir do mundo, mas do homem e suas relações com o mundo.

A filosofia da religião é ciência nova, foram importantes vários pensadores. A filosofia da ciência “é filosofia; e filosofia não se esclarece a partir de outras ciências, mas a partir de si mesma. Quando o homem filosofa, ele mesmo pensa. O pensar filosófico é forma radical de liberdade humana[6]

A partir do pensamento, o homem se compreende a si e se desenvolve; seu pensamento além de ter, lhe dá fundamento. A filosofia da religião é diferente das demais ciências relacionadas à religião porque indaga a si, como é, e tematiza-se; inclui a questão crítica do ser, tenta esclarecer o ser e a essência da religião.

A religião não é dada, nem se funda na filosofia, não é filosofia.

Certamente há influência mútua entre a filosofia e a religião. O filósofo encontra a religião como o diferente, o outro. Mas a religião realiza-se como acontecimento humano, como uma forma da vida humana. São homens que crêem em Deus, rezam, se reúnem em assembléia para o culto. Na fé em Deus, os homens indagam sempre, de alguma forma, a si mesmos. Embora não produzam a religião, cabe-lhes uma liberdade responsável perante si mesmos, ou seja, perante a razão crítica.[7]

A religião é parte importante da antropologia filosófica, pois está na compreensão que o homem tem de si mesmo e do ser. Expressa-se em linguagem, categorias e possibilidades humanas. A partir de uma compreensão da essência da religião, posiciona-se criticamente a ela, e esclarece-se seu sentido na vida do homem. A religião “é a crença na garantia divina oferecida ao homem para sua salvação e, ao mesmo tempo seu comportamento (culto, ética) para obter e conservar tal garantia.”[8]


4. Posicionamentos favoráveis e contrários à justificação religião e ciência

No decorrer da história, sobretudo a partir do Iluminismo, surgiram aqueles que consideram a religião como consciência falsa, ideologia, como Feuerbach, que parte de uma concepção de vida natural não alienada, e Freud, mais cético, que esperou um futuro em que a humanidade constituiria uma harmonia sem religião ou ciência.[9] Para Feuerbach ainda, a religião é projeção das expectativas do homem que é limitado, o que deseja para si, ou lhe falta, projeta na figura de Deus.

Esses dentre outros, almejam, pela razão e natureza, transformar a consciência humana, a partir, sobretudo do domínio tecnológico sobre as forças da natureza. A alienação seria falta de conhecimento científico e domínio do inconsciente.

Marx se destaca como o pai da crítica moderna à religião, confiando fortemente na razão, na ciência e no progresso. “O desejo de libertar a humanidade da ilusão de Deus e da tirania da fé religiosa reverteu, ele mesmo, em ilusão. Não só na filosofia, como também na psicologia profunda e na sociologia, hoje se buscam fundamentos para a existência da fé em uma realidade chamada Deus[10]. A religião é instituição político-social, obstáculo ao progresso e libertação do homem.

Mas, a relação ciência e religião nem sempre foi vista de modo pessimista.

Durante séculos e milênios, a religião era tema na filosofia como qualquer outro. Por isso, todos os grandes filósofos dela trataram de uma forma ou outra forma. Desde o século XVII, surgem esforços apologéticos para justificar a religião no mundo moderno por que esta (o cristianismo) se distanciou da evolução histórica do mundo técnico-científico. [11]

A fé é ato totalmente humano e deve ter sentido humano e honestidade e responsabilidade intelectual. A razão conduz, pela abertura ao ser, à religião, expressão da transcendência humana, mas aquela não se convence por uma fé que julgue a essência de Deus, do mundo e do homem, ou seja, forneça meios e métodos a ela (a razão). A fundamentação religiosa pela filosofia transcendental é a histórica; o eu seria ambivalente, diferente do eu histórico.

