“(…) na essência da alma, que é a sua parte mais secreta. Ali é que está o silencioso meio que criatura alguma jamais chegou. (…) Ali Deus entra na alma com sua força total e não parcialmente”.
(Mestre Echart)

Cleiton Henrique Lopes*

RESUMO: O presente trabalho aborda o pensamento do filósofo mítico alemão, Mestre Echart. A pertinência de se abordar o pensamento echartiano reside no contexto no qual ele está situado, a saber, no contexto de declínio da filosofia escolástica, ou seja, do colapso da díade fé-razão. Com isso, Echart se propõe, através da filosofia e de elementos do misticismo, resguardar a perspectiva transcendental do homem e, assim, a retardar o rompimento da ligação entre fé e razão. Neste contexto, o presente trabalho se propõe a abordar o pensamento echartiano a partir de um dos seus pontos basilares: a relação entre o homem e Deus.
PALAVRAS CHAVE: Filosofia escolástica. Fé. Razão. Misticismo

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O século XIV é marcado pelo notável declínio da Filosofia Escolástica, ou seja, pela ruptura da díade fé-razão. Deste modo, tal contexto tornou o cenário propenso para o desenvolvimento do chamado misticismo especulativo, no qual, o homem mais uma vez defronta-se com o limiar da necessidade de uma nova forma de reestabelecer o contato com Deus, haja vista a realidade da dissolução da pretensão escolástica de instrumentalizar a razão para alcançá-lo. É neste contexto que nosso autor, o alemão Mestre Echart, desenvolve e sistematiza o seu pensamento.
Assim sendo, o presente trabalho visa, a partir das contribuições do próprio autor e de seus comentadores, estabelecer uma compreensão de seu pensamento acerca da relação entre Deus e homem, tendo em vista que a necessidade de se reestabelecer esta relação é um dado que marca o período e possibilita, de certa forma, o desenvolvimento de seu pensamento. Para isto, iremos partir da compreensão que se tem de Deus e do homem no pensamento echartiano e, num passo ulterior, tentaremos estabelecer como se dá a relação entre os pares, tendo como perspectiva central de compreensão o elemento da interioridade como via que a torna possível.

1.1. Deus e a sua transcendência sobre o homem

O pensamento echartiano é perpassado pela tênue relação que se dá entre Deus e homem. Mais precisamente, esta relação é caracterizada pela “ideia de unidade entre Deus e homem, entre o sobrenatural e o natural” (REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. 1990, p. 645). Tal relação é possível em um pensamento que, não obstante o fato de que ele está situado no contexto da filosofia Escolástica, e, assim sendo, ser de teor filosófico, é embebido pelo elemento do misticismo, o qual caracteriza a filosofia de Mestre Echart. Assim sendo, “na sua teodiceia, Echart procura focalizar, principalmente, a transcendência de Deus sobre todo ser humano e criado” (BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etiene; 1988, p. 522).
Tal transcendência se sucede uma vez que “o ser e o conhecer coincidem realmente em Deus (…) porque Deus é intelecto e conhecimento e o seu conhecer é o fundamento do próprio ser” (ECHART apude REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. 1990, p. 645). Deste modo, de certa forma, é possível afirmar que Echart estabelece o conhecimento como sendo uma dada razão ontológica de Deus que o torna acessível aos homens. Assim, “Deus não conhece porque é, mas é porque conhece” (BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etiene; 1988, p. 522).
Neste sentido, conforme destacam os autores BOEHNER e GILSON, Echart se apropria da citação do evangelista João para elucidar tal fato estabelecido e, não obstante, se utiliza de uma dada paródia de tal citação para, assim, negar a primeira no intuído de aproveitar-se ao máximo da ideia contida nesta última . Mais precisamente, por um lado, trata-se da passagem na qual se encontra registrado o seguinte: “no começo era o Verbo, e o Verbo estava com Deus”, e, por outro lado, “não: ‘no começo era o Ser, e o Ser estava com Deus’” (1988, p. 522).
Assim, para dizer do Deus Criador, Echart parte do princípio de que “desde sempre está presente em Deus a ideias das criaturas e a vontade de criar” (REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. 1990 p. 645). Desta forma, o conhecer entra no primeiro grau da hierarquia das perfeições celestes, seguido pelo ser.
Uma vez considerada a existência de um Deus Criador estabelece-se a necessidade de considerar ambos, ou seja, Criador e a criatura. Diante de tal questão, o pensamento echartiano, ao destacar o elemento do profundo conhecimento do Criador (donde provém, inclusive, o conhecimento humano) acaba por afirmá-Lo enquanto Criador de todas as coisas e, não obstante este fato, eleva o Criador a um patamar, em certo sentido , inalcançável pela criatura: ele é o Ser que supera o ser. Deste modo, “todas as coisas foram feitas pelo Verbo, isto é, pelo “inteligere” ou conhecer divino. Logo o ser não compete senão àquilo que foi feito pelo Verbo” (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 523).
Como, pois, não confundir o ser do Criador com o ser da criatura uma vez que ambos existem? Para evitar tal confusão o pensamento echartiano considera o ser do Criador como “a pureza do ser”: “Deus está isento do ser criado, ou o que vem a ser o mesmo, Deus está isento do ser (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 523). Ou ainda, “não há em Deus nenhum ser (criável), Ele é intelecção. Sabedoria. Conhecimento e Entendimento” (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 523). Neste sentido, “o mesmo Deus que está em todas as criaturas é o mesmo que está acima delas, pois aquilo que é uno em muitas coisas deve estar necessariamente acima das coisas” (REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. 1990, p.646).
Se o ser de Deus não é o mesmo ser das criaturas uma questão surge: quem é Deus? Diante desta pergunta, por mais que se possa parecer contraditório, devido ao fato de que o autor considerado não pretende afirmar e associar a existência de Deus a ideia, a noção de ser, o mesmo é forçado a conceber Deus como sendo, em certa medida, um ser. Isto porque “se fosse distinto de Deus, o ser não seria predicável Dele, nem se poderia afirmar que Deus existe (…) se não fosse idêntico ao ser dever-se-ia postular uma coisas que lhe fosse anterior e O produzisse (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 524).
Assim Deus, no pensamento echartiano, é admitida a ideia de que Deus possui um ser. Com efeito, tal admissão, operosamente, vem reforçar a ideia de Deus é o Criador de todas as coisas. Pois, “dado que o ser é idêntico a Deus, nada há se Deus não é, (…). Assim, como não haveria branco não fosse a brancura (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 525).