Segundo santo Tomás de Aquino, destacado pensador da Patrística, a fé aperfeiçoa a razão da mesma forma que a teologia, e conseqüentemente a religião, aperfeiçoa a filosofia. A teologia retifica a filosofia; a fé orienta a razão, não diminuindo-a.[12]

Para Pascal, a razão é insuficiente para conhecer as verdades éticas ou religiosas, e não chega a Deus. É o coração que conhece Deus; Ele é sensível, não à razão, mas ao coração, este, ‘tem razões que a própria razão desconhece’. Não há contraposição entre fé cristã e natureza humana, mas não O conhece-se sem a ciência ou a filosofia.[13]


Conclusão

A história da ciência adverte insistentemente, sobre um fato irrefutável: poucas teorias científicas conseguem manter-se em pé, mesmo que por poucos séculos; muitas vezes, só por alguns anos; e em alguns casos, menos ainda. A maioria das afirmações da ciência são posteriormente substituídas, uma após a outra, pouco a pouco, por outras explicações mais complexas e mais fundamentadas dessa mesma realidade. Eram hipóteses tidas como certas durante uma série de anos, ou de séculos, e que um dia se descobre que estão superadas. A postura própria da ciência experimental deve ser, portanto, extremamente cautelosa nas suas afirmações.

A ciência, apesar dos seus progressos, não será capaz explicar tudo. Cada vez ganhará mais terreno no campo daquilo que hoje parece inexplicável. Mas os limites do saber, por muito longe que cheguem, terão sempre pela frente um infinito mundo de mistério, no qual a fé caminha sem tropeços, nem intempéries. Uma pode entrar no campo da outra, nunca desrespeitá-la. A ciência não garante ou indica a fé, da mesma forma a fé não deve ser empecilho à ciência, no seu progresso. A ciência se ocupa das coisas que ela vê, a fé por sua vez, ocupa-se das coisas invisíveis. Ambas devem permanecer em seus limites. A ciência explicando como se é feito, como o mundo é feito; e a religião, porque se está no mundo e que sentido tem esse estar no mundo.


Referências

ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. História da filosofia: antiguidade e idade média. 5ªed. São Paulo: Paulus, 1990.

ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. História da filosofia: do humanismo a Kant. 8ªed. São Paulo: Paulus, 2007.

ARANHA, M. Lúcia de Arruda; MARTINS, M. Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 3ªed. São Paulo: Moderna, 2003.

GALIEMBERTI, Umberto. Rastros do sagrado. Tradução de: Euclides Luiz Calloni. São Paulo: Paulus, 2003.

STACCONE, Guiseppe. Filosofia da religião: o pensamento do homem ocidental e o problema de Deus. Petrópolis: Vozes, 1987.

ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. 2ªed. São Paulo: Paulus, 1991.

_____. Teoria do conhecimento e teoria da ciência. São Paulo: Paulus, 2005.


[1] ARANHA, M. Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires,  Filosofando.

[2] ZILLES,  Teoria do conhecimento e teoria da ciência, p 151

[3] ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e teoria da ciência,. p 153.

[4] Cf. ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e teoria da ciência,. p 151

[5] ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e teoria da ciência,. p 28

[6] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião,. p 9.

[7] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião, p 10.

[8] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião, . p 11.

[9] Cf. ZILLES, Urbano. Filosofia da religião, p 13.

[10] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião, . p 14.

[11] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião, p 15.

[12] Cf. ANTISERI, Dario. REALE, Giovanni. História da filosofia: antiguidade e idade média, p. 554-555.

[13] Cf. ANTISERI, Dario. REALE, Giovanni. História da filosofia: do humanismo a Kant, p. 618-621.

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Tiago da Silva Gomes

Wilhiam Luiz de Lima

Introdução

Acima da ciência há outra face da realidade: importante, e de certa forma imprescindível do ser humano, aquela em que aparecem aspectos tão pouco quantificáveis como, por exemplo, os sentimentos – não é possível pesá-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. Essa dimensão é a religião.

Como as ciências avançam sobre dados seguros e conferidos, verificados pela experiência, foram surgindo pensadores ao longo da história convencidos de que, sempre que a ciência descobria um segredo, a religião dava um passo atrás.

A razão é uma das mais nobres capacidades que distinguem a espécie humana, por ela são perceptíveis as conquistas da ciência e a sua luta por construir um mundo melhor. Mas, convém não esquecer a limitação humana, e igualmente a ordem natural que impele o homem a Deus, que lhe permite preservar a sua dignidade e evitar muitos erros.

1. Definição de ciência

O conhecimento científico é uma conquista recente da humanidade: data de quase quatrocentos anos surgido no século XVII com a revolução galileana. Isso não significa que antes não houvesse saber rigoroso, pois, desde o século VI a.C., na Grécia antiga, os sábios aspiravam a um conhecimento que se distinguisse do mito e do saber comum.[1]

O mito já não mais agradava ou explicava a realidade, surgiam elementos que até os desmentinham e buscou-se um saber sistematizado. Filosofia e ciência estavam intimamente ligados, e somente se separaram na modernidade, buscando cada uma seu objeto com seu método próprio. Dessa forma, nasce a ciência moderna, delimitando objeto e criando método.

A utilização de método permite à ciência atingir conhecimento sistemático e objetivo, e possibilita relacionar de modo universal os fenômenos. Cada ciência se torna particular, quando delimita seu campo de pesquisa e seus procedimentos específicos. Com relação às demais formas de saber, a ciência busca suas conclusões a partir de seus métodos.

A ciência não é único meio de explicação da realidade, certo e infalível; até porque está em constante evolução. As ciências humanas, não fazem experimentos, como a psicanálise; ou recorrem à experiências laboratoriais ou estatísticos, como a psicologia comportamental.

1.1 Especificação dos métodos científicos

As ciências se iniciam ou de observações ou de problemas determinados, e partem de dados objetivos. Precisa conceitos que o senso comum “despreza”, dos quais se parte para exame do conteúdo afirmado. “[…] a ciência não se limita a contestações do fenômeno como tal, pois também quer encontrar regularidades objetivas e fundamentos causais dessas regularidades para elaborá-las. Proposições científicas respondem a questões como: O que é como? Por que é assim? As ciências investigam:  como nós esclarecemos isso que observamos? Quais as regularidades existentes?[2]

Métodos são imprescindíveis à ciência, garantem-lhe objetividade. Proposições científicas são juízos formulados a partir de métodos, que questionam o objeto segundo o que o sujeito observa, objetivamente. O procedimento científico se realiza por passos:

1. Formula-se uma hipótese. Para se estabelecer o objeto de estudo, especula-se as várias maneiras de ele ser estabelecido. A hipótese científica é a suposição da causa provável de um fenômeno ou efeito; não se trata de especulação repentina. A hipótese somente será verdadeira quando a observação for capaz de abranger o que pretende explicar de modo totalizante.

2. Para se descobrir se a hipótese é adequada, usa-se da experiência. Verifica-se se o conteúdo hipotético é causa do percebido empírico. A formulação é testada.

3. Nos experimentos procede-se com medidas. Nas ciências da natureza, varia-se um fator, e observam-se as mudanças do outro.

4. Depois do experimento, segue-se a interpretação sobre o método, as influências.

5. Elemento essencial dos resultados é a possibilidade de prognoses. Um acontecimento singular dentro de determinadas regularidades, da mesma forma deveriam se repetir.

6. Se confirmada a hipótese, tem-se a lei ou teoria; isso poderá ser alterado por pesquisas e correções posteriores e possíveis, dessa forma, proposições científicas nunca são absolutas. As leis somente são verdadeiras enquanto correspondem à investigação em voga.

7. As leis expressam-se como proposições condicionais (se, então)

Pelo caminho indutivo, chega-se a proposições sobre fenômenos do mundo empírico. O conhecimento deve ser objetivo, percebido de mesmo modo por muitos.