1.2. O homem como ser capaz de relacionar-se com Deus

Uma vez estabelecida a transcendência de Deus, o Criador, sobre o homem, a criatura, bem como, considerado a relevância conferida pelo pensamento echartiano ao conhecer divino (“intelegere”), resta-nos dedicar um pouco mais neste segundo elemento desta relação transcendental, ou seja, o homem. Neste sentido, vale destacar que, para os autores BOEHNER e GILSON (1988, p. 527), em sua antropologia, Echart, empenha-se em fazer ver a existência, no homem, de uma ligação imediata com Deus .
Para que esta relação seja possível deve ser considerada uma expressão cara no pensamento echartiano: trata-se da “centelha da alma”. Isto na medida em que, é graças a esta centelha, que tal ligação torna-se possível. Haja vista que, para além de outras considerações, Echart bebe do pensamento agostiniano a noção de distinção entre “razão superior” e “razão inferior”, aqui tomadas como duas faces da alma.
Com efeito, para Echart, “o ápice ou a parte mais profunda da razão superior, porém é a centelha da alma, em que convergem as três potências nobres da alma, a razão, a vontade e a memória, para formar o ponto de contato com a divindade” (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 527). Deste modo, cabe à centelha da alma a nobre função de tornar o homem propenso para tomar contato (relacionar-se) com a divindade.
Desta forma, corroborando para a compreensão da imagem do homem que, graças à centelha da alma é propenso a ter contato com a divindade, o pensamento echartiano a associa a centelha da alma com a imagem da Santíssima Trindade. Assim, “[a centelha da alma] é, antes de mais nada, uma potência suprema e altíssima, pela qual a alma se abre à verdade divina; é ainda, uma potência pela qual a alma se abre a bondade e amor de Deus; e, finalmente, é uma potência que torna a alma verdadeiramente livre” (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 527).
Com isso, a centelha da alma é associada à figura de Deus Pai na medida em que considera-se a abertura à verdade divina, ou melhor, na medida em que se considera tal centelha como sendo a potência suprema e altíssima que permite tal feito. Por sua vez, a associação ao Deus Filho, – expressão do amor do Pai que ao O enviar para fazer a Redenção, ao revelar à humanidade o Deus amor -, se faz presente no sentido de esclarecer que a centelha em questão é como que um meio concreto que torna a alma humana aberta para relacionar-se com Deus, fonte de todo conhecimento. Já a associação feita à imagem do Espírito Santo, o “pneuma”, o sopro da vida, é justificável no sentido de apontar para o fato de que a centelha da alma possibilita ao homem a liberdade necessária para que esta relação aconteça.
Diante do que foi apresentado acerca do pensamento echartiano, ou seja, que graças a centelha da alma a alma humana é propensa a relacionar-se com a divindade, vale a pena considerar o intelecto como elemento que corrobora em tal relação. Para ele, “[o intelecto humano] é portador de vida divina, que ele – por mistério incompreensível – é capaz de atingir: a alma humana é capaz de conceber a Deus” (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 528).
Com efeito, vale destacar que o intelecto, antes de qualquer coisa, aponta para a centelha da alma como caminho para decisiva participação de Deus, haja vista que, para todos os efeitos, este é dado ao homem não de maneira plena. Assim, “na alma há algo criado, a saber, o intelecto. Se a alma fosse inteiramente intelecto, e se sua essência fosse ‘puro intelecto’ ela seria incriada” (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 528). Ou ainda, “a alma não possui intelecto em forma absoluta, mas em forma atenuada; é criado segundo o intelecto de Deus, do qual participa, assim como o branco participa da brancura” (BOEHNER, Philotheus; GILSON. 1988, p. 528).