O objeto de estudo da filosofia é o todo, não um fenômeno singular. “L. Wittgenstein radicaliza: parece absurdo dizer filosoficamente o que não se pode verificar, pois a linguagem só pode dizer com sentido realidades fácticas, conexões verificáveis. Como a filosofia tradicional fala de totalidades, deve ser situada no pensamento místico.”[3]

Filosofia e Teologia trabalham hipóteses nos diferentes campos, com objetos acessíveis:

a) Criticando a documentos históricos, que relacionam fé, pensamento e ação humanos.

b) Analisando proposições existenciais e psicológicas, ocorre a realidade dentro da qual se realiza a responsabilidade humana. A fé determina a existência.

c) Comparando com outras religiões, constata-se diferentes concepções antropológicas, tematiza-se instituições, conduta perante Deus[4]

A diferença em relação às ciências é que algumas hipóteses não são ou raramente são verificáveis em experimentos, pois é impossível reproduzir suas determinações.

2. Significação de religião

A religião é algo de constitutivo e expressivo em muitas culturas. É através dela que há uma transmutação do espaço, isto é, transcende-se o espaço físico com suas experiências espirituais. Também qualifica o tempo, dando-lhe a marca do sagrado. Toda a dinâmica da religião se baseia em um elemento mistérico: a fé.

Pode-se constatar a presença da fé em religiões antigas como o judaísmo, budismo, cristianismo e islamismo, que através dela exerceram grande poder na história da sociedade.  Por exemplo, no judaísmo as leis que regiam a sociedade partiam dos ensinamentos da Torá.  A origem do povo judeu vem de uma longa experiência de fé a começar com Abraão, Moisés, se estendendo à vivência dos profetas, patriarcas e reis. Já no cristianismo a fé é fundamentada na tradição dos apóstolos de Jesus Cristo, na Sagrada Escritura e no Magistério da Igreja. Nas origens do cristianismo vêem-se testemunhos corajosos de profissão de fé a ponto de se por a vida em risco e, às vezes, dando-a à morte. É uma fé que tem a figura de Cristo que se encarnou fazendo-se homem e padecendo, sendo morto como homem para redimir os pecados da humanidade, porém ressuscita trazendo nova esperança para a fé cristã, que se baseia no testemunho da ressurreição de Cristo.

O cristianismo exerceu influência na formação cultural de muitas sociedades e teve participação na difusão de várias conquistas científicas e culturais que mudaram a sociedade. No período medieval, a fé era o elemento usado para justificar o incompreensível e foi durante longo período um dos bloqueios para que a ciência não se evoluísse.

A fé é uma experiência que o homem vivencia a partir do mistério, do incompreensível e inacessível. Ela remete o homem a algo transcendente ou algo superior a ele. Diz-se que alguém tem fé quando experiencia o sentimento de finitude diante da vida, que pode pouco e que acredita no auxílio de algo superior. A fé é uma experiência de confiança e esperança.

Consiste, a fé, em considerar uma idéia verdadeira ou aceitável, baseando-se em um grau de evidência não decisiva. É algo mais forte que a opinião, mas mais fraca que o conhecimento, pois é algo muitas das vezes experienciado, impossibilitado de descrição cognitiva.

Por outro lado, fala-se de fé para designar um estado de espírito em que a confiança é depositada numa pessoa, idéia ou coisa sem evidência objetiva. Segundo Kant, é a aceitação de idéias ou de princípios regulatórios, os quais não podem ser demonstrados teórica ou empiricamente. No entanto, são necessários e úteis para a elaboração de teorias científicas, práticas e morais.

No século XX, um pensador chamado Karl Jaspers refletiu sobre o tema. Ele considera em uma obra Der philosophische Glube, que a essência da fé surge da análise da relação existência-transcencendência. A fé é a expressão máxima da liberdade humana. É a certeza de ser e do ser, é certeza existencial e ato instituidor da existência que em uma ação interior descobre a presença da transcendência.

A definição da palavra fé é algo difícil, por ser ambígua. Usa-se a palavra fé (crença) de diferentes maneiras como um “achar”, “julgar” na informalidade da fala cotidiana e usa-se fé no contexto religioso, como crença.

A fé também apresenta uma reivindicação universal de verdade e certeza como a ciência. O que se crê também deve ser examinado por sua verdade, certeza e coerência, pois a fé exige justificação, não basta convicção pessoal. Dizer que alguém crê uma proposição, que não sabe, significa que recorre a estratégias de justificação diferentes da ciência.

A dificuldade está em encontrar as estratégias de justificação que separam fé e ciência, de maneira adequada. Como alguém chega ao conhecimento de uma proposição da fé? Para as tais proposições, é necessário mais o testemunho de outras pessoas e menos de percepções sensíveis do que do conhecimento científico. Na crença, sempre se pressupõe alguém em quem se acredita, crê-se na veracidade de alguém. Assim também a crença em Deus inclui nela uma certeza existencial muito forte, ou seja, a fé traz em si uma certeza existencial. Mas, por outro lado, a justificação da fé nunca pode ser reduzida totalmente à ciência.

O filósofo francês Gabriel Marcel dizia que estrutura da fé é diádica e a demonstração científica é triádica. Quando creio, creio em alguém. O ato de crer envolve toda a minha pessoa, razão e sentimento. Por isso a fé se testemunha. Testemunhar algo significa estarmos com todo o nosso ser por aquilo que afirmamos. Os primeiros mártires cristão são exemplos de testemunho da fé. Pois deram sua vida por aquilo que criam. A prova científica é apenas um ato racional: eu provo algo a alguém. O processo de demonstração científica consiste em fazer com que alguém possa ver algo da mesma maneira como eu. Envolve apenas minha razão e a do outro. [5]

3. A justificação da religião frente à ciência e da ciência frente à religião

Desde sua origem, a filosofia com sua visão crítica, quis responder à questão da verdade da vida. A religião sempre esteve atrelada à vida do homem, o que fez os filósofos,  de alguma forma, considerar a questão de Deus.

A filosofia grega antiga pensou a totalidade, Deus como cosmos, no qual está o fundamento originário, em Anaximandro; que é ser imutável, em Parmênides; que é Logos ordenador, segundo Heráclito; ou noús, princípio de movimento, segundo Anaxágoras; o mundo era pensado objetivamente nesse contexto; a partir dele, a idéia de Deus.

A revolução copernicana significou também o início do pensamento subjetivo. O homem agora questiona o acesso ao real e fala de realidade a partir da subjetividade, e apóia-se apenas na razão e na experiência. Isso também modificou a concepção de Deus. Para dominar a natureza, as ciências dispensaram a idéia de causa primeira, mas com referência a Deus, cuja questão passa a ser, considerada não a partir do mundo, mas do homem e suas relações com o mundo.

A filosofia da religião é ciência nova, foram importantes vários pensadores. A filosofia da ciência “é filosofia; e filosofia não se esclarece a partir de outras ciências, mas a partir de si mesma. Quando o homem filosofa, ele mesmo pensa. O pensar filosófico é forma radical de liberdade humana[6]

A partir do pensamento, o homem se compreende a si e se desenvolve; seu pensamento além de ter, lhe dá fundamento. A filosofia da religião é diferente das demais ciências relacionadas à religião porque indaga a si, como é, e tematiza-se; inclui a questão crítica do ser, tenta esclarecer o ser e a essência da religião.

A religião não é dada, nem se funda na filosofia, não é filosofia.