1.3. A relação entre Deus e homem como um processo de interioridade

Uma vez considerada, por um lado, a transcendência de Deus sobre o homem e, não obstante a este fato, por outro lado, considerada a capacidade que este último possui de voltar-se para Deus e, assim sendo, relacionar-se com Deus, torna-se necessário conferir um papel de destaque a esta relação que, por sinal, é cara no pensamento místico de Mestre Echart. Qual é o seu fundamento basilar? Qual a condição básica? Como se dá esta relação?
Ajuda-nos a responder a primeira pergunta constatarmos que, segundo o pensamento echartiano, o homem possui uma necessidade natural de relacionar-se com Deus. Assim, para Echart, “tudo aquilo que existe, existe por obra do Ser divino, que ‘ama necessariamente’. Assim, as coisas e o próprio homem nada são sem Deus. Essa é a razão pela qual o homem deve voltar-se para Deus: somente retornando a Deus é que o homem se encontrará a si mesmo” (REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. 1990, p. 646).
Uma vez considerada esta necessidade básica, bem como, a transcendência de Deus em relação ao homem e a capacidade deste relacionar-se com Deus, torna-se necessário considerarmos o conteúdo da segunda pergunta, ou seja, aquilo que diz respeito a condição para que esta relação aconteça. Neste sentido, Echart considera como condição, não somente básica como, também, indispensável, a abertura da alma humana à transcendência divina, tendo como via básica para que isto aconteça, o desapego das coisas terrenas:

subordinando todas as virtudes cristãs ao desapego, que é o estado da alma livre (‘ledic’, ‘esvaziada’), de toda representação ou imagem, ele [Mestre Echart] assimila o vazio interior da alma ao lugar natural de Deus e formula em termos quase ‘físicos’ uma lei de comunicação necessária que obriga Deus a prodigalizar-se, por causa do próprio ser, a toda alma pronta a acolhê-lo” (LIBERA. 1988, p. 428).

Ainda neste sentido, com efeito, agora bebendo direto da fonte, ou seja, da obra do próprio autor, neste caso, o capítulo primeiro dos Sermões Alemães, escrito por ocasião do Natal, no qual o mesmo usa da imagem do “nascimento” para falar do fruto desta relação, ou seja, o contato da alma com Deus, temos: “pois tudo aquilo que falarei aqui [acerca do mencionado nascimento] é para ser entendido do homem purificado e estável que trilha os caminhos de Deus; não é claro do homem natural e sem prática, pois este está totalmente distanciado desde o nascimento, além de o ignorar” (p. 2). Ou seja, este nascimento, esta relação transcendental, só pode se suceder naqueles que trilham os caminhos de Deus, que são purificados, estáveis e que, por assim ser, estão abertos a tal relação; deste modo, o contrário acontece com os que não estão.
Assim sendo, uma vez considerada a necessidade natural do homem em relacionar-se com Deus, bem como, observada a abertura à transcendência divina como condição básica, resta-nos responder a terceira pergunta: Como esta relação se dá?
Para respondê-la é necessário considerarmos que para Echart a via para tanto passa, antes de qualquer coisa, pelo processo de interioridade. Portanto, para que a relação considerada se suceda é necessário que o indivíduo volte-se, por completo, para o seu interior, para a parte mais nobre da alma, onde a alma é propriamente receptiva a tal:

(…) em que localidade exata da alma Deus o Pai dá o seu recado, onde acontece o nascimento, e onde a alma é receptiva a tal – naquela parte mais pura, elevada e sútil da alma. (…) a alma onde este nascimento ocorrer deve se manter pura e viver em nobre estilo, por completa dona de si mesma e voltada em sua totalidade para o interior: não saindo a todo instante pelos cinco sentidos para a multiplicidade das criaturas, mas voltada para dentro, recolhida na parte mais pura” (ECHART, p. 2).