Certamente há influência mútua entre a filosofia e a religião. O filósofo encontra a religião como o diferente, o outro. Mas a religião realiza-se como acontecimento humano, como uma forma da vida humana. São homens que crêem em Deus, rezam, se reúnem em assembléia para o culto. Na fé em Deus, os homens indagam sempre, de alguma forma, a si mesmos. Embora não produzam a religião, cabe-lhes uma liberdade responsável perante si mesmos, ou seja, perante a razão crítica.[7]

A religião é parte importante da antropologia filosófica, pois está na compreensão que o homem tem de si mesmo e do ser. Expressa-se em linguagem, categorias e possibilidades humanas. A partir de uma compreensão da essência da religião, posiciona-se criticamente a ela, e esclarece-se seu sentido na vida do homem. A religião “é a crença na garantia divina oferecida ao homem para sua salvação e, ao mesmo tempo seu comportamento (culto, ética) para obter e conservar tal garantia.”[8]

4. Posicionamentos favoráveis e contrários à justificação religião e ciência

No decorrer da história, sobretudo a partir do Iluminismo, surgiram aqueles que consideram a religião como consciência falsa, ideologia, como Feuerbach, que parte de uma concepção de vida natural não alienada, e Freud, mais cético, que esperou um futuro em que a humanidade constituiria uma harmonia sem religião ou ciência.[9] Para Feuerbach ainda, a religião é projeção das expectativas do homem que é limitado, o que deseja para si, ou lhe falta, projeta na figura de Deus.

Esses dentre outros, almejam, pela razão e natureza, transformar a consciência humana, a partir, sobretudo do domínio tecnológico sobre as forças da natureza. A alienação seria falta de conhecimento científico e domínio do inconsciente.

Marx se destaca como o pai da crítica moderna à religião, confiando fortemente na razão, na ciência e no progresso. “O desejo de libertar a humanidade da ilusão de Deus e da tirania da fé religiosa reverteu, ele mesmo, em ilusão. Não só na filosofia, como também na psicologia profunda e na sociologia, hoje se buscam fundamentos para a existência da fé em uma realidade chamada Deus[10]. A religião é instituição político-social, obstáculo ao progresso e libertação do homem.

Mas, a relação ciência e religião nem sempre foi vista de modo pessimista “Durante séculos e milênios, a religião era tema na filosofia como qualquer outro. Por isso, todos os grandes filósofos dela trataram de uma forma ou outra forma. Desde o século XVII, surgem esforços apologéticos para justificar a religião no mundo moderno por que esta (o cristianismo) se distanciou da evolução histórica do mundo técnico-científico.” [11]

A fé é ato totalmente humano e deve ter sentido humano e honestidade e responsabilidade intelectual. A razão conduz, pela abertura ao ser, à religião, expressão da transcendência humana, mas aquela não se convence por uma fé que julgue a essência de Deus, do mundo e do homem, ou seja, forneça meios e métodos a ela (a razão). A fundamentação religiosa pela filosofia transcendental é a histórica; o eu seria ambivalente, diferente do eu histórico.

Segundo santo Tomás de Aquino, destacado pensador da Patrística, a fé aperfeiçoa a razão da mesma forma que a teologia, e conseqüentemente a religião, aperfeiçoa a filosofia. A teologia retifica a filosofia; a fé orienta a razão, não diminuindo-a.[12]

Para Pascal, a razão é insuficiente para conhecer as verdades éticas ou religiosas, e não chega a Deus. É o coração que conhece Deus; Ele é sensível, não à razão, mas ao coração, este, ‘tem razões que a própria razão desconhece’. Não há contraposição entre fé cristã e natureza humana, mas não O conhece-se sem a ciência ou a filosofia.[13]

Conclusão

A história da ciência adverte insistentemente, sobre um fato irrefutável: poucas teorias científicas conseguem manter-se em pé, mesmo que por poucos séculos; muitas vezes, só por alguns anos; e em alguns casos, menos ainda. A maioria das afirmações da ciência são posteriormente substituídas, uma após a outra, pouco a pouco, por outras explicações mais complexas e mais fundamentadas dessa mesma realidade. Eram hipóteses tidas como certas durante uma série de anos, ou de séculos, e que um dia se descobre que estão superadas. A postura própria da ciência experimental deve ser, portanto, extremamente cautelosa nas suas afirmações.