Deste modo, partindo da consideração da interioridade como via de estabelecimento da relação entre Deus e homem, Echart determina até mesmo o local indicado para que este “nascimento” aconteça: “[na] essência da alma, que é a sua parte mais secreta. Ali é que está o silencioso meio que criatura alguma jamais chegou” (p. 3).
Diante disso, uma vez sendo considerado este lugar, ou seja, o “silencioso meio”, onde a alma está mais aberta para comunicar-se com Deus, Echart ainda faz uma consideração acerca de como esta relação é estabelecida: sem mediadores. Assim, “sem qualquer semelhança, intermediário ou imagem – Deus age diretamente na alma; naquele chão do qual falávamos, onde imagem alguma jamais penetrou, apenas Ele mesmo com o seu Ser” (ECHART, p. 4).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Bem feitas as contas é perceptível a influência do misticismo no pensamento Echartiano. Em decorrência disso, é difícil precisar se o autor em questão é um místico que constrói seu pensamento no período da Escolástica ou um Escolástico místico. De certo prevalece a primeira opção dado o grau do misticismo encontrado em sua produção.
Neste sentido, uma vez dado o relevo necessário ao misticismo como elemento fundante do pensamento echartiano, torna-se possível, desta forma, compreender a partir de que base ele consegue afirmar Deus como sendo Aquele que transcende ao homem e, por sua vez, atribuir a este último a capacidade de se relacionar com Deus, sobretudo, a partir da “centelha da alma”. No entanto o que não pode passar por despercebido é o fato de que, deste modo, Echart consegue, em certa medida, cumprir a tarefa que lhe era proposta: encontrar uma nova forma para que o homem pudesse relacionar-se com Deus da o colapso eminente da díade fé-razão.
Com efeito, o que mais corrobora para afirmar a presença do misticismo no pensamento echartiano é a consideração desta relação , ou seja, da relação Deus e homem, tendo como ponto de partida a experiência da interioridade como via para tal. Assim, nesta relação, com tudo o que a respeito dela expomos no presente trabalho, o misticismo é levado a cabo pelo mencionado autor.

REFERÊNCIAS:
BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etiene. História da filosofia. Tradução Raimundo Vier. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1988.
Echart, Mestre. Os sermões alemães completos. Tradução Marcos Beltrão. Disponível em: <https://caminhodomeio.files.wordpress.com> Acesso em: 07 de set. de 2015.
LIBERA, Alain de. Filosofia ocidental. Tradução Nicolás Nyimi Campanário. Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva. São Paulo; Loyola, 1988.
REALE, Giovanni. ANTISERI, Dario. História da filosofia: antiguidade e média. São Paulo: Paulus, 1990.

NOTAS:
* – Graduando do 2 º período do Curso de Filosofia da FAM (Faculdade Arquidiocesana de Mariana).
1 – Inalcançável no sentido de se estabelecer uma dada equivalência, haja vista que, conforme veremos, é o conhecimento, presente no Criador e na criatura, que permite ambos relacionar-se, obviamente, o tanto quanto a criatura esvaziar-se de si para acolher “no chão da alma” o Criador.
2 – Esta relação será melhor aprofundada no terceiro tópico do nosso trabalho, com efeito, para melhor compreendê-la, a luz do que já dissemos acerca de Deus, cumpre-nos o dever de esclarecer um pouco mais sobre o homem no pensamento echartiano.
3 – Ainda não vamos adentrar nas condições apontadas pelo autor para que, de fato, a alma alcance tal feito. Tal questão será abordada, ainda que brevemente, no terceiro tópico.
4 – Tal pensamento é compreensível o tanto quanto consideramos o que já afirmamos anteriormente, ou seja, que Deus exerce uma dada transcendência sobre o homem e que este, por sua vez, é capaz de relacionar-se com Deus (a partir da centelha da alma).
5 – (Apropriando-se do contexto da Festa Litúrgica do Natal do Senhor, é claro)
6 – A relação entre Deus e homem como um processo de interioridade.

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