A ciência, apesar dos seus progressos, não será capaz explicar tudo. Cada vez ganhará mais terreno no campo daquilo que hoje parece inexplicável. Mas os limites do saber, por muito longe que cheguem, terão sempre pela frente um infinito mundo de mistério, no qual a fé caminha sem tropeços, nem intempéries. Uma pode entrar no campo da outra, nunca desrespeitá-la. A ciência não garante ou indica a fé, da mesma forma a fé não deve ser empecilho à ciência, no seu progresso. A ciência se ocupa das coisas que ela vê, a fé por sua vez, ocupa-se das coisas invisíveis. Ambas devem permanecer em seus limites. A ciência explicando como se é feito, como o mundo é feito; e a religião, porque se está no mundo e que sentido tem esse estar no mundo.

Referências

ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. História da filosofia: antiguidade e idade média. 5ªed. São Paulo: Paulus, 1990.

ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni. História da filosofia: do humanismo a Kant. 8ªed. São Paulo: Paulus, 2007.

ARANHA, M. Lúcia de Arruda; MARTINS, M. Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 3ªed. São Paulo: Moderna, 2003.

GALIEMBERTI, Umberto. Rastros do sagrado. Tradução de: Euclides Luiz Calloni. São Paulo: Paulus, 2003.

STACCONE, Guiseppe. Filosofia da religião: o pensamento do homem ocidental e o problema de Deus. Petrópolis: Vozes, 1987.

ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. 2ªed. São Paulo: Paulus, 1991.

_____. Teoria do conhecimento e teoria da ciência. São Paulo: Paulus, 2005.


[1] ARANHA, M. Lúcia de Arruda, MARTINS, M. Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 3.ed. São Paulo: Moderna, 2003.

[2] ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e teoria da ciência. São Paulo: Paulus. 2005. p 151

[3] ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e teoria da ciência. São Paulo: Paulus. 2005. p 153.

[4] Cf. ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e teoria da ciência. São Paulo: Paulus. 2005. p 151

[5] ZILLES, Urbano. Teoria do conhecimento e teoria da ciência. São Paulo: Paulus. 2005. p 28

[6] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. 2.ed.São Paulo: Paulus. 1991. p 9.

[7] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. 2.ed.São Paulo: Paulus. 1991. p 10.

[8] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. 2.ed.São Paulo: Paulus. 1991. p 11.

[9] Cf. ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. 2.ed.São Paulo: Paulus. 1991. p 13.

[10] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. 2.ed.São Paulo: Paulus. 1991. p 14.

[11] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. 2.ed.São Paulo: Paulus. 1991. p 15.

[12] Cf. ANTISERI, Dario. REALE, Giovanni. História da filosofia: antiguidade e idade média. 5. Ed. São Paulo: Paulus. 1990. p. 554-555.

[13] Cf. ANTISERI, Dario. REALE, Giovanni. História da filosofia: do humanismo a Kant. 8. Ed. São Paulo: Paulus. 2007. p. 618-621.

2 Comentários

  1. sirleyaparecidadejesus

    como e interessante ver que a ciencia a filosofia e religiao esta tudo ligada e como isso acontece muito bom

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  2. Concordo plenamente, a teoria científica está em constante evolução e aprimoramento e, pessoalmente, acredito que uma das funções mais nobres da Religião é justamente o questionamento das descobertas científicas, garantindo que a ciência siga galgando um caminho sólido e fundamentado. Muito me interessa a relação dual que surgiu entre os dois campos (https://bit.ly/2QoRTwo), pois acredito que um impulsione o outro e que sejam complementares, assim como defendido no artigo. 

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